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Em Julho de 2002, o Ibama encaminhava para análise um projeto de lei para liberar a abertura de clubes e fazendas de caça em todo o pais. Atenta a isso, a ARCA Brasil fez um apelo por e-mail aos simpatizantes da causa animal pedido para enviarem protestos ao Ibama. A resposta foi imediata e grandiosa. Milhares de mensagens de repudio ao projeto chegaram à sede do órgão. A pressão popular determinou, então, o arquivamento do projeto.
Veja um pouco da matéria que saiu na 5ª edição do Notícias da ARCA, informativo impresso da ARCA Brasil:
Graças
à manifestação de força de brasileiros
conscientes, a vida dos animais silvestres está a salvo da
mira dos caçadores. A história dessa conquista começou
em julho do ano passado, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais (Ibama) acolheu e encaminhou para análise
técnica um projeto para liberar a abertura de clubes e fazendas
de caça em todo o país. Nesses locais, os animais viveriam
exclusivamente para serem caçados.
Atenta a esse movimento, a ARCA Brasil fez um apelo via e-mail aos simpatizantes da causa animal orientando-os a enviar protestos a José Anchieta dos Santos, diretor de Fauna do Ibama. A resposta foi imediata e grandiosa. Milhares de mensagens de repudio ao projeto chegaram à sede do órgão.
No dia 19 de agosto, em entrevista à rádio CBN — que colocara no ar uma enquete sobre o tema —, Anchieta dos Santos afirmou que a pressão popular havia demonstrado que não era a hora de discutir o assunto. "Mais de 90% das manifestações que recebemos foram contrárias à liberação da caça no Brasil", declarou. "Por essa razão, o assunto, no momento, está retirado de pauta".
Foi uma vitória importante, mas é fundamental manter o alerta, já que, como o próprio diretor do Ibama declarou, o processo está arquivado "no momento". Isso significa que o tema pode voltar à pauta de discussões e, pior, de forma discreta, uma vez que ficou provado que a sociedade não deseja a liberação da caça.
Por outro lado, há grupos que continuam interessados na liberação da caça. Aí estão não só os caçadores mas também empresários, principalmente do ramo de armamentos, e fazendeiros.
No Rio Grande do Sul, a caça amadorística está liberada e tem o aval do Ibama, pois é considerada "controle biológico de algumas espécies". Nesse estado, permite-se caçar paca, cotia, queixada, lebre, perdiz e outras aves. A alegação é de que esses animais se reproduzem rapidamente e prejudicam plantações. Uma aparente coincidência é o fato de empresas de armamentos estarem instaladas no Rio Grande do Sul. No Paraná, os clubes e fazendas de caça fazem divulgação discreta, na certa para evitar conflito com protecionistas.
Além dessa caça autorizada, ocorre pelo Brasil afora a matança descontrolada principalmente de onça-pintada, jacaré, cervo, tatu, capivara e de diversas espécies de aves. Não se trata aqui de subsistência da população local. Na maioria das vezes, os animais são abatidos por fazendeiros ou por caçadores que abastecem o comércio de peles e plumas, e ainda por aqueles que o fazem pelo prazer de matar.
O espetáculo da vida X o morticínio

Entre as justificativas dos defensores da liberação
da caça está a de que ela atrairia turistas (leia "Caçar
por esporte é matar por futilidade", nesta edição).
Tal alegação pode ser facilmente confrontada com o que
ocorre hoje na África. Depois que documentários ambientalistas
revelaram ao mundo as cenas chocantes do abate de elefantes, leões
e tigres para virar troféus de caçadores, vários
parques de caça deram lugar ao safári de observação.
Essa modalidade de turismo atrai um numero muito superior de visitantes.
Nada mais "natural". Contribuir para a preservação
da vida é, certamente, uma experiência mais estimulante
do que a promoção da crueldade e da violência. O Brasil,
com tamanho potencial para o ecoturismo, tem tudo a ganhar com a proteção
de uma de suas maiores riquezas, a fauna silvestre.
Veja a matéria completa no Notícias da ARCA n.5
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