Atenção! Quem maltrata bicho pode maltratar gente!

21/06/2005 by arcabrasil | Filed under Maus tratos.
Eládia de Cássia Ferian, 40 anos, mora na Rua do Oratório, bairro da Mooca, zona leste de São Paulo. Ela é acusada por vizinhos de recolher e adotar cães e gatos com o fim de torturá-los e até matá-los. Boletins de ocorrência por crueldade contra animais foram registrados contra ela, por alguns moradores da região. Além disso, outros B.O’s foram lavrados contra a acusada. As queixas vão desde depredação do patrimônio particular até violência e agressão contra um aluno, na época em que era professora de pré-primário. Segundo testemunhas, Eládia manifesta comportamento agressivo e provavelmente sofre de distúrbios mentais.

Nas últimas semanas, internautas dedicados à causa animal divulgaram insistentemente o caso de Eládia, moradora da rua do Oratório, zona Leste de São Paulo. Ela adotava animais para torturá-los e matá-los (leia box ao lado). O fato nos leva a uma reflexão ainda incipiente no Brasil, mas muito difundida em países desenvolvidos: a de que a crueldade contra os animais é um dos primeiros passos para a violência contra seres humanos.

Desde a década de 1990, o FBI leva em consideração os históricos de crueldade contra animais nas investigações de assassinatos e crimes sexuais. Existe uma boa razão para isso: estudos científicos conduzidos por autoridades em psiquiatria das universidades americanas estabeleceram correlação entre os crimes contra animais e a violência infligida a seres humanos. Concluiu-se que uma quantidade significativa de estupradores e assassinos em série haviam iniciado suas práticas criminosas ainda na infância, dirigindo sua violência contra animais.

No Brasil, um exemplo conhecido é o do motoboy Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, que em 1998 confessou ter estuprado e assassinado 11 mulheres. O serial killer se tornou conhecido por esse apelido porque ele cometia os crimes e enterrava os corpos das vítimas no Parque do Estado, em São Paulo (SP).

Na época do julgamento, a defesa do criminoso alegou que este era mentalmente incapaz. Francisco foi então submetido a uma série de testes e exames, conduzidos por uma junta médica. O diagnóstico foi de um severo transtorno de personalidade anti-social –em termos mais antigos, psicopatia.

Na época dos crimes, a imprensa noticiou superficialmente que o motoboy apresentava antecedentes de prática de crueldade contra animais. Sobrinho de um açougueiro que mantinha um matadouro clandestino, desde pequeno Francisco gostava de assistir ao abate do gado. Ainda garoto, ele caçava rolinhas, mutilava-as e as fritava, ainda vivas. Também maltratava cães e gatos da vizinhança, com tiros de chumbinho e pedradas.

Mas por que os assassinos seriais geralmente têm os animais como suas primeiras vítimas? O principal fator que contribui para essa escolha é que pequenos animais são impotentes para se defenderem. Tornam-se assim as melhores cobaias para os futuros assassinos, que descobrem o “prazer” de causar dor e de dispor das vidas de suas vítimas.

O que fazer então?

É muito importante que a sociedade em geral se conscientize de que a violência contra animais é um problema grave, que pode aumentar de proporção e causar prejuízos ainda mais sérios à população. O papel primordial cabe à família, pois é ela quem tem condições de detectar os primeiros sinais de um comportamento potencialmente perigoso –e, a partir dessa constatação, corrigir esses padrões de forma adequada, recorrendo até ao auxílio médico e terapêutico quando necessário. Aos médicos veterinários, ficaria a responsabilidade de tomar as providências cabíveis sempre que suspeitarem de maus-tratos contra animais que porventura atendam. Psicólogos e médicos psiquiatras também precisam estar atentos a esta questão, assim como os juristas. Preparar estes profissionais para encarar situações como a de Eládia pode evitar transtornos mais graves no futuro. Dissociar um crime cometido contra um cão ou um gato dos casos de violência infligidos aos homens não é o melhor procedimento. Torna-se essencial analisar todos os âmbitos de casos como estes e procurar impedir o surgimento de novos “maníacos do parque”.

Se todos estiverem cientes de que a violência contra animais ameaça também o ser humano, todos terão muito a ganhar!

Leia a carta da Doris Day Animal Foundation sobre o caso Preta, dirigida às autoridades brasileiras.


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