Deixando as escadas e parapeitos de lado

09/03/2008 by arcabrasil | Filed under Cão e Gato, Dicas/ Lazer, Saúde animal.

Seu cão ou gato já não têm o mesmo vigor? Eles podem estar com problemas nas articulações…

“Uma das coisas que a Mila sempre gostou foi de subir escadas correndo. De uns tempos para cá, notamos que ela mostrava dúvidas em subi-la. Por vezes demonstrou sentir dor e minha esposa levou-a ao veterinário. Após os exames, foi diagnosticada, em termos leigos, com problemas na cartilagem entre as vértebras”, conta João Luís Macedo, advogado e dono de Mila, uma SRD mestiça com border collie.

Não são apenas os seres humanos que mudam os hábitos do dia a dia conforme a idade vem chegando os animais também passam por isso e é por esse motivo que é preciso ficar atento. Se o seu cão ou gato começar a claudicar (mancar), diminuir as atividades físicas, relutar ou ter dificuldade de subir escadas ou pular, ele pode ter uma Doença Articular Degenerativa (DAD).

Nesta quinta reportagem da série exclusiva da ARCA Brasil você vai conhecer melhor e saber como amenizar o quarto motivo que mais leva animais ao Hospital Veterinário Anhembi Morumbi.

“Normalmente, os cães de porte grande e gigantes estão mais sujeitos a doença, entretanto observa-se DAD em cães de pequeno e médio porte, assim como em gatos”, alerta André Selmi, ortopedista e cirurgião do Hospital Anhembi. De acordo com ele, as causas mais freqüentes em cães são rupturas do ligamento cruzado cranial e displasias, mas qualquer doença envolvendo as articulações pode desencadear a DAD, até mesmo a falta de movimentos articulares (sedentarismo) provoca degeneração articular.

“O diagnóstico precoce facilita o tratamento indicado em cada caso, que pode ser clínico ou cirúrgico. O primeiro sinal de dificuldade de locomoção por parte do animal deve ser motivo para procurar a opinião de um médico veterinário, especialmente em filhotes.”, diz o profissional, que adverte para o perigo da doença passar desapercebida pelos proprietários e causar problemas mais sérios com o passar do tempo.

Segundo Selmi, um dos principais fatores envolvidos no aparecimento da doença é o peso do animal, que implica na carga aplicada em suas articulações. “Hoje em dia sabe-se que animais ‘em forma’ apresentam menores lesões articulares e vivem por mais tempo”, explica o ortopedista. O avançar dos anos e o costume de fazer movimentos não-naturais para os cães, como pulos em excesso ou andar sobre as patas traseiras, também podem causar a doença.

A Veterinária Solidária, Daniela Mamprim também alerta para a necessidade de exercícios e fala de medidas preventivas: o ideal é que os animais sejam criados em pisos não lisos, com espaço para brincar, se exercitar, passeios diários, controle do peso e alimentação de boa qualidade. Além disso, existem reguladores da posição da comida para cães altos e acolchoados que podem evitar os famosos calos de apoio nos cachorros de grande porte.

Tratamento
“Existem várias opções de tratamento, vão desde medicamentos para a dor ou para redução da velocidade de degeneração articular, até cirurgias. Há também, tratamentos complementares como reabilitação física, acupuntura e homeopatia” elenca André Selmi. Melhorar a qualidade de vida do animal e retardar a progressão são os objetivos dos tratamentos, mas infelizmente a DAD não apresenta cura.

Enquanto isso, os donos de Mila, por recomendação do médico veterinário, têm procurado evitar o sobe e desce em escadas, mesmo quando ela se sente bem. “No parque, algumas brincadeiras foram abandonadas. Mas os passeios foram mantidos. Em casa temos pequenas estratégias, como colocar almofadas em sofás, para evitar que ela suba e desça, fazendo movimentos anti-naturais para um cão, na tentativa de impedir o agravamento de seu quadro, que, de certa forma, é crônico. Ela também faz acupuntura, uma vez por semana, com uma veterinária especializada”, revela seu dono, João Luís Macedo.

Para Macedo, mudar algumas características de sua vida para acolher a terceira idade canina faz “parte do trato”. “Acredito que o homem e o cão celebraram um pacto de ajuda mútua. O animal sempre fez a parte dele, mas nem sempre fizemos a nossa. O cachorro abriu mão até mesmo de seu habitat, vivendo em ambientes hostis como as cidades. Assim, é nosso dever protegê-los”, conclui.

Displasia, um perigo genético
Ao comprar um cão de raça, você pode – sem querer – colaborar para a perpetuação de um problema genético na formação óssea dos cães: a Displasia. Isto acontece porque essa doença, majoritariamente genética, não pode ser diagnosticada a olho nu. Com isso, criadores descuidados ou inescrupulosos acabam por procriar animais sem antes fazer raios-X deles (entre outros exames essenciais), dando origem a crias com a doença.

De acordo com o Dr. Edgar Luiz Sommer, diretor de diagnósticos do Provet, a Displasia é a má formação das articulações coxofemorais (e uma potencial causadora da DAD). Ela incide em todas as raças, mas tem predominância nos cães grandes e gigantes, bem alimentados e de crescimento rápido. Ela atinge os dois sexos e pode compreender uma articulação ou ambas.

Segundo Malvina Waisberg, do guia Anuário Cães, no Brasil existe um controle contra esta doença em algumas raças, como labrador e doberman. “A displasia faz o animal sofrer e muita vezes  ele acaba sendo eutanasiado. Daí, a extrema importância de um controle rígido”, diz ela.

A principal conduta para os criadores é a castração dos animais que têm o problema, para que não possam reproduzir. Eles também devem apresentar chapas de raios-X da área coxo-femoral dos pais, junto com o laudo de um veterinário, anexadas à documentação de todos os filhotes comercializados e vender apenas animais castrados (Lei nº 14483) para que os novos proprietários dos animais não os reproduzam sem critério. Já os futuros donos de cães, devem comprovar que seu novo animal não tem a doença em sua linhagem, além de comprar de animais apenas em locais autorizados e confiáveis.

Antes de decidir ter animal, faça o Teste do Proprietário Responsável para saber se está apto. Leia também os 10 Mandamentos da Posse Responsável de Cães e Gatos. A ARCA Brasil estimula a adoção de animais ao invés da compra, conheça o nosso projeto Adotar é Tudo de Bom.

1. Doenças infectocontagiosas, como cinomose e parvovirose;
Leia a reportagem “Só uma Picadinha

2. Doenças alérgicas por picadas de ectoparasitas (pulgas);
Mais informações na matéria “Inofensivas?

3. Obesidade e doenças do metabolismo (diabetes, hiperlipidemias);
Conheça os detalhes sobre este assunto no texto “De olho na silhueta

4. Aparecimento ou agravamento de problemas articulares pré-existentes, como displasias e artroses degenerativas;
Entenda mais com a reportagem “Deixando as escadas de lado

5. Traumas por atropelamentos ou brigas;
Confira a matéria “Curativos, talas, pinos…


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