Fco. Morato (SP) retrata o drama dos animais desamparados

30/03/2010 by arcabrasil | Filed under Ações ARCA, Cão e Gato.

Foi cego e maltratado que Lobão conquistou Dna. Laudiana. Acompanhe o tratamento do labrador que é mais uma vítima do descarte de animais com necessidades especiais.

Esse labrador marrom, que mais parece um urso, ganha rapidamente a simpatia de qualquer um. A visão comprometida foi o provável motivo para o abandono, cada vez mais freqüente entre cães de raça. Hoje, quatro anos depois, ele divide a atenção da humilde família de Francisco Morato junto com outros animais.

Dentre os mais de 30 cães que dividem o castigado terreno da família, alguns são de raça. Mas o que leva uma pessoa a pagar por um animal e depois abandoná-lo?

No caso do labrador Lobão, a provável causa certamente foi o problema de visão, o pincher Lucas a paralisia das patas traseiras e o pit bull por ser a raça mais estigmatizada do momento. Motivos que explicam, mas não justificam o descarte de tantos animais nas cidades brasileiras.

A ação da ARCA Brasil em Francisco Morato – um dos municípios mais carentes da Grande são Paulo – ocorre no contexto das carências que atingem os animais em zonas periféricas das grandes cidades. A atitude desta família também chamou a atenção da entidade por sua dedicação aos animais, mesmo em meio ao drama causado pelas enchentes.

Lobão
O labrador foi levado até a clínica ProVet para ser avaliado pela especialista em oftalmologia canina e coordenadora do curso de pós-graduação da Anclivepa SP, Dra. Adriana Teixeira.

“O tempo foi bastante cruel e mudou seu quadro clínico. Hoje ele tem catarata madura no olho direito, neoformação (tumor) na palpebra e ceratoconjuntivite seca (secura ocular) no olho esquerdo” explicou a especialista.

Após a primeira consulta com a Dra. Adriana, que ofereceu seus serviços de maneira voluntária, Lobão voltou para a casa com as receitas e os primeiros medicamentos para começar o tratamento. Apesar do tamanho do tumor no olho esquerdo e da urgência da operação, o animal só poderá ser operado após um mês de tratamento, já que sua visão está bastante debilitada.

A primeira fase inclui dois medicamentos: o colírio Cetrolac e a pomada Tacrolimus,  vendida apenas nas poucas farmácias de manipulação de oftalmologia – o uso da pomada será para uma vida toda, já que o problema do “olho seco” não tem cura.

“Atenção especial com os olhos dos cães é bastante recente na Medicina Veterinária e mesmo em São Paulo, existem poucos especialistas no assunto. Os tratamentos ainda são caros e pouco acessíveis à população. Uma cirurgia de catarata pode custar R$ 2 mil cada olho, um preço absurdo”, desabafa o Veterinário SolidárioDr. Luiz Cesar Moretti,que apesar de não ser especialista na área, briga em nome dos animais por uma medicina mais voltada ao social.

Francisco Morato
ARCA continua trabalhando com a família e os animais da Dna. Laudiana. Mas a entidade ainda necessita de subsídios para manter os altos custos dessas ações. A logística do transporte do Lobão (de Francisco Morato até São Paulo) e o tratamento são caros e não podem parar.

Algumas importantes melhorias já foram alcançadas. Os três cães com tumores venéreos já começaram as seções de quimioterapia e a fêmea está indo para a 4º dose. “O tumor já sumiu, ela está praticamente curada”, afirma a Dra. Amanda Rodrigues de Oliveira, responsável pelas aplicações e que presta um apoio fundamental em Francisco Morato.

Como uma ONG, sem fins lucrativos e sem ajuda governamental de qualquer espécie, a ARCA Brasil conta somente com a sua colaboração para amparar esses animais.

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