Os sem floresta brasileiros

25/06/2010 by arcabrasil | Filed under Vida Silvestre.

Veja aqui as causas das ocorrências de animais silvestres nas cidades e como agir se encontrar um deles em sua casa.

Como seria a sua cidade dos sonhos? Com certeza teria um trânsito mais livre, seria menos violenta, sem poluição, teria muita área verde, passarinhos cantando e flores pra todos os lados? Na contramão de qualquer cidade dos sonhos, a caótica São Paulo surpreendeu ao divulgar no Dia Internacional da Biodiversidade (22.05), o resultado de um mapeamento da Divisão do Verde do município, provando que a cidade mais cinza do Brasil tem sim seu lado colorido.

A listagem é feita pela Divisão de Fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente desde 1993, fato que merece elogio até de outros órgãos públicos. “Não é comum os centros urbanos realizarem estudos sistemáticos de fauna. São Paulo é uma rara e boa exceção. Com esse levantamento muitas vezes descobrimos novas espécies próximas a áreas urbanas”, afirmou Vincent Kurt Lo, biólogo e analista ambiental do Núcleo de Fauna do IBAMA.

Esse ano foram encontradas 700 espécies, número que surpreendente até os mais esperançosos. “Para quem vive e conhece São Paulo, é difícil acreditar que exista aqui onça-parda, jaguatirica, cachorro-do-mato e mais 85 novas espécies de aves. Mas isso também aumenta a responsabilidade de todos nós para as questões do meio ambiente”, explica a assessora de imprensa da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Erika Sena.

Está aumentando?
Diante dos resultados positivos da listagem fica a pergunta: será que está aumentando o número de animais silvestres nos grandes centros urbanos? Segundo o biólogo do IBAMA, Vincent Kurt Lo, não há números que comprovem isso.

“Mas devemos levar em conta uma possível maior conscientização da população, além da ampliação da área urbana sobre as áreas verdes, aumentando o encontro com animais, como ocorre com gambás e bugios. Algumas espécies podem se beneficiar com a urbanização, mas certamente esta promove uma maior ameaça à fauna silvestre como um todo”, completa o analista ambiental do IBAMA.

Em São Paulo a Divisão de Fauna é responsável pelo atendimento da fauna silvestre que chega à região metropolitana da cidade. São 155 animais por mês, ou seja, cerca de 5 animais todos os dias. “O órgão também auxilia possíveis conflitos entre a população e a fauna, principalmente durante as solturas, por meio de palestras e cursos específicos, serviço de atendimento”, afirma a assessora Erika Sena. “A listagem das espécies deve ser usada por toda a sociedade e para a educação ambiental”, complementa. De 1992 a abril de 2010 a Divisão de Fauna realizou 39.746 atendimentos.

Ainda não há comprovação, mas a cidade parece estar se tornando um ambiente menos hostil para os silvestres. “Algumas ações como colocar bebedouros para beija-flores, ou comedouros para aves, podem promover a aproximação. Já a redução da área de mata, força os animais, como os macacos prego, a procurar alimentos nas proximidades de habitações humanas”, esclarece Vincent.

- Dever de todos
Se por um lado temos muito que comemorar, como o primeiro registro do maior primata das Américas em São Paulo, o muriqui-do-sul ou monocarvoeiro (foto), não podemos esquecer que esta é uma das espécies mais ameaçadas de extinção. Atualmente esse triste ranking paulista contém 30 nomes e 22 correm o risco de dividir a mesma situação. (Para ver a lista completa, clique aqui).

Um dos maiores vilões do mundo silvestre é o tráfico. O fato das pessoas serem presenteadas ou comprarem como pets é a principal trunfo desse mercado ilegal. Outro agravante é a forma branda com que a legislação ambiental enquadra o traficante, que dificilmente é preso.

“Só no estado de São Paulo, mais de 30 mil animais silvestres são apreendidos todos os anos. É como se todo mês houvesse a apreensão do número de animais do Zôo de SP. E isso porque só conseguimos resgatar uma pequena parte do que é realmente traficado”, lastima o biólogo do IBAMA.

O tráfico promove a retirada massiva de animais das matas, reduzindo e até extinguindo populações, além de promover extremos maus tratos durante o transporte e o cativeiro. Papagaios e araras estão ameaçadas de extinção no país devido ao comércio ilegal.

“Precisamos aprender a contemplar os animais em vida livre. Troque a gaiola por um binóculo. Se você quer ter um animal, opte por um cão ou um gato. Há inúmeros necessitando de adoção. Silvestres podem causar acidentes (bicadas, mordidas, arranhões, etc), ser potencial transmissor de doenças (zoonoses), e ser anti-educativo ao incentivar o tráfico”, ensina o biólogo Vincent.

Encontrei um animal silvestre, o que faço?
Antes de tomar qualquer atitude observe se o animal está ferido ou não. “Se ele estiver bem, deixe que siga seu curso. Às vezes eles estão procurando alimento ou abrigo, e apenas retirá-lo com cuidado de casa ou do quintal pode ser a melhor solução”, indica o analista ambiental do IBAMA.

Mas se ele estiver ferido ou debilitado, você deve entrar em ação. “Acione os órgãos ambientais (Polícia Ambiental, Ibama, Guarda Civil Ambiental, etc.), que o levarão para um centro de triagem ou reabilitação cadastrado. Nestes locais existem profissionais especializados para a recepção e cuidado de animais silvestres”, completa Vincent.

Fique atento no caso dos filhotes, lembre-se que os pais podem estar por perto. O ideal é deixar que eles cuidem da situação. Ao perceber que o animal está completamente sozinho, entre em contato com os órgãos competentes.

Ligue para ajudar os animais e para combater o tráfico:
IBAMA: 0800-618080
Policia Ambiental do Brasil: http://www.pmambientalbrasil.org.br
Polícia Ambiental SP: 0800-113560
Divisão de Fauna SP: (11) 3885-6669

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