Como acabar com as mortes de cães e gatos no Brasil

30/12/2010 by arcabrasil | Filed under Cão e Gato, Especial Superpopulação e Abandono.

Dar fim à eliminação direta e indireta de cães e gatos é possível, mas não por receita mágica ou decreto lei. Conheça o caminho e exija atitudes governamentais

da redação do Notícias da ARCA


Desde que a lei 12.916/08 tirou a responsabilidade direta do homem sobre a eutanásia de cães e gatos e proibiu o procedimento em São Paulo – e depois em outros estados – teve inicio um grande desafio para estes brasileiros: transformar a ficção em realidade. Será isso possível?

Depois da comemoração inicial veio a dura realidade. Os animais deixavam de ser recolhidos pelos CCZs (Centros de Controle de Zoonoses) para morrer de fome, doenças, atropelamentos e outros acidentes ou ainda formas mais atrozes como linchamentos (um exemplo são os pitbulls pós-ataques), envenenamentos e crueldades gratuitas. E como agravante o previsível aumento no número de animais errantes.

É certo que todos os bichos merecem o céu de uma adoção generosa e responsável, mas em que proporção isso acontece? Ninguém sabe. O que se tem notícia são indivíduos, grupos e até CCZs, lidando com as conseqüências desse quadro tão grave e de soluções distantes. Reparem que não falamos de abrigos ou de ongs, pois esses há muito perderam a capacidade de abrigar animais em um cenário onde a demanda por uma vaga é muitas vezes superior a de um lar para acolhê-los.

Tudo o que foi dito acima se aplica a um centro urbano em nosso estágio sócio-cultural e em dimensões acima de sua capacidade de prover soluções de controle populacional e adoções, geralmente os que ultrapassam 50 ou 100 mil habitantes humanos.

Durante o ano de 2010 o especial “Superpopulação e abandono” do Notícias da ARCA colocou em discussão os aspectos ligados ao problema, sempre atento a máxima: nossos caminhos começam em nossas realidades.

Entre as possíveis soluções listadas está a execução de um plano de controle ético que envolva prevenção (castração de cães e gatos, machos e fêmeas; educação da população; participação cidadã da sociedade, o que inclui assumir sua cota de responsabilidade para o real controle da população por meio da identificação e registro desses animais; fiscalização e punição da venda ilegal de filhotes (na capital paulistana, eles devem ser vendidos castrados); e legislação, mas com leis aplicáveis para a efetiva punição aos maus-tratos e ao abandono.

Para isso, o poder público deve agir com responsabilidade e planejamento, mobilizando recursos para se estruturar e, no caso de SP, descentralizando o CCZ e criando pelo menos três novas unidades, além do tão prometido centro de adoções. Sem falar na constante capacitação e treinamento de funcionários, melhor preparados para atender a população, grupos de protetores voluntários para realizar feiras de adoção e passear os animais, entre outras tarefas.

O olhar que vem de fora
Este ponto de vista foi endossado na palestra da norte-americana Kate Pullen, da ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty against Animals), durante a conferencia Medicina Veterinária do Coletivo, realizada em agosto pelo ITEC- Instituto Técnico de Educação e Controle Animal.

A especialista criticou o mero acúmulo de animais e, quando questionada sobre o atalho procurado pelos brasileiros, recomendou que legisladores e autoridades voltem para as mesas de planejamento e repensem suas estratégias, cumprindo as etapas necessárias.

Na terra do tio Sam, foi preciso três décadas de intensas campanhas e ações por parte do governo, fundações e ongs para se alcançar a situação de equilíbrio populacional, com mais de 70% da população de cães e gatos castrada, em alguns estados.

O evento do ITEC foi marcante ao reunir alguns dos maiores nomes da veterinária do país e do exterior – junto com administradores de centros de zoonoses e diretores de abrigos – para refletirem em torno do tema.

Você em ação
No Brasil, as organizações não-governamentais não têm poder de autoridade como ocorre em outros países. Por isso, fiscalizar e punir, são tarefas do poder público. Nosso papel como cidadãos, é cobrar os governantes para que exerçam as funções para as quais foram eleitos.

Em países como a Argentina, a população não aceitou desmandos do seu governo e bateu panelas nas ruas em protesto (os panelaços). Com isso, conseguiu salvar economicamente seu país e provar que é possível para o povo alterar os caminhos da política além das urnas.

Em terras brasileiras, a insistência, a organização das informações e o envolvimento do maior número possível de pessoas têm se mostrado as armas mais eficientes para fazer as coisas funcionarem no campo político. Aparentemente, as autoridades encaram suas ações como investimentos e agem quando percebem que podem aumentar o número de votos na próxima eleição.

Apenas a ação conjunta de todos aqueles sensíveis, poderá dar conta de encontrar caminhos nesta questão tão complexa que desafia a maior parte dos governos do globo.

Por isso o comentado e elogiado “Especial: Superpopulação e abandono” volta em 2011 cobrindo novos e delicados temas, como os “collectors”, pessoas que recolhem dezenas e até centenas de animais, mas não conseguem ou não querem doá-los, comprometendo sua qualidade de vida.

Leia mais:

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Abrigos: solução ou parte do problema?

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16 Responses to “Como acabar com as mortes de cães e gatos no Brasil”

  1. marcia disse:

    eu com a ajuda de uma Ong,consegui castrar e retirar das ruas de nossa cidade pelo menos 10 cachorros,além dos 3 que ficaram comigo, todos castrados,vacinados e bem cuidados.Moro no litoral do Paraná,onde infelizmente os veranistas vem abandonar seus cães.
    todos os dias saio pelas ruas próximas alimentando ,dando água,(aliás carrego sempre comigo ,água e ração) ,pois é um absurdo o nº de animais nas ruas.
    é muita irresponsabilidade,abrem as portas do carro, e jogam os bichinhos nas ruas. Dizem p/chamar a polícia,só rindo,pois a polícia não aparece nem quando um humano precisa.Ainda vendem o tal chumbinho, e por maldade envenenaram meus 4 gatos.

  2. Cristina de Lima disse:

    A castracao deve abrange todo brasil e principalmente as peliferias .

  3. Ely Reguna de Oliveira Guedes disse:

    Demorou….. Como podemos nos tornar um PAÍS mais desenvolvido , se ainda deparamos com problemas gritantes como o da super população de cães e gatos , entregue a todos os tipos de maus tratos, doenças , etc. Que sejam elaboradas leis e que cada municípios se organizem para fazer todo um trabalho de castração e conscientização da população para a adoção responsável.

  4. Eleonora Abreu da Silva disse:

    Vamos estar aqui na torcida e que Deus ilumine a mente dos nossos parlamentares para votarem acertadamente. Chega de tanto sofrimento para os nossos bichinhos.

  5. Dilma Rodrigues disse:

    Chega de descaso com os animais!
    Prevenção, participação cidadã e legislação já!

  6. AMO ANIMAIS EM ESPECIAL OS CACHORROS, QUASE MORRO QUANDO VEJO UM CACHORRO ABANDONADO, ENTÃO COMO NÃO MORO SOZINHA E NÃO POSSO PEGAR TODOS OS CACHORROS QUE VEJO ABANDONADO EU APOIO TODA AÇÃO QUE FOR PARA O BEM DELES.

  7. Regina Lapenda disse:

    È a maior prova de preocupação e cuidado com os animais!Castração é um ato de AMOR!

  8. Maria Luiza disse:

    Animais nas ruas é dever da Saúde pública se preocupar em buscar planos, estrategias de combate sim. Não é saudável conviver com cães famintos, triste, doentes nas ruas. É degradante para o ser humano, ESTIMULA A INDIFERENÇA, A VIOLÊNCIA. A responsabilidade é da SAÚDE PÚBLICA SIM. Não adianta atacar a violência quando já está instalada!! Crianças que convivem com animais mal tratados se acostumam a vivenciar maltratos a animais e numa escala progressiva O MALTRATO SE ALASTRA A CRIANÇAS, IDOSOS, MENDIGOS… Basta de indiferença!

  9. Maria Angelica M. Silveira disse:

    Finalmente o governo vai enxergar uma questão que envolve tanto o bem estar animal como a saúde pública, questão urgentíssima. A sociedade vem se mobilizando como pode, por isto não critico os acumuladores de animais, que são pessoas que sofrem por vê-los errantes e doentes. Entretanto, o governo que gasta com propaganda e investe tanto em eventos como copa do mundo, olimpíadas e outros, o que irá fazer quando chegarem turistas e verem um ícone de miséria que são os animais abandonados e mal tratados pelas ruas? Dentro do poder executivo existem ministérios que podem cuidar desta questão ou por terem profissionais da área veterinária, como é o caso do Ministério da Agricultura ou por terem profissionais capacitados para criar estratégias para melhorar a urbanidade como o Ministério das Cidades. Basta querer e não virar as costas para a crueldade.

  10. Carlos Santana disse:

    É preciso e urgente que se crie um órgão fiscalizador para punir e aplicar multas para quem abandono e maltrata os animais, colocar o número do telefone em lugares públicos.

  11. MARCO EGLER disse:

    A meu ver a forma correta de se abordar este problema, deveria passar por quatro estratégias básicas governamentais: 1) Todo animal domestico encontrado abandonado deverá ser tratado, castrado e colocado para adoção responsável; 2) Todos os animais deverão ser cadastrados com um microchip constando suas informações básicas e a dos tutores; 3) Eliminação e/ou rigoroso controle sobre os criadores e comercializadores de animais domésticos, sendo corresponsáveis pela tutela e cuidado do animal; 4) Aumento da penalidade sobre os maus tratos e abandono dos animais.

  12. altair alves machado disse:

    Queremos uma política pública que melhore a condição de vida dos animais.

  13. DIRLANE MENEGATTI disse:

    É PRECISO OLHAR TAMBEM PARA OS BAIRROS MAIS POBRES POIS SO SE VE FALAR DOS CENTROS ESQUECENDO DOS BAIRROS ,QUERO UMA VIDA MELHOR PARA TODOS OS ANIMAIS E EXIJO ISSO DOS GOVERNOS POR QUE EM ÉPOCA DE ELEIÇOES ESTRÃO BATENDO EM MINHA PORT PEDIND VOTO E FAZENDO FALSAS PROMESAS .

  14. aldaize benvinda pereira disse:

    Sou veementemente contra crueldade com os animais

  15. Sou veementemente contra crueldade com os animais.

  16. Maria Inês disse:

    URGENTE, urgentíssimo a castração!Única solução para o abandono de animais!

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