Safári de onças no pantanal (parte II)

30/08/2011 by arcabrasil | Filed under Ações ARCA, Justiça e Legislação, Maus tratos, Vida Silvestre.

Delegado persiste e os envolvidos no caso que chocou o país podem ser indiciados nos próximos 30 dias.

Por Bruno Schuveizer

A ARCA Brasil acompanha o caso que chocou o país no mês de maio, e, passados dois meses da descoberta de que estrangeiros pagavam até R$ 60 mil para caçar onças no pantanal, os principais suspeitos de organizarem todo o esquema podem ser indiciados nos próximos 30 dias.

Beatrice Rondon – sobrinha-neta do célebre expedicionário em cuja memória foi batizado o estado de Rondônia— e Antonio Teodoro de Melo Neto, o Tonho da Onça seguem como os maiores implicados.

No dia 10 de julho, o delegado da Policia Federal de Corumbá (MS) Alexandre do Nascimento, responsável pelas investigações, entrou com um pedido na Justiça de Campo Grande para prisão preventiva de Beatrice Rondon, Tonho da onça e de um piloto de avião. A solicitação foi negada, entendendo a Justiça não haver razões suficientes para a prisão, contudo um pedido de buscas nas fazendas da região foi concedido.

Diligências com o objetivo de encontrar provas nem sempre são bem sucedidas, mas no dia 29 de julho duas espingardas foram encontradas sem registro na fazenda de Beatrice, em Aquidauana (MS), o que motivou sua prisão em flagrante por posse ilegal de armas.  Graças aos famigerados ‘dispositivos legais’, a fazendeira foi solta no mesmo dia, após pagar fiança de RS 27, 2 mil. O laudo da perícia comprovou que as armas utilizadas pelos estrangeiros no vídeo do safári – peça fundamental do processo – eram de Beatrice.

O Pantanal fica alagado boa parte do ano, o período de cheia na região normalmente vai de março a julho. Isso faz com que a área seca diminua, favorecendo a proximidade do gado com predadores como a onça, protegidas por leis federais e legítimas habitantes da região. Na intenção de destruir evidências, caçadores costumam queimar os felinos abatidos e enterrar seus corpos, quando não empalham e exibem os animais como troféu.

Os elementos reunidos até aqui comprovam que a caça no Centro-Oeste brasileiro é uma atividade mais organizada do que se suspeitava.

O processo
O inquérito aberto em maio deste ano para investigar os envolvidos, com previsão inicial de 30 dias para conclusão, foi enviado para a justiça de Campo Grande. Após tramitação e prorrogação do prazo inicial, retornou para a delegacia de Corumbá dia 8 deste mês. Segundo estima o Delegado Alexandre, os envolvidos devem ser indiciados até meados de setembro.

A expectativa de punição é geral, embora a pena para esse tipo de crime não chegue perto do desejado: varia de seis meses a um ano de prisão e multa, podendo chegar a um ano e seis meses, por se tratar de animal em risco de extinção. Um verdadeiro “tapinha nas costas” perto do crime cometido.

Embora conte com apenas dois servidores para cobrir todo o pantanal mato-grossense – uma das áreas de fauna mais rica do planeta –, o IBAMA continua contribuindo com as investigações.

O delegado Alexandre, que dá continuidade aos interrogatórios, reforça a importância da prisão dos envolvidos. “A prisão ajudará a coibir esse crime”, revela. Os peões das fazendas também serão ouvidos, pois, de acordo com o delegado, eram partícipes das caçadas.

ARCA Brasil continuará a acompanhar de perto todo o processo e informará seus colaboradores sobre esse triste e vergonhoso caso.

Continuem a enviar mensagens aos órgãos envolvidos!
A sua colaboração é essencial para que o esquema seja desativado e os envolvidos sejam punidos! Se ainda não enviou, envie agora sua mensagem cobrando resultados para:

- Superintendente do IBAMA em Mato Grosso do Sul: imprensaibamams@gmail.com

- Superintendente Regional da Policia Federal de Mato Grosso do Sul:agencia.anpf@dpf.gov.br

- Procurador-chefe da procuradoria da república em Mato Grosso do Sul: ascom@prms.mpf.gov.br

(cópia para comunicacao@arcabrasil.org.br)
Se preferir utilize o modelo abaixo:

Senhores,

Na qualidade de cidadão brasileiro, cumprimento esse órgão pela atuação no combate à caça ilegal no Pantanal, especialmente no que tange às operações Jaguar I e II.

Solicito todo o empenho para que as ações iniciadas sejam levadas a cabo, até que a caça ilegal seja definitivamente banida do Pantanal e do Brasil e todos os infratores punidos exemplarmente.

At,

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