A mais grave zoonose do País

27/10/2014 by arcabrasil | Filed under Ações ARCA.

Em mais uma matéria sobre seus 21 anos de luta pelos animais, a ARCA Brasil lança luzes sobre a Leishmaniose – tema que está na pauta da entidade há mais de uma década!

É possível que você nunca tenha ouvido falar em Leishmaniose Visceral Canina (LV). No entanto, a doença é bem conhecida no Noroeste paulista, Centro-Oeste, Norte, Nordeste e estados do Sudeste do País. Em Minas Gerais, está presente inclusive na Capital, Belo Horizonte.

E, se a ineficiência no combate à doença permanecer nos patamares atuais, é provável que a LVC avance cada vez mais e tome conta, inclusive, da cena paulistana. Especialistas alertam que os focos de contaminação progridem velozmente e é “questão de tempo” para que o mal se dissemine pela zona urbana da maior metrópole do país.

Pessimismo? Terrorismo? Absolutamente, não! Apenas uma constatação realista de que a doença avançará sem tréguas enquanto não houver uma mudança profunda e radical na forma como as autoridades em Saúde Pública no Brasil lidam com o problema.

Para quem ainda não a conhece, a LVC é uma doença causada pelo protozoário leishmania. Seu vetor, isto é, o bicho que a transmite, é um inseto conhecido popularmente pelos nomes de Birigui, Cangalhinha e Mosquito-Palha. Ela pode ser letal e afeta animais (cães) e seres humanos.

Mosquito – o verdadeiro vilão – transmite a doença por meio da picada

Quando o mosquito contaminado pica o cão, transmite para ele o leishmania. O cachorro passa então a “hospedar” o protozoário. Se outro mosquito picar esse cão e, em seguida, picar uma pessoa, poderá infectá-la.

Como se vê, o problema é o mosquito. Ele é que deve ser combatido. Ele é que está se disseminando cada vez mais em virtude do desequilíbrio ambiental (o inseto que “vive” na mata acaba avançando para as cidades na medida em que estas vão literalmente tomando conta de novos territórios) e do saneamento insuficiente. Observe bem: as cidades onde a leishmaniose ocorre com maior intensidade são justamente aquelas que sofreram com a devastação para dar lugar às atividades pecuária e sucroalcooleira, por exemplo. Há um estudo que mostra o avanço da doença ao longo dos desmatamentos e migrações decorrentes da implantação do gasoduto Bolívia-Brasil.

Porém, a Saúde Pública brasileira permanece atrelada a concepções ultrapassadas. E, neste sentido, sempre teve como alvo o combate aos… cães! Por estes serem potenciais “reservatórios” do leishmania, adota-se, desde 1963, o método cruel e ultrapassado de eliminar os cães suspeitos de contaminação.

É para acabar com essa política ineficaz e injusta, que faz vítimas insuficientemente contabilizadas – talvez na casa dos milhares ao ano! – que a ARCA Brasil tem colocado a leishmaniose em debate há mais de uma década. Já em 1998, a doença foi abordada em foros de debate organizados pela ONG, em seminários e congressos. Em 2005, o Notícias da ARCA fez uma matéria completa sobre o tema – e seu conteúdo ainda permanece atual. Também foi a única entidade de proteção animal convidada para um encontro de especialistas promovido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em 2009. Na ocasião, o presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi, declarou: “Um dos principais avanços conquistados nesse encontro, e para o qual a participação da ARCA foi relevante, é a menção no documento final de se oferecer tratamento ao animal infectado, em ocasiões especiais e sempre com a supervisão do médico veterinário.”

Como se verá na linha do tempo a seguir, a ARCA Brasil não se afastou em nenhum momento dos debates para soluções técnicas e humanitárias para o problema da Leishmaniose. Este trabalho culminou com o lançamento em 2012 da Campanha Prevenção É a Única Solução, sob o mote “O Cão Não é o Vilão”.

A ARCA Brasil vem buscando o apoio da sociedade para não deixar essa campanha perder o fôlego – e que mais cães venham a morrer por causa da Leishmaniose.

Apesar dos obstáculos, vitórias têm sido conquistadas. Hoje, a ARCA Brasil colabora regularmente com a Revista Nosso Clínico, de circulação nacional, uma das principais publicações focadas na classe veterinária – dispondo o tema em página dupla com os profissionais de saúde animal.

Em torno desse movimento organizado pela ARCA, há uma significativa mobilização na sociedade, que une especialistas, pesquisadores e expoentes da classe médico-veterinária, que pedem a revisão imediata do modelo atual e defendem o direito do cão ao tratamento – e, claro, o respeito às famílias que não toleram a ideia de encaminharem seus melhores amigos para a morte simplesmente porque as autoridades não são capazes de oferecer uma resposta apropriada ao problema.

Outros artistas que vestiram a camiseta da Campanha

Uma matança de cães está acontecendo neste momento! E você vai ficar aí parado? Para ajudar: 1. é rápido, 2. é online e 3. dá resultado. Clique já no link https://www.kickante.com.br/arcabrasil , não deixe para depois! A situação destes animais pede urgência e ação.

LINHA DO TEMPO – Confira a intensa mobilização da ARCA Brasil neste tema:

1997/1998/2000 – Congressos Brasileiros de Bem Estar Animal

2001 – Simpósio Internacional “Controle de zoonoses e as interações homem-animal” – OPAS/ARCA Brasil.

2005 – 2º. Seminário Veterinário Solidário: Responsabilidade Social & Bem-Estar Animal, com a palestra “Leishmaniose: aspectos éticos e legais do atendimento clínico”.

2005 – Única entidade de proteção animal convidada no encontro com a Organização Pan-Americana de Saúde

2007 – Ciclo de Atualização ARCA Brasil para veterinários

2008 – 3º Seminário ARCA Brasil aborda a questão da Leishmaniose

2009 – ARCA Brasil coordena a grade de Bem-Estar Animal no maior evento mundial de veterinária – WSVA 2009 – Desafio de combate à Leishmaniose é um dos temas debatidos.

2012 – Lançada a Campanha “Prevenção é a única solução”

2012: Ciclos de atualização da Campanha para veterinários

2013 – No 4º Seminário ARCA Brasil, a Leishmaniose é destaque na programação

2013:  Participação de debate no WorldLeish 5, o maior evento sobre a doença do mundo


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