Mais uma vez, golfinhos estão sendo mortos ou aprisionados no Japão. Por quê?

24/10/2014 by arcabrasil | Filed under Maus tratos, No entretenimento, Vida Marinha.

Todos os anos, a partir de setembro, as águas da Ilha Taiji se tingem de vermelho. Milhares de cetáceos são mortos sob a justificativa de “pesca científica” – e dezenas de filhotes são aprisionados para servirem de “atração” em parques como o Seaworld.

A história da ARCA Brasil se confunde com a defesa dos golfinhos. Afinal, o embrião da ONG foi justamente a libertação de Flipper, em 1993.

Fiel à sua origem e atenta aos fatos que dizem respeito ao bem-estar animal em âmbito mundial, a entidade acompanha com atenção as movimentações em torno da captura e da morte de milhares de cetáceos que, todos os anos, o Japão e outros poucos países – não signatários do acordo mundial de preservação dos mamíferos marinhos – continuam a praticar. E, principalmente, a ARCA Brasil empenha-se em difundir e fortalecer as iniciativas que buscam acabar com essa cruel exploração.

Japão, Islândia, Noruega, Ilhas Faroe, Groenlândia e alguns países-ilhas do Pacífico e do Caribe ainda caçam golfinhos. O Brasil não faz parte dessa lista, e pode se orgulhar de não ter nenhum golfinho aprisionado. Isso coloca nosso país à frente de Estados Unidos, México, China e Espanha, dentre outros que ainda mantêm cetáceos em cativeiro.

Muito criticado, o Japão é o país que mais mata golfinhos no mundo. Sua justificativa para a barbárie é que se trata de um hábito cultural, de uma tradição – inclusive, a população japonesa consome carne de cetáceos.

A caça aos golfinhos em Taiji, no Japão
O ritual sangrento dura de setembro a março. A “largada” ocorre no chamado “Dia do Golfinho”, e o saldo do semestre de caçada é de aproximadamente 20 mil golfinhos —destes, cerca de dois mil, ou 10%, são mortos na baía de Taiji.

Os pescadores empregam um sistema de som que atrapalha a noção espacial dos golfinhos, fazendo com que estes nadem em direção à praia. Como os grupos familiares se deslocam juntos,  matança é multiplicada. Os mais novos e bonitos são “selecionados” e separados da família – que é morta em seguida.

Os golfinhos mortos são levados para corte e venda. Os “selecionados”, para uma prisão.

A indústria do entretenimento
Os golfinhos selecionados são transportados até os locais de treinamento, onde aprendem truques, passam a ser alimentados com peixes mortos (na natureza, eles capturam seu próprio alimento) e aguardam até serem adquiridos por parques temáticos e similares. Um dos principais é o Seaworld (Orlando, Flórida, EUA), que recebe milhares de visitantes por final de semana – a plateia se diverte com as acrobacias dos animais e sequer reflete sobre a trajetória que os levou até ali.

Os animais mantidos em cativeiro podem até receber alimentação farta e cuidados veterinários, mas isso não basta. Cetáceos explorados dessa forma sofrem sequelas comportamentais e físicas – como ocorria com Flipper –, seus músculos se atrofiam devido ao pequeno espaço e à pouca movimentação. Pesquisas mostram que Orcas têm sua expectativa de vida reduzida e que golfinhos mantidos em cativeiro sofrem de elevadas taxas de mortalidade, conforme estudo realizado na Jamaica.

Cruel e nocivo à saude
Os mares estão contaminados por metais pesados. Naturalmente, os animais que habitam esse ambiente absorvem essas toxinas. O processo é acumulativo: quanto mais tempo viver um animal, e quanto maior for seu peso corporal, mais materiais pesados ele irá portar. No caso dos golfinhos, a contaminação é muito significativa, pois eles se alimentam de outros peixes, também já contaminados. O consumo da carne destes animais, portanto, pode ser fonte de toxicidade para  os humanos, como atestam estudos.

Ric’o Barry ativista pelos golfinhos exibe carne de golfinho a venda no Japão

Atuação das ONGs
Em 2014, 95 cidades de 39 países de todo o mundo realizaram protestos contra a caça e a matança indiscriminada. ONGs como a Earth Island Institute e a Sea Shepherd dedicam-se especialmente à defesa da vida marinha, e são bastante atuantes nestes períodos de caça – sempre com o intuito de coibir a prática e atrair a atenção mundial para o tema. Com a ajuda de voluntários, eles acompanham e relatam as ações de captura e aprisionamento, assim como a matança e transporte de corpos. Além disso, procuram por todos os meios monitorar e registrar o que ocorre na sinistra baía.

O projeto “Save Japan Dolphins”, dirigido por Ric O’Barry, da Earth Island Institute, tem sido fundamental para conscientizar a população de diversos países acerca deste problema. Produzido por Ric, o documentário “The Cove”, ganhador do Oscar em 2010, descreve em detalhes as crueldades com os golfinhos nesse local do Japão.

O que você pode fazer
A Save Japan Dolphins criou uma petição voltada para os maiores líderes mundial a fim de pressionar internacionalmente o Japão para acabar com a crueldade contra golfinhos. Para assiná-la, CLIQUE AQUI.

Mas não basta protestar. É preciso ter coerência. Assim, todos que rejeitam essas práticas devem abrir mão da visita aos locais que exploram os animais. Não frequente parques marinhos! Só assim a indústria da captura e exploração dos cetáceos deixará de ser rentável, e quem sabe, um dia seja extinta. Os animais agradecem.


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