Pioneirismo na conscientização para a guarda responsável

19/11/2014 by arcabrasil | Filed under Controle populacional de cães e gatos, Cão e Gato.

Com ações bem coordenadas, a ARCA Brasil tem contribuído para transformações estruturais que estão mudando a forma como o brasileiro lida com seus pets

A devolução do Golfinho Flipper ao seu habitat natural marcou a formação do grupo que, pouco depois, daria vida à ARCA Brasil. Porém, quando se fala na trajetória da entidade, que neste ano celebra 21 anos de existência,  uma das lembranças mais frequentes é o papel multiplicador do primeiro Programa de Controle Populacional (Castração) de cães e gatos, realizado pela ONG no Município de Taboão da Serra (SP), na década de 90.

Taboão da Serra, SP (1996): Família responsável com o gato castrado, vacinado e identificado. A imagem encerra tudo o que a ARCA Brasil buscou em seu trabalho pioneiro: o pet saudável, as pessoas satisfeitas e a interação harmônica entre homem-animal

Foi essa realização, pioneira e inovadora, que definitivamente colocou nas pautas do Poder Púbico e do movimento de proteção animal a importância da conscientização para a guarda responsável, com ênfase nos compromissos assumidos pela pessoa que decide conviver com um animal de estimação.

E, por falar em compromissos, estes estão muito bem sintetizados nos 10 Mandamentos da Guarda Responsável de Cães e Gatos, elaborados e divulgados pela entidade, cujas premissas incluem: manter o animal sempre domiciliado, jamais solto na rua; discutir a decisão de adotar com toda a família, alinhando expectativas e levando em conta as eventuais objeções; cuidar da saúde física do animal, fornecendo-lhe alimentação adequada, acesso ao médico veterinário, boas condições de higiene e abrigo adequado à espécie; zelar pelo bem-estar psicológico e emocional dos bichos; evitar as ninhadas indesejadas, por meio da castração.

Horizontes amplos

A campanha empreendida em Taboão nunca foi uma finalidade em si. Ela integrou, como diversas outras ações da ARCA Brasil, uma agenda muito mais ampla, voltada à Guarda Responsável de Animais (e você sabia que “guarda” é um termo relativamente novo? Ele traduz a ideia de que animais não são objetos. Mas, quando a ARCA estava lançando as sementes conceituais que hoje alimentam tantos trabalhos, ainda se dizia “posse”, como se pode constatar na leitura dos conteúdos mais antigos da entidade).

Seja guarda ou seja posse, uma coisa é certa: a única maneira de proporcionar uma vida melhor para os animais é tornar toda a sociedade mais preparada para assumir o compromisso pleno de que eles necessitam. Com este espírito, a ARCA Brasil implantou programas como o Veterinário Solidário – profissional-chave na disseminação dos conceitos de guarda responsável – e produziu grande quantidade de materiais educativos, além de empregar, com eficiência, os recursos de mídia eletrônica (site, redes sociais, newsletters).

Acessando os links propostos e navegando pelas antigas postagens do Notícias da ARCA, você encontrará um rico material sobre o tema.

1996: O “controle” à superpopulação de cães e gatos consistia basicamente em seu recolhimento e posterior eutanásia. Centenas de animais mortos eram eliminados diariamente na câmara de descompressão do CCZ de São Paulo. Alinhada ao que já havia de mais moderno no mundo em termos de política de bem-estar animal, a ARCA Brasil idealizou um programa que não foi acolhido de imediato na grande e complexa cidade de São Paulo. Marco Ciampi, fundador da entidade, optou então por “tomar a sopa quente pelas beiradas”, e aceitou o desafio proposto por Rita Garcia, médica veterinária que liderava o Centro de Controle de Zoonoses de Taboão da Serra, um dos 36 Municípios que formam a Grande São Paulo. À época com 120 mil habitantes e somente cinco clínicas veterinárias, Taboão foi palco de um experimento pioneiro que mudaria para sempre as políticas públicas de controle populacional de cães e gatos. A adesão de todos os clínicos veterinários da cidade garantiu o sucesso do programa, que resultou na castração de 30% da população animal daquela cidade.
1997,1998 e 2000: Congressos do Bem-Estar Animal. A ARCA Brasil sentiu necessidade de organizar os conhecimentos acumulados e de compartilha-los, além de colocar o trabalho que vinha sendo desenvolvido no País em uma perspectiva global – foi assim que surgiram os Congressos promovidos pela entidade. O conceito de bem-estar animal, até então restrito ao ambiente acadêmico e prioritariamente vinculado à criação de animais de produção, foi disseminado e ganhou aplicações mais amplas, em praticamente todas as áreas da relação homem-animal. O I Congresso do Bem-Estar Animal abordou assuntos como a esterilização precoce de cães e gatos, o tráfico de animais silvestres e até temas filosóficos, como a “alma dos animais” – debates pioneiros naquele momento. O II Congresso, realizado no mesmo ano em que surgiu a Lei de Crimes Ambientais (9605/98), foi palco do nascimento do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. E o III Congresso, em 2.000, propôs questionamento pioneiro contra a eutanásia de cães como método de controle à Leishmaniose. Merece destaque as presenças de representantes dos órgãos de saúde, legisladores e outras autoridades, que ali assumiam, quisessem ou não, o compromisso com a mudança.
2004: Elaboração dos 10 Mandamentos da guarda responsável: http://www.arcabrasil.org.br/10-mandamentos-posse-responsavel.php
2006: Lançamento do folder Amigo é Para Sempre, um dos mais completos materiais sobre guarda responsável já criados no País.
2007: Campanha Adotar é tudo de bom. Com o objetivo de incentivar a adoção responsável de cães, a ARCA Brasil e a PEDIGREE® lançaram o projeto, e dezenas de animais foram pré-selecionados e inscritos pelos Veterinários Solidários participantes. Cada adotante recebia um kit adoção, com orientações para uma relação sadia com seu novo amigo.
2011: Desenvolvimento do Teste do Proprietário Responsável (hoje chamado de “guardião responsável”): http://www.arcabrasil.org.br/blog/2011/09/bons-exemplos-valem-ouro/
2011: Responsabilidade e critérios consistente na adoção: estes itens são ressaltados pela ARCA Brasil em seus materiais de comunicação. ONG questiona as Feirinhas de doação sem critérios e o “modismo”, que pode contagiar pessoas bem intencionadas, mas ainda não aptas a ter um bichinho.”

http://www.arcabrasil.org.br/blog/2011/04/adocao-uma-onda-que-pode-se-tornar-tsunami/

2011 e 2012: ARCA Brasil retoma, com ênfase, debates sobre a importância da identificação animal. Nota de matéria publicada na época:

“A Secretaria da Saúde de São Paulo há tempos tem declarado que um registro nacional de cães e gatos é a melhor ferramenta para se conhecer, dimensionar e monitorar esses animais, especialmente no planejamento das políticas de saúde pública e controle de zoonoses. O instrumento também é útil para se conhecer e avaliar os proprietários, responsabilizando-os quando necessário, no caso de negligência, abandono ou, ainda, de danos a terceiros.­­ Matéria aponta benefícios, tais como: animal ter mais chances de retornar para casa no caso de perda ou acidentes; facilidade para comprovar vínculo no caso de roubo ou ações judiciais; diferenciação do pet perdido em relação aos bichos que se encontram em situação de abandono: http://www.arcabrasil.org.br/blog/2012/03/quem-ama-identifica/http://www.arcabrasil.org.br/blog/2011/11/vacina-contra-a-perda/

2014: Colaboração com o Governo do Estado de São Paulo na elaboração dos materiais educativos que serão usados no âmbito do Programa Escola da Família. Voltado aos  professores e educadores atuantes no Programa, os materiais elaborados pela ARCA Brasil focalizam a promoção da cultura do respeito e guarda responsável, bem como, da valorização do animal de companhia.

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