Vacina contra leishmaniose tem eficácia de 96%

26/11/2014 by arcabrasil | Filed under Ações ARCA, Colunas, Cão e Gato, Justiça e Legislação, Saúde animal.

Andréa Castro, gerente regional da linha Pequenos Animais da Hertape Calier Saúde Animal, defende que clínicos veterinários devem orientar todos os guardiães de cães a vacinarem seus pets


Desde 1973, o Brasil realiza campanhas anuais e gratuitas de vacinação antirrábica em todo o territó­rio nacional. Esse amplo programa preventivo pro­porcionou uma quase erradicação da doença – os últimos dois casos relatados datam de 2011.

O sucesso brasileiro na guerra contra a raiva é uma clara comprovação de que o melhor caminho para se obter bons resultados nas políticas públi­cas de saúde é a prevenção. Mas, no combate à Leishmaniose, as autoridades brasileiras se atêm ao extermínio de cães soropositivos e à eutanásia massiva em zonas de risco. As práticas persistem apesar de importantes universidades e centros de pesquisa apontarem as vantagens dos métodos preventivos.

Hoje, uma das principais luzes percebidas no fim desse túnel vem da possibilidade de vaci­nar os cães a partir dos quatro meses de idade. No mercado desde 2007, a Leish-Tec® – Vacina Re­combinante contra Leishmaniose Visceral Canina, produzida pela Hertape Calier Saúde Animal – é a única opção ao alcance dos médicos veterinários (a concorrente Leishmune não está mais à venda). E, em alguns municípios do Sudeste e Nordeste do Brasil, já estão em análise propostas de campa­nhas de vacinação pública para os cães.

A seguir, a médica veterinária Andréa Cas­tro, gerente regional da linha Pequenos Animais da Hertape, relata as novidades e discute o papel dos médicos veterinários no combate à doença.

Andréa Castro Gerente Regional Oeste, Linha Pet, Laboratório Hertape Calier Saúde Animal

ARCA - Quais são as últimas atualizações, trabalhos etc. sobre a vacina Leishtec?

ANDRÉA – Por exigência dos Ministérios da Saúde e da Agri­cultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), foi con­duzida a fase 3 dos testes com Leish-Tec®. O ob­jetivo foi testar a eficácia da vacina por si, ou seja, sem outros métodos de controle a ela conjugados. Testamos 1500 animais, dos quais metade recebeu a vacina, e a outra, metade placebo. A conclusão do trabalho, conduzido por quase quatro anos e co­ordenado por profissionais da Fiocruz, da Universi­dade de Minas Gerais e da Universidade Federal de Ribeirão Preto constataram que a eficácia da Leish-Tec® é de 96,4%. Com isso, o Ministério da Saúde reconheceu a vacina.

ARCA – Então a vacina basta como prevenção?

ANDRÉA – Sim, mas sempre recomendamos o uso combinado a outros métodos preventivos. Não falo apenas de aplicar repelente no próprio animal, mas, sobretu­do, de cuidar do meio ambiente. O mosquito vetor prolifera em material orgânico degradado. Por isso, as pessoas devem atuar preventivamente, varren­do seus quintais para retirar folhagens e frutas que caem de árvores, por exemplo.

ARCA – Quem deve vacinar: todos que têm cães ou somente aquela clientela que reside em áreas de risco?

ANDRÉA – A Leish-Tec® é uma vacina preventiva, e convém lembrar que a doença está se espalhando por todo o território brasileiro. Portanto, como médica vete­rinária, minha recomendação é sempre no sentido preventivo, ou seja: todos os guardiães de cães de­vem ser orientados a vacinar seus animais.

ARCA – Há contraindicações ou consequências da interação da Leishtec com outras vacinas? Po­de-se aplicá-la junto com a polivalente? A partir de que idade?

ANDRÉA – Não há contraindicações. Qualquer cão, acima de quatro meses, saudável e negativo para a Leish­maniose pode ser vacinado. A Leish-Tec® pode ser ministrada junto com a polivalente, mas é melhor que seja feita sozinha. Porém, é fundamental que o médico veterinário solicite a sorologia antes da vacinação.

ARCA - Qual é a periodicidade da vacina?

ANDRÉA – No primeiro ano de imunização, o cão deve rece­ber três doses em intervalos de 21 dias. A partir do segundo ano, a dose passa a ser anual. Mas é importante observar que, diferentemente de outras vacinas, em que a anuidade é calculada a partir da data da última aplicação, no caso da Leish-Tec® o que conta é a primeira dose. Ou seja: o reforço será no aniversário de um ano da primeira aplicação de Leish-Tec® .

ARCA - E quem usava a Leishmune, que saiu do mer­cado, pode usar a Leish-Tec® normalmente?

ANDRÉA - As vacinas são diferentes, usam antígenos diferentes. Ao usar a Leish-Tec® , será necessário seguir o protocolo inicial de vacinação, ou seja, aplicar as três doses no primeiro ano e, depois, proceder aos reforços anuais. É muito importante ressaltar que elas não eram idênticas, como, por exemplo, são idênticas as polivalentes de diferentes laboratórios. A adoção da Leish-Tec® é o início de um novo ca­pítulo.

ARCA - Que argumentos os clínicos devem usar para mostrar aos guardiães de cães a importância dessa imunização, já que muitos deles sequer imaginam os riscos representados pela LVC?

ANDRÉA - A Leishmaniose Visceral Canina é uma doença crônica, com sintomas severos e que pode levar o animal à morte. Além disso, é uma zoonose, ou seja: pode afetar os seres humanos. Ao imunizar seu cão, o guardião contribui para proteger a saúde de animais e também de pessoas.

ARCA – Em sua opinião, qual é o papel do médico ve­terinário e das clínicas particulares no controle e combate à LVC?

ANDRÉA - Em primeiro lugar: informar! O clínico não pode dei­xar que o guardião do animal ignore a existência da vacina. Mesmo em áreas não endêmicas, pode serque aquele animal viaje com seu guardião e aca­be exposto ao risco de contaminação. Além disso, como eu disse anteriormente, a Leishmaniose está se espalhando e é imperativo prevenir.

ARCA - Como está a aceitação da vacina pelos clí­nicos? Alguma região do país se destaca na aceitação do produto?

ANDRÉA - Nas regiões endêmicas, principalmente no Nordes­te, na região Oeste do Estado de São Paulo, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, a vacina está encontrando ampla aceitação dos clínicos veteriná­rios. E em algumas regiões não endêmicas, como Campinas e Ribeirão Preto, também está haven­do aumento pela procura. Creditamos isso a uma maior conscientização dos clínicos e dos próprios guardiães de animais.


Tags: ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*