Dormindo com o inimigo

11/02/2015 by arcabrasil | Filed under Animal Advocacy, Cão e Gato, Justiça e Legislação, Maus tratos.

Mais um caso envolvendo cenas explícitas de crueldade choca o Brasil, e a sociedade clama por justiça.

Um novo episódio de agressão contra animais ganha repercussão nacional. Desta vez, o protagonista das cenas bárbaras foi Rafael Hermida Fonseca, comerciante de 34 anos. Ele foi filmado enquanto cometia as agressões por uma câmera escondida, “plantada” por sua noiva, a produtora Nina Mandin, de 26 anos.

Nina estava intrigada com as lesões que vinham aparecendo em Victoria e Gucci, suas duas cachorras da raça buldogue francês. Aconselhada pelo médico veterinário, instalou a câmera escondida. As imagens não deixam dúvidas: nelas, Rafael aparece dando cabeçadas em um dos animais, depois segura-o por uma pata, “diverte-se” ao observar seu sofrimento e solta-o repentinamente, para que bata com a cabeça no chão.

Moradora da Barra da Tijuca, área nobre do Rio de Janeiro, Nina Mandin registrou a ocorrência na 16ª DP. Foi aberto um inquérito. Rafael deveria ter comparecido à delegacia na terça-feira, 10 de fevereiro, para prestar esclarecimentos, mas não o fez e já declarou que só responderá em juízo.

Como vem se tornando comum nestes casos, é provável que a “punição social” – isto é, a rejeição, o afastamento dos amigos e parentes, o prejuízo na carreira profissional etc. – seja o preço mais alto que recairá sobre Rafael. Afinal, a legislação é branda e os juízes normalmente fixam uma pena alternativa em vez de determinarem a prisão dos culpados por crueldade contra animais.

Vale ressaltar que a chamada punição social já começou, com mobilizações nas redes sociais, organização de protestos e prejuízos materiais — os sócios de Rafael no Bar Buddy’s divulgaram uma nota na qual repudiam as ações do parceiro de negócios e informam que irão afastá-lo do empreendimento. A mãe do acusado desabafou nas redes sociais, dizendo que sua vida “acabou”, e divulgou fotos dos seis cães da família.

Em entrevistas, Nina, que se casaria em Junho, tem afirmado que o amor que sentia pelo companheiro desapareceu assim que ela viu as imagens. E, nas áreas de comentários dos sites de notícias e das redes sociais, muita gente constata a “sorte” da moça, que pôde descobrir, antes da troca de alianças, o caráter violento do homem que tinha a seu lado.

Em tempo: a salvo de seu algoz, Gucci e Victoria passam bem.

Crueldade e punição

Por que existem pessoas violentas, capazes de cometer atos de crueldade sem sentir qualquer remorso? Essa pergunta intriga a humanidade. Em 2008, pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos revisaram uma série de estudos baseados na análise de exames de ressonância magnética realizados em criminosos e concluíram que disfunções em duas áreas cerebrais que respondem pelas decisões morais podem estimular esse tipo de comportamento.

Ou seja, talvez exista uma causa fisiológica para que determinados indivíduos cometam atrocidades e não se importem com o sofrimento alheio.

Porém, mesmo nestes casos, a pessoa tem seu instinto de autopreservação presente, intacto. Ela pode não dar a mínima para os outros, mas importa-se consigo mesma. Ou seja: é fundamental PUNIR a crueldade. O risco de ir para a cadeia, de perder o acesso a prazeres e de ter sua liberdade coagida talvez seja um dos poucos freios possíveis para homens e mulheres que não se inibem diante da dor e parecem se divertir com o sofrimento de suas vítimas.

A ARCA Brasil clama por Justiça.

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