As lições de Juma

01/07/2016 by arcabrasil | Filed under Dicas/ Lazer.

Defender os animais é assunto sério, que exige bom senso e ponderação.

No Brasil e no exterior, houve enorme repercussão da tragédia de 20 de junho, quando a onça resgatada órfã e transformada em mascote de uma unidade do exército foi sacrificada, logo após um evento oficial da Rio 2016, que organiza as Olimpíadas deste ano.

A ARCA Brasil propõe uma nova reflexão sobre o triste episódio em Manaus, e o que pode ser feito de agora em diante.

Uma oportunidade para repensarmos o futuro.

O Brasil vive um clima de acirramento sem precedentes. A sociedade amarga as consequências da corrupção sistêmica e dos muitos equívocos políticos e econômicos, que nos enche de indignação e perplexidade. Nesse cenário, a morte de Juma – um animal tão lindo, um símbolo tão forte da nossa fauna – é um estopim para que o brasileiro se volte contra as Olimpíadas. O tiro em Juma foi um golpe fatal às nossas aspirações.

A sucessão de erros que resultou na morte de Juma merece ser investigada a fundo, e os responsáveis, punidos. Mas é fundamental não se deixar levar pela passionalidade: emoções exacerbadas embotam a razão e dificultam o diálogo.


Entenda o caso

Ginga, a onça, é um personagem que simboliza o Time Brasil, torcida oficial do Comitê Olímpico do Brasil (COB), entidade máxima do esporte que há mais de um século organiza a participação do nosso país em todos os jogos olímpicos. Nada tem a ver com a Rio 2016, organizadora das Olimpíadas e responsável pelo revezamento da Tocha Olímpica. As mascotes oficiais da Rio 2016 são Tom e Vinícius, que representam a Fauna e a Flora do Brasil.

Na imprensa, vimos a personagem Ginga, mascote do Time Brasil, criada há mais de um ano pelo COB, ser associada a Juma, ambientalistas convidados a carregar a Tocha Olímpica sofrem pressão para desistir do desafio. Convém boicotar o evento, ou é mais sensato e acertado darmos ainda mais destaque à fauna e a natureza?

Em 2015, a ARCA e o COB se aproximaram para potencializar os benefícios que podem resultar da existência de Ginga – em especial, a justa atenção à fauna silvestre do Brasil, historicamente prejudicada por ações criminosas, como a caça ilegal e o tráfico, negligenciada pelo Poder Público, que tolera o avanço da agropecuária sobre as florestas e empreende obras mal planejadas.

A morte de Juma chocou o mundo porque ela esteve sob os holofotes em seus poucos minutos de fama olímpica, mas o drama que marcou sua vida é experimentado por milhares de grandes felinos em nosso país.


Defensores da fauna: Um trabalho que vale ouro independente de Olimpíada

Enquanto o Poder Público e parte da sociedade permanecem cegos e surdos à violência sofrida por nossa fauna, há um pequeno exército de guerreiros que lutam para reverter a extinção, restituir vítimas da captura e do tráfico ao seu ambiente natural e dar alguma esperança de sobrevivência e valorização às nossas riquezas naturais.

São esses guerreiros que a ARCA Brasil identificou e indicou para que carregassem a Tocha Olímpica pelos animais. A sugestão de seus nomes foi feita e acatada há cerca de um ano pela Rio 2016, com o objetivo de colocar a questão animal em evidência.

Foram contemplados os representantes da onça pintada, da arara-azul e do mico-leão-dourado. O próprio presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi, portou a Tocha Olímpica em 18 de maio último, em Serra (ES), representando os animais domésticos.

São pessoas que acumulam décadas de dedicação aos animais. Décadas de sacrifício pessoal, de enfrentamento das realidades díspares de um país marcado pela desigualdade, de verdadeiros malabarismos para lidar com falta de recursos, burocracias, leis conflitantes, população desinformada, crueldades.

Não vamos desistir na reta de chegada.

O país tem um compromisso com o mundo: realizar os Jogos Olímpicos de 2016. É preciso respeitar os sonhos dos atletas, o trabalho de muita gente dedicada e competente, os investimentos de pequenos empreendedores que dependem do evento.

No que toca à fauna, ela precisa desesperadamente ser notada, percebida, enxergada pelo mundo. Deixemos os defensores da fauna colocar seus temas em evidência, e vamos, juntos, nos unir pelo fim da exploração dos animais e pela valorização da nossa natureza.

O momento vivido pelo Brasil é único, e é fundamental que isso nos faça melhor – como disse o poeta, “É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.” (Victor Hugo)


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