Muito mais que uma campanha.

21/03/2017 by arcabrasil | Filed under Dicas/ Lazer.

Com o mote “Quando a gente ama, é claro que a gente cuida” – inspirado em hit do compositor Peninha, que cedeu os direitos autorais da canção –, campanha do CRMV-SP materializa uma das principais bandeiras da ARCA Brasil: o papel indispensável do médico veterinário para transformar a realidade dos animais em nosso país.

Para a ARCA Brasil, a proteção e o bem-estar dos animais sempre estiveram atrelados à figura do médico veterinário. Mais do que atender pacientes não-humanos, esses profissionais dialogam com os tutores, ensinam a cuidar e educam a sociedade para um melhor convívio com as outras espécies.

A campanha “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida”, do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SP), pretende despertar consciências e sensibilizar a sociedade em relação aos animais conhecidos como “de companhia”, mas que ainda sofrem com a negligência e o abandono.

Para a ARCA Brasil, que há mais de duas décadas busca sinergia com os médicos veterinários, é encorajador ver esse tema colocado em pauta pela entidade profissional. Afinal, o conhecimento técnico é primordial para traçar políticas públicas e promover ações educativas e culturais capazes de transformar a realidade dos animais em nosso país.

Um pouco de história

O problema da superpopulação de animais e suas consequências para a saúde pública, tais como mordeduras e a transmissão de zoonoses, sempre receberam uma abordagem de cunho meramente sanitarista, por parte dos órgãos governamentais.

A política de captura e eliminação dos cães errantes teve início no século XIX, depois que Louis Pasteur descobriu que a raiva poderia ser transmitida por meio da saliva desses animais. Em nome da saúde pública, inúmeras crueldades foram cometidas: afogamento, eletrochoque e envenenamento constam entre os métodos empregados pelas primeiras “carrocinhas”.

Na década de 1970, chegou a alguns municípios brasileiros, inclusive na capital paulista, uma nova “tecnologia do extermínio”: as câmaras de descompressão.

Estas permitiam uma morte massiva, mais “limpa” e oculta aos olhos da população. Não existem dados precisos, mas em meados da década de 90 estimava-se em 300 mortes por dia o número de extermínios praticados pelo Centro de Controle de Zoonoses do Município de São Paulo.

Só que o momento pedia mudanças.  O Brasil redemocratizado dava início a um ciclo virtuoso de crescimento econômico e flertava com os usos e costumes do primeiro mundo.

Foi nesse cenário que a ARCA Brasil, de forma pioneira, trouxe capacitação inédita para os médicos veterinários brasileiros: congressos e seminários para ensinar a técnica do gancho, indicada para castrações em ampla escala; envolvimento, também inédito, da comunidade acadêmica, da sociedade civil e do Poder público, em busca de soluções humanitárias e éticas
Para se ter uma ideia , na década de 90, apenas quatro animais eram esterilizados em média por mês em São Paulo. Atualmente são centenas e até milhares de castrações por semana em clínicas capacitadas.

Do mutirão pioneiro em Taboão da Serra, realizado pela ARCA em 1996, nasceram as primeiras leis e políticas públicas focadas no combate ao abandono, na educação e na esterilização de fêmeas e machos.

Século 21, finalmente

Hoje, retrocessos e práticas cruéis são imediatamente combatidos por meio de protestos, petições e outras formas de mobilização, sobretudo nas redes sociais.

Mas há muito a ser feito. E o veterinário é aliado indispensável a essa mudança de cenário.

Somente com o apoio do médico veterinário e seu comprometimento com o bem público será possível banir os resquícios de práticas cruéis que ainda vigoram em um território de dimensões continentais como o nosso. Muitos permanecem atrelados ao passado e sequer cogitam, por exemplo, implantar programas de castração.

Reconhecimento aos veterinários engajados

O abandono de cães e gatos é um problema grave em qualquer parte do mundo. N Brasil, de acordo com o IBGE, há cerca de 52 milhões de cães — 10% deles em estado de abandono (sem um domicílio de referência).

Embora ilegais, o abandono e os atos de maus-tratos são recorrentes e poucas vezes resultam em punição efetiva para os acusados. Mais do que de leis modernas, o Brasil precisa de uma população educada e consciente de que os animais merecem respeito.

É por isso que a campanha do CRMV-SP merece todo apoio da sociedade. E é justamente como forma de enaltecer o trabalho desses profissionais engajados em causas sociais, que a ARCA Brasil criou, em 2004, o programa Veterinário Solidário.

Confira, nessa linha do tempo, nossa constante aliança com homens e mulheres – estas, cada vez mais presentes na profissão – que um dia decidiram viver em prol da saúde animal:

1997/1998/2000 – Congressos Brasileiros de Bem-Estar Animal.

1999 – Criação do “Veterinário Solidário”, um modelo de reconhecimento que enaltece o trabalho dos profissionais engajados em causas sociais.

2001 – Simpósio Internacional “Controle de zoonoses e as interações homem-animal” – OPAS/ARCA Brasil.

2005 – 2º. Seminário Veterinário Solidário: Responsabilidade Social & Bem-Estar Animal.

2005 – Participação no encontro com a Organização Pan-Americana de Saúde.

2007 – Ciclo de Atualização ARCA Brasil para veterinários.

2008 – 3º Seminário ARCA Brasil .

2009 – ARCA Brasil coordena a grade de Bem-Estar Animal no maior evento mundial de veterinária – WSVA 2009 – Desafio de combate à Leishmaniose é um dos temas debatidos.

2012 – Lançada a Campanha “Prevenção é a única solução”, focada principalmente nos médicos veterinários e no seu papel fundamental para a mudanças dos paradigmas relativos a essa doença.

2012: Ciclos de atualização da Campanha para veterinários.

2013 – Realização do 4º Seminário ARCA Brasil.

2013:  Participação de debate no WorldLeish 5, o maior evento sobre a LVC em todo o mundo.


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