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Entrevista com Professor Gilson Hélio Toniollo

 

Portal Bem-Estar Animal: Prof. Gilson, qual a importância que você vê na realização do Seminário da Arca Brasil e na importância dos veterinários de pequenos animais participarem desse evento?

Prof. Gilson:
O controle de população de cães e gatos é hoje uma realidade, mas não em todo o país, dada as dificuldades operacionais e financeiras para a sua realização. Antes de fazer outros comentários é importante destacar:

a) Cada veterinário tem uma visão sobre este procedimento, e não acho que alguém esteja certo ou errado em indicar ou não indicar a cirurgia de castração eletiva, ou seja, por escolha. A cadela tem alterações comportamentais por ocasião do cio, sendo a mais comum a pseudogestação. As cadelas que foram esterilizadas não entram no cio, portanto não têm este problema. A castração em fêmeas é muito mais benéfica para a saúde do que em machos, embora eles também possam e devam ser castrados.

A cirurgia feita antes do primeiro cio praticamente elimina a possibilidade de tumores de mama (os mais comuns em cadelas). Feita em qualquer idade, a cirurgia elimina a possibilidade de problemas uterinos (entre eles a piometra) e elimina a chance de problemas de parto ou gestação. As vezes traz aumento de peso, que pode ser controlado pelos donos por meio de uma dieta equilibrada e para isso existem hoje mecanismos bem adequados.

b) São tantos os casos de piometra, doenças do aparelho reprodutivo, assim como gravidez psicológica, gestações indesejadas, alguns problemas de parto, que hoje depois de muitos anos na clínica ambulatorial, sou francamente favorável a castração das cadelas e se for possível, precocemente, ou seja, antes do primeiro estro.

c) O risco da cirurgia normalmente está diretamente relacionado com a qualidade do procedimento cirúrgico, seja em termos de aparelhagem como do preparo do cirurgião. O risco é muito variável e depende de cada veterinário em dispor de maior ou menor apoio tecnológico. Quando a cirurgia é realizada de forma correta o risco cirúrgico ou pós-cirúrgico é mínimo.

De outra parte podemos dizer que o clínico de pequenos animais tem papel fundamental nessa questão. Ele tem a competência, mas deve saber exercê-la corretamente, ou seja, deve ser antes de tudo um excelente cirurgião. Além do mais, programas de controle de população animal têm agregado valor aos que dele participam.

Deve-se esclarecer também que os programas de controle de população devem ser bem coordenados, bem estruturados, ter local adequado para a sua implantação, pois do contrário podem ser observados alguns problemas como, por exemplo, deiscência de sutura, peritonite, choque e morte. Uma cadela hígida não pode ser submetida a uma laparotomia e morrer por falha técnica, aqui vale um ditado: "a qualidade do procedimento deve prevalecer sobre a quantidade de animais castrados".

A minha experiência com esse assunto é de certa forma grande, já que tenho trabalhado em dois convênios sobre controle de população de cães e gatos. Um em nossa instituição (Unesp-Jaboticabal) e outro em Araraquara, onde em ambos já castramos centenas de animais com poucos problemas operacionais, assim como para a vida dos animais.

Finalizando, é importante a realização desse seminário o que motivará uma acalorada discussão sobre o assunto dentro da classe mais interessada, que são os clínicos de pequenos animais.

Prof. Dr. Gilson Hélio Toniollo
Docente do Dept. de Med. Vet. Prev. e Reprodução Animal da Unesp de Jaboticabal

Fonte: Portal do Bem-Estar Animal


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