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A Festa do Peão de Barretos está aí. Para alimentar seus 50 anos completados em 2005, esforços dos mais variados foram exigidos, entre eles, a encomenda da novela América — uma tentativa de levantar o moral da prática. Na 50ª edição do evento, uma estrutura monstruosa foi cuidadosamente planejada. Artistas de peso, como Capital Inicial e Ivete Sangalo (não por acaso, a cantora da música de abertura da novela global, "Soy Loco Por Ti, América") foram contratados para dar força a Barretos.
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Quem pensava que rodeio era só para quem gosta de pôr um chapéu na cabeça, uma bota de cano longo e um reluzente cinto se enganou. Esse ano, até tenda de música techno será montada para a festa. Ao contrário do que afirmam os defensores da prática, o rodeio nunca foi uma tradição da cultura brasileira, caipira, de raíz, já que este é um costume importado dos EUA. Agora é muito menos. Afinal, "rock and roll" e "axé music" são estrangeiros até no nome.
Com tudo isso, surge uma dúvida relevante. Será que os frequentadores de eventos como Barretos e Jaguariúna, em SP, são atraídos pelo espetáculo do peão contra o animal nas arenas? Façamos o seguinte exercício de imaginação: um jovem vê, colado ao muro, o anúncio do rodeio de Barretos: "'50ª Festa do Peão de Barretos' - Para comemorar os 50 anos da maior festa de peão do Brasil, haverá uma grande arena, onde os melhores peões enfrentam os mais temidos touros, cavalos e bezerros. Não perca!"
Lido o texto, o jovem se questiona: "Cadê os shows de música? E as barracas com comidas típicas? Esse ano não vai ter música eletrônica? Não tem artistas? Então não vou".
O nosso jovem reflete uma realidade que talvez os organizadores das festas de rodeio não gostem de admitir. Quem vai a uma festa como Barretos quer ver Ivete Sangalo, quer beber cerveja e "comer até dizer chega", quer dançar ao som de música eletrônica. Enfim, quer se divertir numa grande festa. E a arena montada para os peões darem show ao público? Fica em segundo plano!
Conclusão: menos de 10% de freqüentadores destes eventos tem como motivador o próprio rodeio. Então, por que não sugerirmos uma alternativa? Já que o motor das grandes festividades está nos shows, artistas etc., que tal organizar um mega evento como o de Barretos em torno de um leilão de touros, por exemplo? Ou, em vez de usar animais de verdade, por que os peões não provam a sua coragem e destreza em cima de um touro mecânico? Acreditem, os lucros podem ser os mesmos. Para o bolso do empresário e para os animais.
* Comentário de Rodrigo Nakano, estagiário de comunicação da ARCA Brasil
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