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8 de julho de 2005
Sílvia Lakatos, jornalista colaboradora da ARCA Brasil
No mês de junho, o Notícias da Arca abordou
a questão da impunidade no Brasil – e, em especial, manifestamos
nosso temor de que os acusados de crueldade animal, como os assassinos
da cadela Preta,
saíssem livres ou recebessem punições leves demais.
Felizmente, nossas preocupações não se confirmaram:
embora os responsáveis pela morte de Preta tenham recebido
o benefício da transação penal, o que lhes permitiu
ficar fora da cadeia, o juiz encarregado do caso imputou-lhes uma
penalidade exemplar e educativa. Além de pagarem multa de R$
5 mil cada um, eles terão de prestar serviços no canil
público. Ponto para a Justiça, para os animais e para
a sociedade brasileira!
Antes disso, em Florianópolis (SC), o estudante Felipe Hugen
de Macedo, 22, recebeu punição semelhante por ter espancado
até a morte seu próprio cão, um filhote de rottweiler.
Além de pagar multa (R$ 1 mil), o acusado trabalhará
durante 4 meses no canil municipal.
São notícias alentadoras. Parece que a Lei 9.605, que
vigora desde 1998, está finalmente funcionando!
Mas ainda resta um enorme ponto de interrogação no que
se refere à solução dos casos de crueldade que
mais ganharam repercussão na mídia. A pergunta é:
o que vai acontecer com Duda Mendonça?
Ninguém tem dúvidas de que o publicitário predileto
do staff governamental é um entusiasta das rinhas de galo.
Ele já assumiu que esse tipo de crime é seu “hobby”,
foi preso em flagrante no Rio de Janeiro e recentemente seu nome reapareceu
vinculado às rinhas, num episódio ocorrido em Salvador
(BA) (veja box>>>). Mesmo assim, temos bons motivos para
recear que o marqueteiro receba um tratamento diferenciado em razão
de suas “boas relações”.
O primeiro sinal de que os amigos poderosos de Duda estão empenhados
em ajudá-lo surgiu logo após sua prisão, quando
os policiais federais responsáveis pela blitz foram gradativamente
afastados de seus cargos. O delegado Antonio Rayol, que à época
chefiou a operação, denunciou a perseguição
que estava sendo infligida a ele e outros colegas. Pouco depois, em
março de 2005, o julgamento foi adiado. Mais uma vez ficou
a impressão de que o publicitário recebera uma “mãozinha”.
E, no dia 4 de julho, ele simplesmente não compareceu a uma
audiência na Promotoria do Meio Ambiente de Salvador, onde seria
ouvido sobre sua participação no esquema de realização
de rinhas na capital baiana. Resumo: Duda errou, insiste no erro,
age da forma mais cínica do mundo e, pelo menos até
agora, está conseguindo sair ileso!
Só para comparar, Preta foi morta quase 5 meses depois do flagrante
contra Duda Mendonça. Seu caso já foi julgado, e os
assassinos, punidos. Por que será que até agora não
aconteceu nada com o homem que há tempos afronta a justiça?
O fato de ele já ter ajudado a eleger Maluf, Marta Suplicy
e o próprio presidente Lula interfere no andamento do processo?
Esperamos sinceramente que a onda saneadora que está tomando
conta das instituições políticas do país,
por meio de investigações e da implantação
de CPIs, também se reflita na solução do caso
Galogate.
O lugar do senhor Duda Mendonça é atrás das grades.
Se os juízes acharem melhor que ele pague por seus crimes fazendo
trabalhos em prol dos animais, também acharemos positivo. O
essencial é que essa história não acabe em pizza!
O episódio teve repercussão internacional (veja notícias
anteriores>>>) e se torna ainda mais odioso por envolver
uma figura próxima das nossas maiores lideranças políticas.

18 anos promovendo o bem estar e a proteção de todos os animais!

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