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14 de julho de 2005

 

Animais de circo morrem em Campos


Nos dias 9 e 10 de julho, os termômetros chegaram a marcar 1º C na cidade de Campos do Jordão (SP), ponto turístico bastante apreciado por quem gosta de um inverno com certo toque europeu. De olho no intenso fluxo de visitantes para a região serrana, o circo Stankowich se instalara no Município naquela mesma semana. A idéia era aproveitar a grande concentração de pessoas e faturar alto nas bilheterias.

Só tinha um problema: entre as dezenas de animais mantidos pelo Stankowich, havia dois tigres siberianos infectados por uma forte virose. Os bichos estavam submetidos a tratamento à base de antibióticos. Mesmo assim, não foram poupados. Seguiram viagem e, segundo interpretação do veterinário do próprio circo, Marco Antonio Bastos, sofreram queda em seu sistema imunológico devido a baixa temperatura. Ambos morreram. Qualquer pessoa sensata, que se preocupasse minimamente com o bem-estar de um animal, pensaria na importância de não submeter um bicho doente ao frio rigoroso.

O episódio jogou mais lenha na fogueira da polêmica que cerca a utilização de animais para diversão humana. A ARCA Brasil tem um posicionamento claríssimo nesse sentido: o uso de animais para entretenimento é antiético, força uma vida de privações, quase sempre envolve crueldade – portanto, é inaceitável.

Na natureza, os grandes felinos são soberanos. Ocupam o topo da pirâmide alimentar e dominam vastos territórios, onde caçam, acasalam e procriam. Os tigres do Stankowich eram siberianos. Em seu habitat, esses animais são acostumados a viver sozinhos. Só se unem à fêmea na época do acasalamento. Os filhotes se tornam independentes aos 3 anos de idade. Comem 45 kg de carne por dia e são capazes de caçar até ursos. Não se sujeitam a ninguém, não reconhecem um líder, vivem completamente livres. São senhores do próprio destino.


Em cativeiro, essa situação muda por completo. Seus instintos mais básicos são renegados. Submetidos a castigos e humilhações, vêem-se forçados a reconhecer no homem – um animal tão menor, tão mais fraco – seu senhor absoluto. Em vez de caçarem, recebem da mão do tratador o alimento possível, e não o alimento que escolheriam. Em lugar da liberdade, conhecem a crueza das jaulas. Até sua natural individualidade lhes é arrancada: dia após dia são forçados ao convívio com um grande número de animais, de sua própria espécie e de outras.

Em declarações à imprensa, os donos do circo Stankowich alegam que os animais “são muito bem-tratados”, e que os custos de alimentação “giram em torno de R$ 20 mil por mês” (jornal O Estado de São Paulo, 13 de julho de 2005). Mas não é isso que está em questão. O que deve ser discutido, debatido e analisado, é: temos o direito de arrancar dos animais sua própria natureza? É justo que um tigre, um leão, um elefante, ou até mesmo um cão ou gato, passem a vida repetindo gestos e reproduzindo comportamentos que lhes são totalmente estranhos?

Os circos que utilizam animais merecem ser boicotados não apenas por causa da crueldade dos treinamentos, das questionáveis “técnicas” dos domadores, ou porque alguns circos mambembes deixam seus animais famintos e mergulhados nas próprias fezes. O uso de animais em qualquer forma de espetáculo é condenável porque fere a dignidade destes seres. A cada dia, a Ciência traz à tona novas descobertas sobre a inteligência e a complexidade emocional e familiar dos animais. Não há como negar que mantê-los acorrentados ou obrigá-los a “fazer gracinhas” são práticas inaceitáveis, violentas e brutais.

Há mais nove tigres siberianos nas jaulas do Stankowich. Todas as noites, eles sobem ao picadeiro para “divertir” uma platéia que, desconhecendo os bastidores do espetáculo, se encanta com a beleza selvagem e a destreza desses animais. É triste.

Atualmente, existem menos de mil exemplares de tigres siberianos no mundo. A maior parte deles está em reservas, a Leste da Rússia. Os outros, em cativeiros, espalhados por diversos países. Embora os primeiros convivam com a perene ameaça dos “peleiros” (caçadores que atuam clandestinamente e conseguem pequenas fortunas vendendo as peles destes animais), é pelos últimos que devemos lamentar. Afinal, ainda que não de forma tranqüila, os tigres que se encontram em seu habitat natural têm a sorte de saborear a liberdade, de serem eles mesmos. Já aqueles que estão aprisionados pelo homem passam pela vida sem exercerem seus dons, sem descobrirem seus instintos. Não é assim que devemos tratar os presentes que a natureza nos oferece.

Os animais que vivem hoje nos cativeiros dos circos e parques temáticos já perderam sua capacidade de sobrevivência na natureza. Tornaram-se dependentes de nós. Sua vida e suas personalidades lhes foram roubadas – para sempre. Acabar com a utilização de animais em espetáculos é uma das formas de assegurar que, no futuro, outros seres não serão condenados a este destino.

 
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O que você pensa do uso de animais em circos?
É errado. Os animais são privados da liberdade e sofrem com os treinamentos cruéis.
É certo. Os animais também servem para a diversão do ser humano.
Estou em dúvida. Preciso de maiores esclarecimentos.



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