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Questões
Frequentes |
Médico veterinário, professor universitário e
doutor em parasitologia (veja
currículo) Márcio Vítor Ribeiro, da Universidade
Federal de Minas Gerais, é uma das maiores autoridades do país
em Leishmaniose. Sua apresentação será um dos
destaques do 2º.
Seminário Clínico Veterinário – Responsabilidade
Social & Bem-Estar Animal. Nesta entrevista, ele
conta por que defende o direito ao tratamento para os cães
vítimas da Leishmaniose e explica que medidas podem ser tomadas
para evitar que estes animais se transformem numa ameaça à
Saúde Pública:
ARCA: Desde quando o senhor se dedica a pequisar a Leishmaniose?
VR: Desde 1995, ano em que surgiram os casos caninos em Belo
Horizonte. Na ocasião, iniciamos tratamentos experimentais
em cães no ICB da UFMG - Departamento de Parasitologia. Os
primeiros resultados foram apresentados naquele mesmo ano, durante
o Congresso Brasileiro da Anclivepa, no Paraná.
ARCA: Quais são as descobertas mais recentes,
e de maior relevância, a respeito dessa zoonose?
VR: Considero muito importante a possibilidade de combater
o vetor nos cães por meio do uso de inseticidas, notadamente
o colar repelente. Trabalhos de vulto estão sendo elaborados
com outros inseticidas e em diferentes formulações.
A vacina contra leishmaniose visceral canina também abre enorme
perspectiva no controle da doença nos cães.
ARCA: O que existe de ineficiente e/ou inadequado nos atuais
modelos de combate à Leishmaniose, adotados pelos órgãos
de Saúde Pública brasileiros?
VR: Na minha opinião, o maior problema é a
pouca consideração com a saúde dos governos em
relação às verbas disponiveis. Também
existe uma resistência, uma dificuldade, em se adotar medidas
novas em um maior número de projetos. O resultado disso é
a insistência na eliminação em massa de cães.
ARCA: Com que argumentos o senhor defende o direito do proprietário
do animal infectado optar pelo tratamento clínico, em vez de
simplesmente submeter o cão à eutanásia?
VR: É simples: um animal devidamente tratado, protegido
do ataque do vetor e supervisionado por um médico veterinário,
não oferece risco à saúde pública.
ARCA: Fale-nos um pouco sobre o tratamento: o animal recebe
medicação somente na fase aguda da doença, ou
ele precisará de cuidados especiais permanentes?
VR: O tratamento é permanente, assim como os cuidados
de proteção contra o vetor.
ARCA: O cão pode oferecer risco à saúde
humana caso ele esteja infectado, seja picado pelo mosquito e, a seguir,
este mesmo mosquito pique uma pessoa. Como evitar que isso aconteça?
VR: Utilizando inseticidas centrados no cão,
como o colar repelente, e no ambiente em que ele vive.
ARCA: O proprietário que opta pelo
tratamento clínico assina algum termo de responsabilidade,
ou compromete-se de alguma outra forma a adotar procedimentos que
evitarão transformar seu animal num risco para a saúde
pública?
VR: Sim. Gostaríamos de estender este entendimento
e compromisso junto à saúde pública. Ou seja,
um termo de compromisso em que cada uma das partes assumisse suas
responsabilidades.
ARCA: O senhor pode nos falar um pouco mais sobre os métodos
preventivos que ora são apresentados ao mercado, como a coleira
repelente e as vacinas?
VR: São produtos que nos trazem grande esperança.
Os colares são os mais abordados em publicações
científicas relacionadas ao tema e já são aceitos
no mundo todo. Também existem outros projetos, com outros inseticidas
e em novas formulações. A vacina, por enquanto, é
uma só, mas as publicações são animadoras
e os resultados práticos de seu uso também indicam ótimas
perspectivas.
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