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Caso Avestruz Máster: mais uma vez, os animais são as vítimas
A
edição anterior de Notícias da ARCA
mostrou como os interesses puramente econômicos, aliados à
falta de previsão e ao desrespeito à vida, resultaram
em sofrimento para os animais atingidos pela febre aftosa.
Entre os meses de novembro e dezembro, a história se repetiu:
desta vez, as vítimas foram as mais de 60 mil aves da Fazenda
Avestruz Master, empresa de criação intensiva de avestruzes.
Acompanhe a cronologia de mais uma triste história de indiferença
e descaso, para com o sofrimento de animais inocentes:
25 de novembro – A Justiça decreta a
prisão preventiva de Jerson Maciel da Silva, sócio-majoritário
da Fazenda Avestruz Máster. O procurador da República
Daniel Resende Salgado, do Ministério Público Federal
de Goiás, denuncia supostos crimes contra o sistema financeiro
e sonegação fiscal. é o autor da denúncia.
As investigações são conduzidas pela Polícia
Federal. Três semanas antes, a sede da empresa em Goiás
fora fechada, cheques devolvidos, e os pagamentos a investidores,
suspensos.
27 de novembro - A prisão de Jerson agrava a crise da empresa: os funcionários ficam sem perspectiva de receber seus salários e falta dinheiro para comprar ração para os animais, que passam a receber somente 30% da alimentação diária recomendada.
4 de dezembro - Os poucos trabalhadores que não largaram o emprego entram em greve. Bloqueiam a entrada da propriedade com tratores, exigindo os pagamentos de outubro e novembro. Enquanto isso, os animais morrem aos milhares.
5 de dezembro - Cerca de oito mil filhotes de avestruz corriam risco de vida. os investidores tentam tomar providências para acabar com as mortes em massa dos "bens valiosos". Até então, 5 mil aves já haviam morrido devido a falta de manejo adequado e insuficiência de alimento. O total do plantel soma 60 mil animais. Sem higiene apropriada nos criatórios, doenças respiratórias e infecções se alastram. Veterinários e zootecnistas da empresa garantem que os avestruzes não resistiriam por mais uma semana. Para que os filhotes e aves adultas sejam tratados de forma adequada, são necessários 550 funcionários. Desse número, apenas 40 trabalhavam.
10 de dezembro – A ARCA Brasil solicita à sua parceira Humane Society International, uma das mais importantes instituições de defesa dos animais do mundo, que envie mensagem ao Ministério Público para que o bem-estar dos animais seja preservado. A entidade envia carta ao Procurador da República Daniel Resende Salgado, responsável pelo processo.
15 de dezembro - Após obter hábeas corpus, Jerson Maciel retorna à empresa e discursa para os funcionários, prometendo “recuperar o negócio”.
Apesar de os animais sobreviventes estarem finalmente recebendo os cuidados adequados, a ARCA Brasil continuará insistindo junto às autoridades competentes para que os empreendimentos financeiros que envolverem o manejo de seres vivos sejam observados com redobrado critério. Episódios como este não podem se repetir. Deixar que questões burocráticas e legais se sobreponham à preservação do bem-estar dos animais –, que neste caso passaram fome e morreram praticamente à míngua –, é inaceitável e extremamente cruel.
28 de dezembro - Daniel Resende Salgado, do Ministério
Público de Goiás, responde à Humane Society International
– que agiu nesse caso em parceria com a ARCA Brasil –
que recursos bancários do responsável pela fazenda Máster,
Jérson Maciel da Silva, foram bloqueados, o que garante a manutenção
dos animais. O Procurador da República lembra que, embora,
em princípio, o problema esteja resolvido, os responsáveis
continuam sob investigação criminal por suspeitas de
práticas contra o Sistema Financeiro Nacional. Acrescentou
ainda que essa denúncia será feita à Justiça
Federal, provavelmente, até o final de janeiro de 2006.
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