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Amizade pra presente - Dezembro de 2005
Por Marco Ciampi(*)
“Nossa filha Diane tem 4 anos e é fascinada por
animais. Neste Natal, vamos dar a ela um mestiço de labrador,
ninhada da cadela de um amigo. Ela vai adorar, e nós deixamos
de gastar em presentes caros”
A situação acima descrita ocorre às centenas
nessa época do ano. Vamos agora a um teste, com duas opções:
1) Esses animaizinhos serão felizes com os
novos moradores da casa?
2) Eles são sérios candidatos a engrossar
as fileiras dos animais abandonados em nosso país?
Quem atua nas áreas de proteção e saúde
animal já sabe que, infelizmente, a segunda opção
vencerá por esmagadora maioria. Presentear adultos ou crianças
com animais é um ato que exige uma cuidadosa reflexão,
sejam quais forem as circunstâncias. Acabadas as festas, a novidade
se vai, e o bicho, agregado sem planejamento, transforma-se em incômodo.
Nesses casos, o resultado dessa ação por impulso é
relegar o animal a uma vida repleta de negligências, falta de
atenção ou, ainda, maus-tratos e abandono.
Desde épocas muito remotas, o homem se relaciona com os animais.
No início, a base dessa relação resumia-se à
caça, à pesca, à extração da pele
e do couro para diversas serventias. Com a domesticação
do cão e, mais tarde, do gato, surgiu um dos vínculos
interespécies mais ricos e construtivos da natureza: a relação
carinhosa do homem com os animais de companhia. Cães e gatos
desenvolvem laços afetivos muito profundos com a espécie
humana; eles precisam do homem, e este tem muito a ganhar com a companhia
desses bichos. E, a partir do momento em que decidiu conviver com
esses animais, o homem assumiu automaticamente o compromisso de garantir
a qualidade dessa relação.
A chave para o sucesso dessa relação começa
antes que o cão ou gato entre em nossas casas. A família
deve estar ciente e de acordo, pois a boa vontade dela será
muito importante. Quem vai cuidar dos bichos durante as férias
ou feriados prolongados? Quem ficará responsável por
levá-lo ao veterinário, para vacinar, tomar vermífugo
e dar banho? Além de tempo, quem tem um bicho em casa precisa
de dinheiro suficiente para todos esses cuidados. Acredita-se que
a crise na economia seja um dos principais motivos para o aumento
no abandono de animais de raça nas grandes cidades.
De nada adianta morrer de amores pela bolinha de pêlos quando
filhote, se o adulto passa a vida num fundo de quintal, ou, o que
é ainda pior, atado a uma corrente. Se você não
tem tempo para passear com seu cachorro, escovar seu gatinho ou simplesmente
dar atenção e carinho ao seu bicho, estará causando
infelicidade a um grande amigo – além de desperdiçar
uma das coisas mais prazerosas da vida!
Raças “da moda” ou com apelo na mídia
podem não ser adequadas ao espaço da casa ou estilo
de vida dos interessados. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem
entidades que cuidam exclusivamente de problemas relacionados com
o abandono de dálmatas. Adquiridos por impulso na época
de sucesso do filme, eles pagam o preço do sucesso de seus
colegas no cinema.
Cada vez que alguém cede ao apelo do “bicho fofinho”
sem refletir sobre todos os aspectos envolvidos no comércio
de animais, contribui para alimentar as chamadas “fábricas
de filhotes”. Movidos pelo lucro fácil, criadores irresponsáveis
multiplicam-se em feiras de shoppings, parques, praças e beiras
de estrada, ou fornecem animais para pet shops inescrupulosos. Sem
fiscalização adequada, essas criações
freqüentemente se caracterizam pela exploração
cruel e muito sofrimento. Assim, o ideal é não comprar
animais, principalmente quando não houver acesso às
instalações do criador ou loja. Cuidados redobrados
devem ser tomados com os anúncios em jornais ou sites na Internet.
Mas, sem dúvida, a melhor opção é poupar
seres vivos de eventuais sofrimentos! Existem centenas de animais
à espera de adoção, sob a guarda de entidades
de proteção e centros de controle de zoonoses, precisando
apenas de uma chance para viver. Alguns pet shops abrem espaço
para instituições criteriosas, que oferecem cães
e gatos para adoção. Nesses casos, é fundamental
que o animal tenha passado por triagem veterinária, que esteja
vacinado e, de preferência, castrado.
Confira:
- Ter um animal em casa foi uma decisão madura e compartilhada
com toda a família?
- Você conhece a características do animal/espécie
escolhida? Muitos são abandonados porque cresceram mais que
o esperado, arranharam a cortina ou algo parecido.
- Há recursos financeiros para mantê-lo? Vacinas, visitas
ao veterinário e boa alimentação são itens
básicos e indispensáveis.
- Já considerou a adoção de animais – de
abrigos públicos ou privados?
- Evitar as crias indesejadas por meio da castração
é fundamental.

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