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Gripe aviária. O perigo vem dos céus, do ar ou do próprio homem?
Desde
a confirmação dos primeiros casos na Europa (Áustria,
Suécia, Alemanha e França), a indústria e o comércio
de aves foram os principais motivos de preocupação dos
governos. Só na França, a venda de carne de aves no
mercado interno caiu cerca de 20%, enquanto que vinte países
consumidores bloquearam as importações.
Como já relatado pelo Notícias da Arca no caso da febre aftosa, a “mobilização pelos animais” por parte do sistema só ocorre quando questões econômicas estão em jogo. Na verdade, sob pretexto de prevenir a saúde das populações, os governos temem as altas perdas em suas balanças comerciais, no caso de uma eventual epidemia.
Esse cenário faz do episódio da gripe aviária terreno propício para especulações e exageros. Na Alemanha, uma simples orientação do governo para que a população mantenha seus animais domiciliados gerou uma onda de abandono de felinos em vários países da União Européia.
Por outro lado, o papel das aves selvagens como principal vetor na propagação do vírus ainda não é um fato comprovado. Alguns especialistas apontam a utilização das fezes das aves na produção de alimento para a piscicultura no Sudeste Asiático e no Leste Europeu como responsável por parte da propagação do H5N1.
Em meio a este cenário de incertezas, surge a informação de que a transmissão do vírus entre humanos pode não ser tão fácil. Estudos recentes, liderados pela Universidade de Winsconsin-Madison, dos EUA - publicado na revista Nature, além de uma pesquisa conduzida pelo Centro Médico Erasmus (Holanda) - veiculado pela Science, apontaram que o vírus H5N1 se aloja na região mais profunda dos pulmões da pessoa infectada, o que impede que seja expelido numa tosse ou num espirro.
No Brasil, o Ministério da Agricultura anuncia que um programa de prevenção à gripe aviária, criado em 2003, coleta material e monitora as aves migratórias. Enquanto isso, o Ministério da Saúde tropeça na lentidão característica do estado Brasileiro. Segundo a revista Época, há um mês o Instituto Butantã aguarda autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e do Conselho de Ministros para a pesquisa e aprovação comercial de uma vacina para humanos. A avaliação do projeto está numa fila onde se encontram cerca de 500 outros.
Fica a reflexão sobre o sistema de combate à doenças em nosso país, que tem nos animais suas maiores vítimas. É o caso da Leishmaniose e da Raiva, em torno das quais ainda paira o anacrônico, ineficaz e cruel método da captura e extermínio – nem sempre de forma humanitária – de milhares de cães e gatos.
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