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Estudantes
protestam contra farra do boi.
por Jan Angelim
O
relógio localizado na Av. Paulista aponta o meio-dia. Em meio
a confusão sonora, típica desta região da capital
paulistana, vozes juvenis chamam a atenção em um movimento
que lembra tempos não tão longínquos em que a
juventude brasileira unia-se e mobilizava-se por dias melhores.
E, quando a questão remete aos direitos dos animais, motivos para lutar não faltam. Desta vez o objetivo era protestar e chamar atenção contra a farra do boi, um dos principais símbolos da crueldade e do desrespeito aos animais no Brasil.
Vestidos de preto, as faces coloridas por tintas, cartazes e panfletos em punho, os cerca de sessenta jovens apitam e sinalizam para os pedestres e veículos. “Distribuímos cerca de três mil panfletos que imprimimos com dinheiro doado por colegas dos cursinhos envolvidos no manifesto além de outras centenas que a ARCA Brasil nos cedeu” diz Raphael Camargo, 17, estudante do cursinho da Poli. “Recolhemos cerca de 1.600 assinaturas que entregaremos a alguma autoridade que ainda tenha moral e coragem pra fazer algo a respeito dessa estupidez que é a farra do boi”, desabafa Kelly Soares, 17, uma das organizadoras do manifesto.
Segundo Kelly, a idéia da mobilização surgiu quando um cartaz informativo sobre a farra foi exposto em um mural do cursinho. “Percebemos que em nosso país não há uma preocupação com os animais. São muitos os casos de violência contra os bichos, as pessoas se acostumam a ficar indiferentes. Percebi que podíamos fazer algo muito além da indignação ou o comentário com outras pessoas.”
Os estudantes foram orientados por um professor a buscar apoio em
entidades de proteção animal e, em contato com a ARCA,
receberam instruções material de apoio, além
de divulgação junto a grande mídia.
Para Tharin Campos, consciência política e mobilização não são qualidades apenas das gerações passadas. “É importante mostrar que existem brasileiros da nossa geração que estão conscientes que todos os dias leis são desrespeitadas e seres vivos sem voz são vítimas de ignorantes”, desabafa. “Parte do problema não se resolve pela falta de informação”, arremata o estudante.
O grupo também contribuiu para a conscientização de pessoas que não participavam do manifesto. “Fizemos contato e informamos centenas de pessoas no orkut e via e-mail. Criamos uma comunidade intitulada ‘Protesto contra a farra do boi’. Até e-mail pra embaixada da Índia eu enviei. Muitas pessoas nos deram força e algumas querem participar de outros manifestos” informou Raphael.
Já há planos para ações mais amplas no
próximo ano. “Não vamos desistir. Se em 2007 houver
sinal de que a farra do boi vai continuar, estaremos preparados para
movimentos mais organizados. Existem pessoas interessadas em viajar
até Santa Catarina e unir Ong´s e ativistas. Se depender
da minha vontade estarei lá”, informa Kelly.
A ARCA, juntamente com os estudantes, organiza a
entrega das assinaturas recolhidas ao presidente do PMDB, Deputado
Michel Temmer, ao qual é filiado o governador do Estado de
Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira.
Agradecimentos: Ana Maria Pinheiro e Sonia Fonseca (ambas do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e SOZED – Sociedade Zoófila Educacional)
As quase duas mil assinaturas contra a farra do boi, colhidas em uma única tarde em São Paulo, por estudantes apoiados pela ARCA Brasil, serão somadas aos abaixo-assinados do Instituto Ambiental Ecosul de Santa Catarina. A ONG Catarinense reuniu seis mil assinaturas em repulsa a essas ocorrências, que ocorrem no Estado, principalmente durante a páscoa.
Os estudantes paulistanos que realizaram um manifesto espontâneo no mês de abril de 2006, receberam o apoio da ARCA Brasil para a continuidade e melhor estrutura de suas ações. A intenção do grupo é pressionar o poder público e exigir que a lei seja cumprida e os direitos dos animais de Santa Catarina não voltem a ser ignorados.
Esses documentos, que atestam o repúdio de oito mil brasileiros
aos tristes episódios, receberão dois destinos. Em São
Paulo, os estudantes, entregarão as assinaturas recolhidas
na capital paulista, juntamente com cópias dos abaixo-assinados
organizados pelo movimento de Santa Catarina, ao Deputado Michel Temmer,
também presidente do PMDB, partido do governador Luis Henrique
da Silveira-SC.
Enquanto isso, o Instituto Ecosul articula a entrega das assinaturas recolhidas nessas e em outras circunstâncias à Procuradoria da República em Brasília, no processo contra o governador Luis Henrique (em campanha para reeleição), por suas posições sobre a farra do boi e sua omissão em fazer cumprir as leis de proteção animal do país.
Na véspera da páscoa o governador declarou a um canal
de televisão do Estado que não tomaria providências
para fiscalizar ou coibir a farra do boi. Segundo ele, “a polícia
deve ter uma atitude de observação”.
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