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Agressividade - Maio de 2006
Ataques de animais: como prevenir acidentes?
A morte de uma dona-de-casa em virtude a ataques de seus dois cães
da raça Rottweiller reacendeu as discussões que cercam
a convivência da sociedade com seus animais, em especial com
os cães de raças de maior porte ou de guarda. Manter
os animais em situações inadequadas e o desconhecimento
dos proprietários pode ser fatal. Em entrevista ao jornal Folha
de SP, Marcelo Monteiro, veterinário e coordenador do Centro
de Zoonoses do Embu, declarou que o estresse pode ter sido a causa
do ataque dos cães, pois o quintal da casa era pequeno e isso
contribui para a agressividade do animal. Segundo os médicos,
Maria de Fátima Parra Santos (49), que era cardiopata, morreu
em função de crise hipertensiva, em decorrência
dos ataques.
Ataques de maior gravidade de cães aos seus donos não são comuns e costumam ter uma causa definida. Em entrevista a ARCA Brasil Lisa F.L. (48) - Morumbi/SP, relatou as circunstancias em que foi mordida por seu rottweiller de sete anos. Segundo ela, a agressão teria sido motivada pelo barulho dos fogos de artifício. Lisa - que faz questão de dizer que não pensou em se desfazer do bicho - conta que, além de sentir-se mais segura, o animal a ajudou a superar uma grande depressão, motivada pela perda de um filho. Já Josef N.A. (59) - Salvador/BA, dono de um rottweiller de 5 anos, só tem boas referências sobre a raça. “É um cachorro dócil, que já foi adestrado e só reage para me defender ou quando entende que a casa está sob risco”.
Durante uma pesquisa de campo, realizada por todo o ano 1999 na cidade
de São Paulo, a Dra. Rubia Burnier (Veterinária
Solidária) , e terapeuta comportamental da Vet
Móvel entrevistou dezenas de pessoas agredidas por cães.
Ela observou que nos contextos das agressões havia sempre uma
situação de "privação" em relação
ao animal agressor. Esta privação ou "falta de"
se apresentava de várias maneiras e foram a causa geradora
da agressividade por parte dos animais. Ela dá exemplos: privação
de comida: cães abandonados que agridem pessoas que se aproximam
de lixeiras ou restos de alimentos onde estes animais circulam; privação
de abrigo: animais de rua que adotam como seu território as
calçadas, locais públicos ou praças, passando
a agredir qualquer indivíduo que se aproxime dessas áreas;
privação de contato com outros animais e com pessoas,
resultando em grande intolerância à presença de
estranhos; privação de limites na relação,
resultando em aumento da dominância dos cães sobre as
pessoas e o não reconhecimento de autoridade em seu dono; privação
de espaço: animais confinados, presos ou acorrentados em áreas
de acesso às residências, por período integral
ou durante o dia apenas, mas soltos à noite.
Segundo a Dra. Rubia, os cães podem morder por antecipação a algo que considerem como uma ameaça (movimentos bruscos, presença de um estranho em seu território); quando tocados, manipulados ou como reação a algum estímulo que provoque dor; ou ainda quando condicionados a não tolerar presença de outros indivíduos, animais ou pessoas (adestramentos, animais que ficam presos ou acorrentados).
Em fevereiro deste ano a ARCA promoveu o primeiro
encontro da “Comissão
de Especialistas”, formada por veterinários, criadores,
educadores e terapeutas comportamentais. O trabalho resultará
em um Guia de Procedimentos, para instruir proprietários e
interessados em conviver com um animal, em particular cães,
fornecendo instrumentos para uma melhor compreensão e desfrute
dessa convivência. A Comissão é parte importante
nos trabalhos da Stop Animal Fighting, campanha
mundial da Humane Society International,
lançada o ano passado em nosso país pela ARCA
Brasil.

18 anos promovendo o bem estar e a proteção de todos os animais!

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