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Natura - Maio de 2006

 


A Revista “Natura Ciclo”, publicação da empresa de cosméticos Natura, na sessão Verdades e Mentiras (pág. 62 – ed. 07/2006 ano V), traz uma afirmação parcial, que interpretada isoladamente, pode vir a agravar o atual quadro de abandono de felinos. Ao alardear “Gatos transmitem Toxoplasmose, doença perigosa para o bebê”, a publicação perpetua um mito que já causou muita separação desnecessária entre esses animais e seus donos – com todo o sofrimento que isso implica.

O texto (confira abaixo) informa de maneira superficial sobre os riscos de infecção em gestantes e pode influenciar negativamente proprietários mais inseguros e desinformados.

A Toxoplasmose é causada pelo parasita Toxoplasma gondii e ataca o ser humano e animais de sangue quente. A transmissão ocorre por ingestão dos oocistos (ovos) do protozoário, presentes em alimentos ou carnes. Segundo o infectologista, prof. emérito da USP e Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Dr. Vicente Amato Neto, não há a necessidade do afastamento entre uma gestante e seu felino. “Tem que haver um cuidado de natureza higiênica. Quando o gato é devidamente domiciliado ele tem poucas chances de ter Toxoplasmose, pois geralmente adquire a doença comendo roedores. Se ele não tiver contato com esses animais não haverá problema. É radical dizer que a pessoa deva se afastar do bicho.”

Para que ocorra a contaminação via gatos é necessário que um ser humano não-imunizado faça a ingestão ou aspire partículas das fezes envelhecidas (expostas por mais de três dias ao ambiente) de um animal contaminado. Ou seja, para que uma pessoa seja infectada por um felino é necessária uma série de acontecimentos e ainda a ausência de higienização básica do ambiente e das pessoas. Muito mais provável é a contaminação se dar pela ingestão de alimentos mal-cozidos ou mal-lavados.

De acordo com a Dra. Nara Amélia Vasconcelos, no artigo Toxoplasmose: Realidade e Preconceitos (Revista Acadêmica de Medicina Veterinária da Faculdade de Veterinária - UFPel- v.01,n.02 , 02/2002), a carne fresca e a lingüiça de porco são as principais fontes de infecção por Toxoplasma gondii em várias partes do mundo. Vários estudos revelam maiores prevalências de infecção nas populações que tem como hábito a ingestão de carnes cruas ou mal passadas. Carnes embutidas (lingüiças, salsichas), processadas inadequadamente, representam importante fonte de infecção em várias regiões.

No mesmo artigo, a veterinária alerta para a falta de informação e as lendas criadas a respeito da Toxoplasmose e gatos domésticos. “Ainda existe uma grave falta de informação entre os profissionais da área da saúde e, conseqüentemente, do público, quanto aos riscos de infecção dos humanos a partir de seu gato de estimação. Por isso, ainda são freqüentes recomendações preconceituosas e sem embasamento científico feitas por médicos e veterinários, quanto aos animais de estimação”, esclarece Dra Vasconcelos.

A ARCA Brasil enviou carta a Natura, salientando a importância da publicação de um esclarecimento aos seus leitores. Como sempre, enfatizamos que a falta de informação – ou a sua omissão – é a principal causa de crueldades e injustiças para com os animais.

Faça como a ARCA e envie sua mensagem para a Natura (não esqueça de colocar c.c. para comunicacao@arcabrasil.org.br):

Serviço Fale Conosco
snac@natura.net ou telefone 0800.704 5566. A ligação é gratuita.

Comentários e opiniões sobre a revista (entre no site e clique no ícone da caixa de correio).

Toxoplasmose: para saber mais >>>

 

 

Grávidas x Toxoplasmose:
Atualização do caso Natura - Junho / 2006

O boletim Notícias da ARCA do mês de maio chamou atenção para um recente artigo na seção “verdades e mentiras” da Revista Natura, onde constava a afirmação “... gatos transmitem Toxoplasmose, doença perigosa para o bebê”. Ciente dos mal-entendidos que cercam a essa questão, a ARCA Brasil manifestou preocupação de que a nota, breve e parcial, poderia agravar o quadro de abandono de felinos ou causar a separação desnecessária entre esses animais e seus donos – com todo o sofrimento que isso implica. Por isso, a ARCA foi buscar a opinião de autoridades no assunto, entre elas o Dr. Vicente Amato, Prof. Emérito da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Segundo o professor Amato “é radical dizer que a pessoa deva se afastar do bicho” (veja matéria na íntegra).

Cerca de 30 leitores do boletim Notícias da ARCA, entre eles consumidores e revendedoras da Natura, empresa líder no mercado de cosméticos, enviaram mensagens solicitando algum tipo de reparação. Uma delas foi a médica Débora T. que, em e-mail à Natura, afirmou sua preocupação pela forma como foi veiculada a notícia. “Sugiro que a empresa busque uma consultoria adequada - Infectologista reconhecido e corrija a informação duvidosa”, afirmou.

A bióloga e biomédica, Maria I. Z., que possui duas gatas e se diz “apaixonada pelos felinos e consumidora dos produtos Natura”, questiona a forma como a revista abordou o tema. “Hoje, sabemos que a transmissão dessa doença pelos gatos é muito mais difícil e rara do que por outros meios (carne crua, por exemplo), o que causa o abandono por mulheres grávidas inseguras”, completou.

A leitora Andréa P. se diz surpresa com a atitude da empresa e aproveita pra contar sua experiência. “Tenho uma gatinha que recolhi na rua já adulta, e recebe todo tratamento veterinário necessário. Minhas cunhadas engravidaram convivendo diariamente em minha casa com ela, e seus filhos não adquiriram Toxoplasmose”.

Em resposta a essas e outras mensagens enviadas, a Natura alega que não cometeu erro algum (veja íntegra ao final).

A posição da ARCA reflete anos de atendimentos a casais em conflito, cujos médicos fizeram semelhantes advertências, por desconhecimento e/ou por subestimarem os laços da paciente com seu animal. São várias as denúncias de abandono de gatos em parques e outras áreas pelo mesmo motivo. Ao cobrir a questão de forma resumida na Revista Natura, a informação se tornou incompleta, potencializando os riscos de abandono.

A ARCA Brasil, em carta a Natura, salientou a importância da publicação de um esclarecimento aos seus leitores. A empresa ainda não se manifestou nesse sentido.

Como sempre enfatizamos, a falta de informação – ou a sua omissão – é a principal causa de crueldades e injustiças para com os animais.

Faça como a ARCA e envie sua mensagem para a Natura (não esqueça de colocar c.c. para comunicacao@arcabrasil.org.br):

Comentários e opiniões sobre a revista (entre no site e clique no ícone da caixa de correio).


Resposta do Serviço Natura de Atendimento ao Consumidor (SNAC) às mensagens enviadas:
“O texto da Revista Natura em momento algum condena o hábito de manter ou criar gatos em ambiente doméstico, apenas retrata a opinião médica sobre os riscos que envolvem essa prática, enfatizando ser recomendável, para futuras mães que não estejam imunizadas, isolar esses animais durante o período”.



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