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Questões
Frequentes |
Ibama
propõe "Guardiões da fauna": Solução
para o comércio ilegal de animais silvestres ou sinal de uma
situação-limite?
Participe dessa discussão e mande sua mensagem
para os integrantes da Câmara Técnica do CONAMA
No último dia 20 foi aprovada pelas câmaras técnicas de Assuntos Jurídicos e a de Biodiversidade, Fauna e Recursos Pesqueiros do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) proposta de resolução encaminhada pelo Ibama disciplinando a guarda doméstica de animais silvestres.
O documento limita a guarda exclusivamente a espécimes apreendidos pela fiscalização de órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Na proposta inicial encaminhada pelo Ibama, quem fosse atuado com um animal silvestre adquirido de maneira ilegal, receberia tratamento diferenciado em relação a um traficante. No formato atual, será criado um cadastro de candidatos a “guardiões da fauna”, que poderão se responsabilizar por até dois animais, originados em apreensões, e que hoje se encontram em número excessivo em zoológicos ou centros de triagem. A resolução depende ainda de votação na plenária do Conama, que deverá ocorrer nos dias 11 e 12 de julho.
Antes mesmo da aprovação pelas Câmaras Técnicas (de Biodiversidade, Fauna, Recursos Pesqueiros e de Assuntos Jurídicos), a proposta gerou grande polêmica e dividiu setores do próprio Ibama, além de causar a indignação de ongs e dos profissionais que atuam pela causa animal. Em nota divulgada em abril sobre a proposta inicial, a Renctas – organização não-governamental que atua no combate ao tráfico de animais silvestres brasileiros, chegou a declarar que a proposta “representava o mais absoluto e cabal atestado de incompetência e falência do estado brasileiro em defender seu patrimônio natural”. No documento, a ong afirmava ainda que a resolução “facilitava o crime e desmoralizava os agentes públicos que atuam de forma séria e eficiente no controle de fiscalização ambiental, transformando criminosos e contraventores em guardiões da fauna silvestre
Em matéria publicada pela Assessoria de comunicação do Ibama, o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros, Rômulo Mello, informou que os CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), zoológicos e criadouros não são suficientes para abrigar os 48 mil animais silvestres apreendidos anualmente pela fiscalização. Para o órgão a proposta, se aprovada “complementará a atual estrutura de destinação desses animais”.
A deficiência desses setores em acolher e abrigar de forma adequada os milhares de animais vítimas do tráfico somam-se às dificuldades do poder público em fiscalizar, patrulhar e combater a apanha e o comércio ilegal da fauna silvestre. Nas fronteiras, zonas de mata, aeroportos, feiras livres, pet shops ou nas estradas que cortam o país, os meios utilizados pelo tráfico vão do mais rústico e banal até o esquema de quadrilhas organizadas, que movimentam milhões de reais.
O Tráfico só existe por que há quem compre os animais
O costume de conviver com animais silvestres no Brasil data de tempos imperiais, com conseqüências trágicas. Segundo a SOS Fauna – ong que atua na repressão e em auxílio aos animais vítimas do tráfico, o sofrimento é contínuo. “Luzes permanentemente acesas para não haver a queda de metabolismo, estado de alerta constante, queda de temperatura ambiente costumam ser as condições enfrentadas pelos animais no transporte aos grandes centros urbanos, viagens estas que podem durar até 3 dias”.
De acordo com o 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Animais Silvestres da Renctas, a comercialização em pet shops é “o fator que mais incentiva o tráfico de silvestres no Brasil”. Segundo o estudo, são quase 38 milhões de espécimes retiradas de seu habitat por ano. Desse número, apenas 10% chegará ao destino final. Quando apreendidos pela fiscalização, os animais geralmente estão em péssimas condições, alguns já mortos, maltratados, com fome, sede e frio. Outros são ainda anestesiados para que pareçam dóceis e mansos (principalmente no caso de mamíferos).
A deficiência desses setores em acolher e abrigar de forma
adequada os milhares de animais vítimas do tráfico somam-se
às dificuldades do poder público em fiscalizar, patrulhar
e combater a apanha e o comércio ilegal da fauna silvestre.
Nas fronteiras, zonas de mata, aeroportos, feiras livres, pet shops
ou nas estradas que cortam o país, os meios utilizados pelo
tráfico vão do mais rústico e banal até
o esquema de quadrilhas organizadas, que movimentam milhões
de reais.
A lei permite
O comércio de animais silvestres é normatizado pela
portaria nº 117/97 e a sua criação pelas portarias
nº 118/97 e 102/98 (vide abaixo texto na íntegra). O Estado
“normatiza o funcionamento de criadouros de animais da fauna
silvestre brasileira com fins econômicos e industriais, com
exceção apenas os peixes, invertebrados aquáticos,
jacaré-do-pantanal - Caiman crocodilus yacare, tartaruga-da-amazônia
- Podocnemys expansa, tracajá - Podocnemys unifilis,
insetos da ordem Lepdoptera”. Ou seja, todas as demais
espécies não citadas por estas portarias e que não
forem tratadas em outras específicas estarão liberadas
para a comercialização.
Para o presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi,
o governo brasileiro contribui para a banalização da
prática. “Em países como os EUA, onde as políticas
que regulam a venda de animais silvestres são liberais, ocorrem
inúmeros problemas. Recentemente, por pressão da sociedade,
a rede de pet shops PETCO desistiu de comercializar aves de grande
porte como araras e cacatuas. As atuais políticas brasileiras
parecem estar na contra-mão de movimentos mundiais para reduzir
o tráfico de animais”.
A ARCA Brasil, que há treze 13 anos atua pela
causa animal, enfatiza que o primordial é conscientizar a população,
que não deve compactuar com esse tipo de comércio. Acreditamos
na informação, aliada ao desempenho das autoridades
na fiscalização – em especial na repressão
na origem -, como um dos meios capazes de amenizar esse “holocausto
ecológico”.
( http://www.ibama.gov.br/fauna/legislacao/port_117_97.pdf )
( http://www.ibama.gov.br/fauna/legislacao/port_118_97.pdf )
( http://www.ibama.gov.br/fauna/legislacao/port_102_98.pdf
O poder de transformar está em nossas mãos
Para que ocorra uma mudança neste caótico quadro é necessária uma tomada de consciência e atitude. Não comprar animais silvestres já é um grande avanço, mas não basta. É preciso que o cidadão, consciente de seu papel em uma sociedade democrática, exija do Estado políticas públicas que atuem na origem dos problemas. Em uma questão de tal magnitude e gravidade, os governos Federal e Estaduais ignoram ou reservam verbas pífias para a educação, o treinamento de agentes, a fiscalização e a repressão na origem.
A fauna silvestre, um de nossos maiores patrimônios, está sendo exterminada. Enquanto isso, os órgãos competentes se perdem em uma legislação inoperante e evasiva, com uma política para o setor que não combate a raiz do problema, além da corrupção e a falta de preparo de alguns profissionais.
Cumpra o seu papel! Denuncie à linha verde
do Ibama (0800-618080) os casos de trafico ou comércio ilegal
de animais silvestres (transporte, vendas em beira de estradas, feiras
livres, criadouros ou pet-shops sem autorização ou documentação
exigida pela lei).
Denunciar não basta.
Envie e-mail para o Ibama, Conama e para os integrantes das
Câmaras Técnicas exigindo mudanças na
política ambiental brasileira. Se preferir, utilize o modelo
abaixo (envie cópia para comunicacao@arcabrasil.org.br)
Eu, ________________________________, venho por meio desta manifestar
minha insatisfação diante da atual política ambiental
brasileira, sobretudo a atenção dada à questão
dos animais silvestres.
Como cidadão brasileiro(a), exijo que os órgãos
responsáveis pela proteção de nossa fauna coloquem
em prática uma política efetiva de combate ao tráfico
dos animais silvestres em sua origem.
Medidas como a recente proposta de resolução encaminhada
pelo Ibama ao Conama, contemplam a destinação dos animais
apreendidos — com o risco de estimular o consumo – mas
não coíbem a ação dos traficantes, o transporte
e o comércio ilegal.
Baseado em trabalhos de organizações que atuam no combate ao tráfico, e que apontam a venda em pet shops como estímulo ao consumo dos animais silvestres e uma frente a mais de demanda para o confuso o ineficiente sistema de fiscalização, também repudio a disseminação desta modalidade de comércio.
Atenciosamente,
(E-mails dos órgãos ambientais e dos Integrantes das Câmaras Técnicas)
Ibama:
Procuradoria Geral – proge.sede@ibama.gov.br
Linha Verde – linhaverde.sede@ibama.gov.br
Conama – conama@mma.gov.br
Integrantes da Câmara Técnica de Biodiversidade, Fauna e Recursos Pesqueiros:
felipe.diniz@mma.gov.br; cassio.sesana@mma.gov.br; nogueira-neto@uol.com.br; ehofling@ib.usp.br; marcilio.caron@terra.com.br; jamuller@furb.br; eugeniomsc@rn.gov.br; joels@mct.gov.br; marcelo@seap.gov.br
Integrantes da Câmara Técnica de
Assuntos Jurídicos:
cassio.sesana@mma.gov.br; denise.fernandes@mma.gov.br;
planet-bem@uol.com.br; gdallapria@cni.org.br;
semma@goiania.go.gov.br; mogata@semarh.ba.gov.br;
romeuarruda@semace.ce.gov.br; sebastiao.azevedo@ibama.gov.br;
byron.costa@mj.gov.br
Não esqueça de enviar cópia para ARCA
Brasil: comunicacao@arcabrasil.org.br
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