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Essa “verde e amarelo” está perdendo o jogo de sua vida
A tartaruga Tigre D’água (Trachemys dorbignyi)
é uma espécie nativa dos pampas do Rio Grande do Sul
que, com o tempo, se espalhou por todo o país em função
do comércio ilegal. Segundo o Ibama, é a espécie
de réptil mais traficada no Brasil, representando 68 % do tráfico
dessa categoria no País.
Esses e outros animais silvestres são encontrados em feiras
livres, beira de estradas (via de transporte mais utilizada para escoar
os animais, principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro),
e até mesmo em pet shops, onde atualmente são comercializados.
Essa atitude - movida por modismo ou simples impulso – terá
conseqüências desconhecidas pelos compradores, já
que tartarugas chegam a viver mais de 40 anos.
A ARCA Brasil é constantemente procurada por
pessoas que adquiriram Tigres D’água filhotes e, por
algum motivo, querem se desfazer do animal. Em muitos casos, o vendedor
ou traficante alega que o bicho não passará de alguns
centímetros, e que pode ser mantido em um simples aquário.
Com o passar dos anos, a “tartaruguinha” se desenvolve
e só então o comprador percebe o problema em que se
meteu. “Comprei sete e ganhei o aquário de brinde numa
loja de um amigo há mais de dez anos. Não imaginava
que fossem crescer tanto. Hoje não tenho mais espaço
pra elas”, alegou um deles, que procurou a ARCA
para orientações.
A diretora do Departamento de Fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Dra. Vilma Clarisse, disse em entrevista a ARCA que, não raro, animais silvestres são encontrados soltos em parques da Cidade. “Temos uma lista de espera de cinco mil indivíduos que não sabem o que fazer com seus animais. Muitas delas nos procuram interessadas em um destino para as Tigres D’água”, informa. A seção de répteis do Jardim Zoológico de São Paulo recebe em média cinco telefonemas por semana de pessoas que desejam se desfazer da tartaruga. Os proprietários recebem a mesma resposta; as áreas destinadas a esses bichos estão lotadas e a instituição não pode mais recebê-los.
Soltar na natureza um animal habituado ao cativeiro, muitas vezes será sua sentença de morte, pois raramente ele se readaptará à vida em liberdade. Soma-se a isso o desequilíbrio ecológico criado com a introdução de uma espécie em um habitat diferente do dela.
De acordo com o 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Animais Silvestres da Renctas – Organização não-governamental que atua no combate ao tráfico de animais silvestres brasileiros, a comercialização em pet shops é “o fator que mais incentiva o tráfico de silvestres no Brasil”. Segundo o estudo, são quase 38 milhões de espécimes retiradas de seu habitat por ano. Desse número, apenas 10% chegará ao destino final. Quando apreendidos pela fiscalização, os animais geralmente estão em péssimas condições, alguns já mortos, maltratados, com fome, sede e frio. Outros são ainda anestesiados para que pareçam dóceis e mansos (principalmente no caso de mamíferos).
No Brasil, o comércio de animais silvestres é normatizado pela portaria nº 117/97 e a sua criação pelas portarias nº 118/97 e 102/98 (vide abaixo texto na íntegra). O Estado “Normatiza o funcionamento de criadouros de animais da fauna silvestre brasileira com fins econômicos e industriais, exceção para peixes, invertebrados aquáticos, jacaré-do-pantanal, tartaruga-da-amazônia, tracajá e insetos da ordem Lepdoptera” . A multa para os que adquirem um animal de origem ilegal é de R$ 500 por espécie encontrada. O infrator responde pelo ato e, se incriminado, perde a condição de réu primário.
A alarmante situação dos animais silvestres é um triste exemplo da inconsciência humana. Animais livres são arrancados de seu habitat e transformados em objetos de desejo, em bens de consumo.
Nesse momento de grandes emoções pela Copa do Mundo de futebol, uma partida de vida ou morte está sendo disputada. No caso de derrota, perde não só a Tigre D’água e o povo brasileiro, mas todo o eco-sistema. Perde-se principalmente a esperança da humanidade em conquistar o respeito e o equilíbrio com a natureza.
Ajude a decidir essa partida a favor da vida. Denuncie
o comércio ilegal de animais silvestres: 0800 61 80 80
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essa matéria para seus contatos. Faça parte
desse esforço para sacudir e conscientizar a sociedade brasileira!.
(http://www.ibama.gov.br/fauna/legislacao/port_117_97.pdf)

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