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Massacre na China - Agosto de 2006

Massacre de cães na China . O Brasil corre este risco?
No dia 01 de agosto, uma nota divulgada pelas principais agências internacionais de notícias causou enorme impacto entre pessoas e Ongs envolvidas com a causa animal. O distrito de Mouding, província chinesa de Yunnan, foi palco de um extermínio de cães, devido a um surto de Raiva que causou a morte de 3 pessoas.
Ali, durante cinco dias do mês de julho, 50 mil animais foram mortos a pauladas em praça pública ou mesmo no quintal das casas, tirados à força de seus donos. Outros foram eletrocutados ou enforcados. O número de mortos representa 85% do total de cães na região e os únicos poupados foram os animais da polícia militar, segundo o jornal local Shanghai Daily.
Poucos dias depois, foi divulgada nova matança – desta vez em Jining, província de Shandong. Segundo a imprensa oficial, o governo decidiu matar todos os cães num raio de cinco quilômetros do local onde morreram mais 16 pessoas por causa da Raiva, o que significa que 500 mil animais estão ameaçados. No dia 9 de agosto, o Shanghai Daily divulgou a decisão das autoridades em matar mais animais nos arredores do distrito de Jinshan devido à morte de um homem, atacado por seus dois cães.
A repercussão internacional foi intensa, e motivou a oferta de ajuda por parte de países desenvolvidos ( veja mais em Rabichos).
Panorama brasileiro: Raiva
O caso do holocausto chinês – que demonstra a falta de políticas preventivas, a exemplo da vacinação dos animais de estimação – serve de premissa para tratarmos mais a fundo a questão da responsabilidade da área de saúde, encarregados do controle da Raiva no mundo. Estratégias bem-sucedidas em alguns países desenvolvidos fizeram a doença praticamente desaparecer nessas regiões. No Brasil, apesar de controlada, a Raiva ainda está presente.
Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde) revelam que o número de casos de Raiva humana no país, depois de um período de queda que durou duas décadas, voltou a subir e em 2005 ficou em 44. Em cães e gatos, nas quatro regiões do Brasil, foram 95 casos confirmados por laboratório (sendo a absoluta maioria concentrada nas regiões Norte e Nordeste).
Na América Latina, dados de 2004 da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelaram que 6 países da região apresentam 20 casos de Raiva humana transmitida por cão. No entanto, de acordo com relatório da OPAS, divulgado em abril deste ano, houve cerca de 90% de redução nos casos de Raiva em humanos e caninos nos países latino-americanos.
O controle de zoonoses (doenças transmitidas ao homem pelos animais, e vice-versa), responsabilidade das autoridades de saúde, tem como uma de suas principais medidas o controle populacional de cães e gatos. Em cidades brasileiras que desenvolvem políticas preventivas – muitas com assessoria da ARCA Brasil –, a ênfase é na conscientização, na criação de leis e, principalmente, no fácil acesso aos métodos definitivos de controle da procriação (esterilização cirúrgica).
A superpopulação de animais de estimação ocorre em várias partes do mundo, com conseqüências graves, como o extermínio de cães no território chinês. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam 600 milhões de cães no mundo, o que representa aproximadamente 10% da população humana. Somente no Brasil, são cerca de 28 milhões de cães e 13 milhões de gatos.
No Simpósio “Controle de Zoonoses e as Interações Homem-Animal”, realizado pela ARCA Brasil em 2001, Dr. Albino Belotto (OPAS/Washington) defendeu a vacinação de cães como principal ação de controle da Raiva urbana. “Primeiro é preciso vacinar o maior número de cães, pois a doença é vulnerável às ações de prevenção. Quando se interfere numa região obtém-se o resultado em curto prazo”, completou. Para Belotto, a Raiva humana transmitida por cão é falta de vontade política e de compromisso com a Saúde Pública.
Há cerca de dez anos a ARCA Brasil desenvolve um trabalho que vem mudando a triste realidade dos animais abandonados em várias cidades do Brasil, baseado em medidas preventivas que ajudam no combate às zoonoses. Para saber mais, clique aqui.
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