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Animais em Gaiolas - Novembro de 2006
Gaiolas x bem-estar animal
A hora do banho no pet shop é momento de estresse para muitos animais. E não pelo banho em si, mas pela situação desconfortável de esperar seus donos em gaiolas que muitas vezes não oferecem as condições mínimas de segurança para eles. Além do trauma do próprio banho, o cão ou gato pode estar sujeito a pegar doenças se a limpeza do local não for adequada. A contenção dos animais nos pet shops às vezes é inevitável, mas alguns cuidados básicos devem ser tomados para que um simples banho não se torne pesadelo na vida do animal.
Um cão ou gato chega a ficar horas esperando por seu dono, no meio do barulho de secadores, sopradores e máquinas de tosa. “Essa ainda é uma situação corriqueira, e que pode ser uma experiência bastante estressante para a maioria dos animais”, alerta a veterinária e terapeuta Rúbia Burnier, colaboradora da ARCA e proprietária do pet shop Espaço Animal, localizado na Vila Madalena. Alguns conseguem se acostumar com esse alto nível de ruído e chegam até a dormir, mais pelo cansaço do que por relaxamento, mas a maioria acaba sofrendo algum tipo de trauma, que pode levar a conseqüências muito piores.
Todo cuidado é pouco
Mirtes Bologna, publicitária, passou por essa experiência num pet shop onde levou seu cãozinho da raça Dachshund (teckel) para tomar banho. “Deixei ele lá, pois era perto da minha casa e o pet shop em que ele toma banho não tinha mais horário”, conta a proprietária. Jack tinha 3 anos, e sofria do coração. A dona foi orientada para buscá-lo depois de uma hora. Quando chegou, Jack estava morto na gaiola, numa sala fechada, sem ventilação, ao lado de canis onde estavam dois cães de grande porte. “Eles nem tinham visto ele morto ali, quando vi aquilo, entrei em pânico e comecei a bater no rapaz”, lembra. Depois do choque e de muito choro, Mirtes levou o corpo de seu cãozinho para o veterinário, que constatou parada cardíaca – provavelmente pela situação de medo e angústia, causada por uma sala fechada, e pelo fato de estar entre os dois cães.O alerta se aplica especialmente aos que costumam deixar seus bichinhos em pet shops por longos períodos, sem supervisão ou acompanhamento.
A questão das gaiolas divide opiniões. Para Rúbia Burnier, a obrigação de todo pet shop é proporcionar um local adequado para os animais esperarem por seus donos, longe do ambiente onde são realizados os serviços e, de preferência, soltos e brincando ou se relacionando com os outros bichos. “Em nosso pet shop, criamos um playground especialmente para isso. As máquinas são colocadas do lado de fora do banho e tosa, diminuindo o ruído do ambiente”.
Para Richard de Oliveira Dias, proprietário de um pet shop na zona oeste de São Paulo, a questão também é de responsabilidade do dono. Para ele, as gaiolas, desde que apropriadas para o porte dos cães e devidamente higienizadas, são uma forma segura de manter os animais enquanto esperam, e levanta outro ângulo da questão. “Muitos donos demoram horas para irem buscar seus animais, o que contribui para aumentar o estresse e o medo deles, num momento que deveria ser prazeroso e relaxante”, pondera.
Cuidado para não traumatizar o seu bichinho
Dennis Martin, analista comportamental de cães e dono
da escola de adestramento Royal Pet Mania, alerta para os
efeitos que a espera em gaiolas e caixas de contenção
pode ter nos animais. Para ele, embora hoje em dia as lojas estejam
mais cientes, nem sempre é possível criar um clima mais
tranqüilo para a espera. Portanto, se o cão ou gato tem
algum problema de saúde ou não está acostumado
a ambientes agitados e barulhentos, pode sim passar por uma situação
de estresse e desconforto, e os efeitos no animal dependem do tempo
em que ficam presos, e do grau de ruído a que estão
expostos.
Existem cães que são criados em caixas de contenção e transporte, e, por estarem acostumados a dormir e descansar nelas, consideram as caixas como “tocas”. Se já estão acostumados, esta é uma boa forma de mantê-los seguros e contidos, em ocasiões específicas. A matéria no Brasil é regulamentada pela lei nº 9.503 / 97, que instituiu o novo Código de Trânsito Brasileiro, onde consta que a caixa de transporte é obrigatória para viajar com seu animal. “Para cães que estão acostumados, ficar até 3 horas numa caixa não representa um estresse maior. Mas se não foi criado com esse hábito, claro que ficar tanto tempo preso seria ruim”, alerta Dennis.
Portanto, é fundamental conhecer o comportamento do seu bichinho de estimação para não submetê-lo a condições desconfortáveis para ele, e que resultem em problemas mais sérios. É necessário visitar todas as instalações do pet shop, verificar se há gaiolas adequadas para o porte do seu animal, e principalmente verificar as condições de ventilação e higiene. “Além da questão do estresse, nessas gaiolas podem ocorrer muitas das transmissões de ectoparasitas [pulgas e carrapatos], bem como fungos, ácaros e bactérias, se a desinfecção não for realizada a cada troca de animal”, arremata a Dra. Rúbia Burnier.
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