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Questões
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Venda de Filhotes - Dezembro de 2006
A indústria de filhotes e seu impacto no abandono e no sofrimento dos animais
Telefone, Internet ou porta-malas de um carro. Seja
qual for o meio, é certo que todos os dias centenas de vidas
serão vendidas em uma cidade como São Paulo, num exemplo
do que acontece com o resto do país. Com cinqüenta reais
é possível comprar um cão ou gato em pet shops
ou feirinha de rua. É uma verdadeira indústria que despeja
filhotes no mercado, sem garantia de saúde, na maioria das
vezes portando alguma doença infecto-contagiosa. O destino
desses animais? Incerto, mas pode-se dizer que são sérios
candidatos a uma vida de privações ou ao abandono.
Enquanto algumas pessoas usufruem do lucro fácill e sem escrúpulos,
cresce nas cidades o número de animais em situação
de abandono, com ou sem raça definida. Por impulso ou falta
de informação, muita gente compra um filhote, apenas
porque viu uma carinha fofa na vitrine. Alguns sequer têm tempo
para dedicar ao animal, outros simplesmente não estão
preparados para os gastos ao cuidar dele. Mas aí a coisa já
está feita, e a solução é “dar para
alguém”, ou pior, o abandono. Em São Paulo são
cerca de 20 mil cães e gatos recolhidos anualmente pelo Centro
de Controle de Zoonoses (CCZ), dos quais poucomais de 1.000 conseguem
um novo lar.
Em épocas como a do Natal, muita gente pensa em presentear
com um bichinho de estimação. Foi o caso de André
Della Serra, que decidiu dar um poodle-toy para sua mãe este
ano, depois de tanto sofrimento com a morte de Snow, com quem a família
conviveu por 17 anos. “Minha mãe ficou muito triste com
a falta dele, resolvi presenteá-la com essa cadelinha e aí...
começou meu pesadelo”.
Dos mambembes aos grandes pet shops: há perigo em todo lugar
André foi mais uma vítima de comerciantes
que vendem animais apenas visando o lucro. Ele descobriu o canil por
meio de um anúncio na internet, ligou e conversou com o dono,
que passou a ficha do filhote por e-mail: teria 55 dias de vida, já
se alimentava de ração seca, estaria vacinado e vermifugado.
Segundo o comerciante, visitas semanais de um médico veterinário
responsável era mais uma garantia de saúde dos animais.
Não foi o que os laudos médicos constataram.
Depois de pagar os 400 reais em dois cheques, André foi buscar
Julie, que veio acompanhada de uma carteira de vacinação
(sem a assinatura de um veterinário responsável), com
recomendações sobre alimentação e cuidados
básicos “escritas em uma folha de caderno”. Depois
de quatro dias, Julie apresentou vômitos e diarréia e
foi levada a uma veterinária, que constatou que o animal tinha
pouco mais de 1 mês, necrose no rabo (uma das vértebras
se soltou na mão da profissional) e poderia nem ter sido vacinada.
A suspeita era de virose, mas a cachorrinha foi levada para outra
veterinária que sugeriu a internação em UTI,
onde realizou vários exames. Julie morreu em 17 de dezembro,
9 dias depois da compra, devido a parvovirose e cinomose. O laudo
final da necropsia apontou que a cadelinha morreu por maus tratos
e negligência do canil, por ter sido desmamada antes do tempo
prescrito. Além disso, não tinha a idade alegada pelo
comerciante, não foi vacinada e teve seu rabo cortado de maneira
absolutamente errada.
André, que gastou 1500 reais para tentar salvar Julie, nomeou
advogado para cuidar do caso e pretende processar o dono do canil
onde comprou a cachorra. “Sem nenhuma responsabilidade, as empresas
que se intitulam ‘canis’ fazem barbaridades com os animais
só pelo dinheiro”, afirma. “Espero que esse processo
sirva de alerta para que as pessoas sejam mais criteriosas na escolha
de seus animais de estimação”.
No caso de grandes lojas, que vendem animais com a documentação
em ordem, carteira de saúde assinada por médico veterinário
e garantias que os filhotes estão em perfeitas condições,
a decepção é ainda maior, já que tudo
parece funcionar bem. Alessandra Schmitt, gerente de marketing, comprou
seu filhote da raça maltês em novembro deste ano num
pet shop localizado dentro de um shopping center. “Os donos
me pareceram idôneos, não imaginei que pudessem ser meros
vendedores preocupados unicamente com o dinheiro”, afirma. Luke
morreu em pouco mais de uma semana, devido a “tosse dos canis”,
doença que ataca o aparelho respiratório. “Pelo
estágio em que estava, o veterinário que cuidou do Luke
garantiu que ele já veio do canil com a doença”,
observa Alessandra.
Alessandra, que no ato da compra não se preocupou em conhecer
os pais da ninhada e fez apenas uma tentativa para saber a procedência
dos animais, insistiu em comprar o filhote assim mesmo. Os proprietários
não a deixaram visitar as instalações do canil.
“Eles diziam que os sapatos e a roupa do corpo dos visitantes
poderiam levar doenças para os filhotes das mais diversas raças”,
afirma. “Na hora isso não fez diferença, não
sabia dos riscos, mas hoje me arrependo”. Quando ouvir uma resposta
desse tipo, a primeira coisa que o futuro comprador deve fazer é
desconfiar.
A vista grossa da Prefeitura

Quem costuma andar pelas imediações
do Ibirapuera já deve ter visto um ônibus que faz exatamente
aquilo que a prefeitura e as Ongs de proteção animal
lutam para erradicar. Trata-se de um veículo adaptado, que
fica estacionado nos fins de semana em frente ao portão 7,
na Av. República do Líbano, das 9h às 18 horas.
Na lateral, a inscrição: “Exposição
e venda de filhotes com pedigree internacional”. As fotos e
as cores são chamativas, a promessa do pedigree ilude, e decerto
atraem crianças e adultos deslumbrados com a idéia de
adquirir um cãozinho.
No interior do ônibus, filhotes de diversas raças, em
baias e canis improvisados, encantam as crianças como se fossem
brinquedos de luxo. O comerciante ambulante de filhotes sai da região
de Cotia – a 33 km da capital paulista – para vender animais
numa região com alta taxa de abandono de cães e gatos.
A sensação é de que as ongs de proteção
animal tiram água de canequinha de uma canoa com muitos furos.
O caso ilustra uma realidade que acontece em cada canto do país.
Meire ganha a vida vendendo cachorro e gato à beira de uma
barulhenta avenida em Pirituba, bairro da zona oeste de São
Paulo. Os animais ficam “em exposição” durante
todo o dia, de quinta a domingo, faça chuva ou faça
sol, em gaiolas improvisadas embaixo de uma árvore e sem nenhuma
cobertura.
O local é sujo, os filhotes de várias raças e
aparência mal cuidada ficam misturados, grandes e pequenos,
cães e gatos, cerca de 7 por gaiola. “Filhotes com pedigree
a preços acessíveis”, diz a placa escrita à
mão. Um filhote de pitbull é vendido a 50 reais. “O
pedigree a gente entrega por correio quando chegar”, diz a vendedora.
Quando perguntada sobre a procedência dos animais, é
categórica: “A gente tem um canil em casa, mas moramos
longe daqui, não tem como visitar”. E por que vem vender
aqui? “Porque aqui tem mais saída”, afirma. Além
disso, garante que os animais, aos 45 dias, já têm todas
as vacinas e vermífugos, mas as carteirinhas de vacinação
não trazem a assinatura do veterinário responsável.
Meire vende filhotes no local há 6 anos, sem licença,
e nunca foi impedida pela prefeitura.
É difícil de acreditar que a prefeitura
não tome atitude em relação ao comércio
indiscriminado de animais em pet shops e ambulantes. Anualmente, milhões
de reais são investidos em mega-campanhas de vacinação
nas ruas, resgate, abrigo, alimentação e até
mesmo castração e doação de animais. Todo
esse esforço é inútil, quando se permite que
“criadores” de fundo-de-quintal despejem animais sem critério,
sem veterinários responsáveis, muitas vezes procriando
pais e filhos com doenças genéticas e colocando em risco
a saúde pública. “É um absurdo a proteção
animal gastar o que não tem para resgatar, tratar, castrar
e encontrar um lar para um animal de rua, enquanto a criação
e o comércio seguem impunes, sem fiscalização
e com enorme sofrimento para os animais”, desabafa Marco Ciampi,
presidente da ARCA Brasil.
Clique
aqui para saber mais sobre o comércio ilegal de animais na
matéria Filhotes S.A. 2.
Envie mensagem ao Secretário Municipal do Meio Ambiente de São Paulo e exija a fiscalização e o combate ao comércio indiscriminado de animais domésticos. (Se preferir utilize a carta padrão organizada pela ARCA Brasil)
Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho – Secretário
Municipal do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São
Paulo - eduardojorge@prefeitura.sp.gov.br
(Não esqueça de enviar cópia para comunicacao@arcabrasil.org.br)
Prezado Senhor,
Eu, ________________________________, estou indignado pela falta
de fiscalização por parte da Prefeitura do Município
de São Paulo, em relação às práticas
ilegais de comércio de animais domésticos. O ônibus
“Filhote.com”, que vem de seu canil em Cotia para comercializar
animais em pleno Parque do Ibirapuera, as feiras improvisadas na Av.
dos Bandeirantes, no “Aquário” de Itaquera ou nas
proximidades do Parque Villa Lobos são alguns dos muitos exemplos
do que ocorre por todos os cantos da cidade de São Paulo. Sem
licença, comerciantes vendem animais amontoados em gaiolas,
sem as mínimas condições de higiene, sem veterinários
responsáveis e sem garantia de saúde – a maioria
é vendida com menos de 60 dias, período recomendado
para que o filhote seja encaminhado para um novo lar.
Essa prática, além de desrespeitar os direitos dos animais,
estimula o abandono. As entidades de proteção animal
e a própria prefeitura investem recursos em campanhas de vacinação,
castração, doação e conscientização,
lutam para devolver um animal abandonado para a sociedade, enquanto
a administração não fiscaliza a criação
e o comércio, que segue impune e com enorme sofrimento para
os animais.
Como cidadão brasileiro(a), exijo que haja fiscalização
atue em todos os casos de comércio ilegal e imoral de animais
domésticos na cidade de São Paulo.
Atenciosamente,
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