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Vitela - Janeiro de 2007

Menos crueldade nas mesas da Europa e EUA.
Enquanto isso, no Brasil crescem as opções de vitela e foie-gras

 

A partir de 2007, a União Européia (UE) mudou sua legislação quanto à criação da vitela e passou a exigir um melhor tratamento aos bezerros criados para esse fim. Os filhotes não mais poderão ser confinados em pequenas baias – onde são incapazes de girar o corpo – e passarão a ser criados em grupo. Os minúsculos cercados de madeira foram proibidos na Grã Bretanha em 1990, após décadas de protestos elas entidades de proteção animal.

A conquista, considerada histórica, soma-se a outras iniciativas recentes em todo o mundo para diminuir a crueldade com os animais criados para o consumo humano. É o caso da cidade de Chicago (EUA), que proibiu a comercialização de foie gras em abril de 2006. O estado da Califórnia, segue a tendência e já tem lei aprovada que acaba com a fabricação e venda do produto a partir de 2012. Já a cidade de York, no Reino Unido, colocou em votação (adiada em janeiro e ainda sem data de retorno) a proibição dos restaurantes venderem o prato. A Grã-Bretanha, assim como a Alemanha e Israel não permitem a produção em seus territórios.

Enquanto nos lugares do mundo com maior consciência ecológica o modo de produção desses alimentos é colocado em cheque, no Brasil, a popularização de pratos como a vitela e o foie gras leva a crueldade animal para um número de mesas cada vez maior. Em São Paulo, esses itens podem ser adquiridos com facilidade em mercados, empórios e mercearias dos bairros de classe média alta, além de constar no cardápio de vários restaurantes da cidade.

A produção dessas comidas é caracterizada por submeter os animais a situações de grande sofrimento físico e psicológico. Em ambos os casos os bichos têm uma alimentação que desrespeita as suas necessidades biológicas e são manuseados de forma grosseira.

 

Um bebê anêmico

A vitela é um bezerro que, para ter sua carne macia e com uma coloração clara, é separado de sua mãe logo no primeiro dia de vida e passa a receber um tratamento específico. Os animais são colocados em pequenos compartimentos ou amarrados, de forma que não possam se mover e seus músculos não se desenvolvam, deixando a carne tenra.

Como alimento, esses filhotes recebem apenas leite, não podem pastar e muitas vezes se encontram em quadro anêmico. Com o organismo debilitado, recebem grandes doses de antibióticos para não adoecerem e continuarem vivos. Eles ficam de quatro a seis meses sob essas condições, quando são encaminhados para o abate.

 

Engorda forçada

A fabricação do foie gras – fígado gordo na tradução literal – consiste no inchamento deste órgão em patos e gansos, causado por uma hiper-alimentação forçada pelos criadores. Isto acontece alguns dias antes do abate, quando os animais passam a receber uma quantidade exagerada de comida. Uma mistura de gordura e cereais é introduzida diretamente em seus estômagos por um funil de até 30 cm e, após isso, um anel é colocado em seus pescoços para que não possam regurgitar.

Muitos dos bichos têm partes de seu organismo rompidas durante o processo e conforme vão dilatando, perdem a capacidade de se mover e passam a respirar com dificuldade. O resultado é um fígado deformado e de dez a doze vezes maior do que seu tamanho natural. É com essa material que os chefes prepararão pratos caros e considerados “chiques”.

 

Para não alimentar a crueldade

A maioria das pessoas não têm conhecimento sobre como estes pratos são preparados. Os próprios vereadores de York adiaram a votação para proibir a comercialização do foie gras com a intenção de pesquisar mais sobre o tema. Com alguma informação e um pouco de consciência, fica fácil perceber que o preço de saciar paladares exóticos cultuados em alguns ramos da culinária não é apenas o seu valor em dólares, euros ou reais, mas todo o sofrimento causado aos animais que lhe deram origem. Os países da Europa e parte dos EUA dão sinais concretos que este custo não vale a pena.

Se você freqüenta algum estabelecimento que mantém foie gras ou vitela em seu cardápio e quer mostrar a sua indignação, pode imprimir esta mensagem criada pela ARCA Brasil e colocá-la junto a conta na hora do pagamento:

 

Caros Senhores,

 Há poucos instantes estive em seu restaurante/estabelecimento. Poderia ter sido um momento de descontração e prazer, não fosse pela desagradável constatação de que “Vitela”e/ou “Foie Gras” faz(em) parte de seu cardápio.

Diversas investigações comprovam o grande sofrimento imposto aos animais na produção desses itens, apenas para atender um capricho humano e satisfazer paladares. Essa prática – que sofre constantes protestos e mesmo proibições em países como EUA, Inglaterra e França – é repudiada pela grande maioria dauqeles que tomam conhecimento desses fatos.

Lamento informar, mas caso decida manter essa opção em seu cardápio, nem eu ou qualquer pessoa de meu circulo de amizades voltará a freqüentar seu estabelecimento.

 

Ass. _______________________________

 

Contato (opcional): _________________

 


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