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Síndrome Vestibular - Abril de 2007

Tingo passa pelo Vestibular. E sobrevive...
Conheça a Síndrome Vestibular, o mal que pode ter acometido nosso mascote

Na última edição do Notícias da Arca, informamos que Tingo havia sido levado para o hospital veterinário da FMVZ-USP com um quadro clínico neurológico. Muitas pessoas mandaram suas mensagens de apoio e procuraram por notícias do nosso mascote. Após uma bateria de exames, os médicos concluíram que o mais provável seria que Tingo estivesse com uma anomalia chamada inusitadamente de Síndrome Vestibular. Leia a seguir um relato minucioso sobre os sintomas apresentados por Tingo, intercalado com uma entrevista com a médica veterinária Helena Arantes do Amaral, uma das pessoas que o atendeu:

Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil, buscou Tingo no pet shop às 13 horas no dia 03 de março. Era um dos dias mais secos do ano, com umidade relativa do ar em apenas 20%. Quando retirou o cão do carro, notou que este não conseguia manter-se sobre as quatro patas e apresentava uma curvatura para a esquerda como se estivesse em uma crise de labirintite.

ARCA Brasil - Como funciona a síndrome vestibular?

Helena Arantes do Amaral - O sistema vestibular é responsável pela manutenção da postura e equilíbrio da cabeça e do corpo. A síndrome vestibular ocorre devido à lesão neste sistema, podendo ser central (tronco encefálico ou cerebelo) ou periférica (orelha interna). Podem se manifestar por meio de inclinação de cabeça, quedas, rolamentos, nistagmo (movimento rítmico e involuntário dos olhos), estrabismo (desvio dos olhos) e ataxia (incoordenação) e vômito, associados ou não.

Marco pensou que Tingo estivesse com alguma dificuldade motora e planejou fazer uma massagem nele para aliviar e relaxar seus músculos. Para realizá-la precisaria deixar o bicho em pé, mas notou que a cada tentativa, ele se debatia como se estivesse caindo.

ARCA – A síndrome é permanente?

Helena – Dependendo da sua causa, o animal pode melhorar através de mecanismos de compensação. Cães e gatos com síndrome vestibular idiopática desenvolvem sintomatologia aguda e não progressiva, geralmente de um lado do corpo e podem melhorar sem tratamento em 72 horas, podendo estar normais entre 7 e 21 dias. Alguns animais a inclinação da cabeça pode persistir.

Prestando atenção ao quadro que o bichinho apresentava, Ciampi notou os olhos de seu companheiro girando em círculo e teve a certeza de que era um quadro neurológico. Nesse instante comunicou-se com várias veterinárias envolvidas com a situação do Tingo, que concluíram que o melhor seria levá-lo ao Hovet (Hospital Veterinário da USP).

ARCA - Quais são as causas?

Helena - As principais causas ocorrem em decorrência de otite interna [infecção no ouvido], utilização de fármacos ototóxicos, inflamações, neoplasia ou metástase, neuropatia, doença vestibular congênita, trauma, tóxica e vascular ou por causa desconhecida [doença vestibular idiopática].

No Hovet, vários médicos o auxiliaram e, após alguns exames, Helena Arantes do Amaral, Mestre em clínica veterinária pela FMVZ-USP, atualmente se especializando em neurologia, pouco a pouco logo percebeu a possibilidade de que Tingo estivesse sendo acometido por uma Síndrome Vestibular, afinal ele apresentava todos os sintomas desse mal.

ARCA - Como saber se um animal está com Síndrome Vestibular? Ela deixa seqüelas?

Helena - Nos quadros agudos os sintomas são facilmente percebidos, mas nos casos lentamente progressivos, os proprietários podem demorar em perceber as alterações. No caso dos animais com vestibulopatia congênita a inclinação da cabeça associada ou não a surdez geralmente persiste, em casos de neoplasias outras alterações poderão aparecer.

Segundo a médica, o stress do dia quente e seco no pet shop pode estar relacionado à manifestação da síndrome vestibular idiopática (sem causa conhecida). Outra causa não totalmente descartada foi uma disfunção hepática encontrada nos exames de Tingo enquanto seu mal era investigado. Mas a disfunção dificilmente é associada à síndrome. Outros motivos seriam um possível desenvolvimento de outras doenças neurológicas no futuro ou o bicho ter tomado fármacos ototóxicos algum dia em sua vida.

ARCA - Que tipos de cuidados devem ser tomados com o animal quando ele sofre dessa síndrome?

Helena - Procurar um médico veterinário que direcionará o tratamento de acordo com a causa, se animal estiver apresentando rolamento, confiná-lo em ambiente protegido para evitar traumatismos secundários.

Tingo ficou cerca de uma semana sem poder se levantar, com os olhos girando em torno da órbita. Parecia reconhecer os que estavam a sua volta, mas estava com uma expressão assustada e começava a arfar de repente. Teve que usar sonda para urinar e foi alimentado na boca durante esse período.

ARCA - Ela pode ser prevenida, de alguma forma?

Helena - Na maioria das causas não. É importante vacinar regularmente os animais de estimação e tratar corretamente as otites, sempre seguindo as orientações do médico veterinário. Restringir o acesso a produtos tóxicos e evitar administração de medicamentos por conta própria.

Aos poucos o movimento do globo ocular foi se normalizando e o cão foi se esforçando cada vez mais para se erguer. Dois dias depois, Tingo conseguia caminhar com dificuldades. Dali a mais dois dias já andava pela casa. Na mesma ocasião, deu um latido e brincava (da sua maneira contida), demonstrando ter recuperado o humor após a convalescença. Ainda hoje sua cabeça continua um pouco inclinada e, de vez em quando, ele parece que vai perder o equilíbrio. A veterinária avisou que ele poderia ter o problema novamente mas, dessa vez, para o lado direito. Em sua última consulta, uma das médicas mais experientes do Hovet resumiu: “Tingo é um Highlander!”.

Conheça a história de Tingo


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