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UTI veterinária - Parte 1
- Maio de 2007
UTI veterinária - parte 1
Saiba o que esperar da tecnologia de ponta e dos profissionais especializados em terapia intensiva animal
Incubadora, monitores cardíacos e respiratórios, soro, protocolos anestésicos, médicos de olho no relógio para que os remédios sejam administrados nos horários corretos. A medicina veterinária parece cada vez mais com a humana. Resta saber se os seus serviços estão prontos para atender as emergências dos nossos companheiros, principalmente nas UTIs, setor em um hospital que sugere quadros de maior gravidade dos pacientes e monitoramento dos animais em tempo integral.
“Um animal deve ser levado para a terapia intensiva nas situações em que corre risco de vida, quando precisa de atenção 24 horas”, explica a médica veterinária Andreza Conti, responsável pela UTI do Provet, em São Paulo. Segundo ela, uma unidade de terapia precisa, antes de tudo, profissionais gabaritados, e, de maneira complementar, aparelhos como os de oxigenoterapia, gasometria, monitor de pressão invasivo e não-invasivo, banho de infusão, ultra-sonografia tridimensional, videolaparoscopia, entre outros.
Na UTI, o animal deve ficar sob observação dos veterinários por tempo integral e as visitas feitas apenas em horários programados. Relatórios sobre a alimentação, medicação e possíveis melhoras ou pioras de quadro devem ser constantes.
De acordo com a doutora Evelise Gomes de Oliveira, do Hospital Koala, região dos Jardins em São Paulo, os motivos que mais levam os cães e gatos a serem internados são traumas (quedas ou atropelamentos), internação pós-cirúrgica, intoxicação, diabetes, gastrenterite (infecção no estômago e/ou no intestino) e doenças infecciosas como a parvovirose, a sinomose e a PIF. “É muito importante que a UTI tenha um ambiente separado para esses tratamentos”, afirma a médica).
Para cuidar dessa demanda, os hospitais que oferecem este tipo de serviço disponibilizam, geralmente, 3 veterinários que se revezam dia e noite com exclusividade total, como é o caso do Hospital Koala e da Provet. Outros, se organizam com rodízio entre profissionais das diversas áreas do Hospital, como é o caso do Sena Madureira, na Zona Sul da capital paulista.
Um serviço ainda recente
A maioria das UTIs para animais tem menos de dez anos de existência. A recente implementação do serviço, aliado à aparelhagem ainda em desenvolvimento, explica porque os índices de eficácia estão distantes de alcançar os níveis de qualidade dos tratamentos em humanos.
Uma carência freqüente é o tamanho reduzido das salas de UTI. A maioria desses locais foi adaptada de antigas clínicas e as áreas destinadas para a internação tendem a ser pequenas. O Dr. Archivaldo Reche Junior, chefe do departamento de clínica médica do HOVET (hospital veterinário da USP), explica que este quesito, apesar de não influenciar na recuperação dos pacientes, pode prejudicar a movimentação dos profissionais médicos e dos enfermeiros nos momentos de urgência. “O espaço depende da estrutura do hospital e de sua casuística, embora o recinto deva ter tudo que seja utilizado em uma situação de emergência.”, diz o veterinário. Ele lembra que além dos profissionais e dos animais, as salas de UTI devem conter os remédio e aparelhos necessários nos casos de urgência.
E completa dizendo que o ideal seria que cada veterinário da internação ficasse responsável por apenas três ou quatro pacientes internados junto com um enfermeiro e um plantonista estagiário (aluno de graduação ou mesmo veterinário formado). Essa equipe deve ter o apoio de profissionais especializados em anesteologia, caso haja necessidade de uma sedação. Dr Reche também alerta para a questão dos animais com doenças infecciosas. “É necessário um ambiente isolado. E o pessoal que trabalha com esses animais não deve ter contato com os outros pacientes”, explica.
Outro agravante, é a falta de formação para profissionais que trabalham com assistência intensiva. Segundo Archivaldo, essa área inda deixa um pouco a desejar. “O aluno vai ter que fazer estágios. Aquele que se interessar pela área de atendimento intensivo terá que buscar locais onde esse serviço está disponível, seja no Brasil ou fora dele. Nós damos embasamento mínimo teórico e prático para que ele tenha condições de buscar esse aperfeiçoamento posteriormente”, resume.
Como as faculdades ainda não estão preparadas para a especialização quem quer correr atrás desse prejuízo pode recorrer aos poucos cursos disponíveis como os do IVI (Instituto Veterinário de Imagem), junto ao Hospital Veterinário Pompéia, ambos na Zona Oeste. ou por treinamentos oferecidos dentro dos hospitais que oferecem esse serviço. Quem quer ir mais longe pode recorrer a cursos da medicina humana, que por ser mais avançada, pode acrescentar conhecimentos importantes, como faz a doutora Andreza Conti. “Não perco uma chance de freqüentar cursos, como os do Incor, que faço junto com o meu marido que estuda medicina”, revela.
(continua nas próximas edições)
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