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Hotel dos Horrores - Junho de 2007

 

Hotel dos horrores em Anápolis
Ativistas impedem médico de usar trezentos cães como cobaia em curso promovido numa estância de férias

 

Entre os dias 5 e 11 de junho, cerca de 300 cães encontrariam a morte no Hotel Fazenda Estância Park, localizado na cidade Anápolis (GO). Os animais – alguns com coleiras, o que sugere que tenham proprietários – foram capturados nos últimos dias pelo CCZ para serem usados como cobaias em um curso de laparoscopia, ministrado por um médico particular, Luiz Henrique de Souza. O curso acontece há 10 anos – em maio de 2006 foram 250 cachorros mortos – e seria repetido este ano apesar de todos os protestos.

O médico provavelmente ignora que estudos científicos nacionais e internacionais comprovam que o uso de animais no ensino não é mais necessário, uma vez que todas as técnicas já possuem métodos alternativos de aprendizagem (saiba mais). Além de fugir dos princípios éticos sobre os quais ele jurou ao se formar, atitude deste profissional é irregular por desrespeitar leis e regulamentações quanto à vivisseção e à destinação adequada aos animais capturados pelo CCZ.

Está sendo violado – ao menos – o 3º artigo da Lei 6.638, de 08 de maio de 1979 que versa sobre as normas para a prática didático-científica da vivisseção de animais e que diz não ser permitido o procedimento em animais que não tenham passado por um período de 15 dias em biotérios legalmente autorizados.

Mobilização obtém sucesso
Ativistas protetores dos animais de todo país - principalmente de Goiás e São Paulo - se mobilizaram através de diversas tentativas de impedir que o curso se realizasse. Enquanto um grupo em São Paulo balizou toda a movimentação a distancia, outro grupo se reuniu na cidade de Anápolis com o propósito de organizar protestos locais e intervir juridicamente junto à justiça do município. O conjunto apresentou uma Ação Civil Pública e uma Medida Cautelar para brecar a realização do evento.

Segundo informações por telefone de George Guimarães, do grupo Veddas (*), que atua diretamente na ação, o uso de animais para realização do curso foi embargado pelo IBAMA por uma questão de saúde pública. Os organizadores do curso, que ainda tentaram um mandato de segurança para poder utilizá-los, conseguiram a liberação para prosseguir com a vivisseção de porcos e deram andamento ao encontro com um dia de atraso. “Infelizmente, ainda não conseguimos liberar os suínos, mas continuaremos tomando as medidas jurídicas necessárias”, revela George.

Após essa vitória parcial, os envolvidos assumem uma nova batalha: criar um plano de emergência para abrigar de maneira adequada e posteriormente doar os animais. Porque todos concordam que o acúmulo de animais por si só, não representa qualidade de vida.

 

(*) Veja mais fotos e informações no site do grupo Veddas

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