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UTI veterinária - Parte 2
- Junho de 2007
UTI veterinária - parte 2
Saiba o que esperar da tecnologia de ponta e dos profissionais especializados em terapia intensiva animal
Na última edição do Notícias da ARCA, foi apresentada a primeira parte da reportagem (leia aqui) sobre as UTI’s para animais. As doutoras veterinárias Andreza Conti e Evelise Gomes falaram sobre os tipos de aparelhos que devem fazer parte de uma Unidade de Terapia Intensiva e o doutor Archivaldo Reche mostrou as necessidades que a organização destes ambientes precisa, ou precisaria, cumprir.
Confira a seguir a continuação da reportagem, que tem como intuito mostrar os aspectos sobre os quais os usuários das UTIs devem estar atentos para evitar sofrimento desnecessário para eles mesmos e para os seus animais:
A veterinária Flávia Renata Gussoni que trabalhou durante dois anos e meio na UTI de um tradicional hospital veterinário da cidade de São Paulo traz algumas vivências que ilustram e denunciam falhas no sistema de funcionamento das terapias intensivas para animais.
Flávia conta que, dependendo do veterinário que está trabalhando na UTI, os animais ficam sem o acompanhamento de profissionais na sala de internação. “Tem muitos veterinários que não ficam na sala [de internação] fora do horário de medicação se os pacientes estão estáveis. Isto não é correto, pois se um animal está na UTI, tem algum desequilíbrio e, dependendo do problema, pode descompensar a qualquer momento, o médico tem que estar atento para isso”, denuncia.
A médica veterinária, que chegou a cuidar sozinha de 15 bichos por falta de pessoal, acredita que outro grave problema é a contratação de veterinários em início de carreira para trabalhar na área. Esses profissionais recebem menos e caso tenham dúvidas quanto aos procedimentos que devem seguir, não passarão por constrangimentos, uma vez que os proprietários só fazem visitas com horário marcado.
Flávia revela que o maior problema da UTI está nas relações humanas: “A maioria dos veterinários não sabe lidar com os donos de animais. O proprietário que está disposto a pagar pelo custo desse serviço, tem o animal como parte da família e os médicos não sabem lidar com isso” observa ela e ressalta a falta de paciência e compreensão por parte de alguns médicos para com as pessoas que entram em crise ao ver seus animais definhando.
A veterinária garante que apesar de todas as deficiências, a UTI não é uma coisa ruim, pelo contrário, é boa, mas tem problemas porque há pessoas despreparadas trabalhando na área.
Questão de vida ou morte
Apesar dos pequenos problemas, a UTI continua sendo o lugar mais indicado para o bicho que precisa de observação em tempo integral. A rapidez do dono em socorrer seu animal e um trabalho bem feito por parte dos médicos veterinários (no primeiro atendimento, na eventual cirurgia e depois, na internação), são fatores decisivos para sobrevivência do bicho.
Isso aconteceu com a gata siamesa Sessé. A advogada Lílian Oliveira, sua dona, a deixou em pet shop para tomar banho. Como a gata era sapeca, a veterinária responsável pelo local deu tranqüilizante para o animal, mas errou na mão e aplicou uma dose cavalar literalmente, pois a quantidade da substância daria para sedar um eqüino. “À noite ela começou a espumar, tremendo e depois ficou sem reagir”, conta Lílian. Naquela madrugada a proprietária levou o animal o mais rápido possível para ser atendida. A gata passou uma semana internada, sob observação e tratamento. Essas atitudes foram fundamentais para Sessé, que se recuperou e viveu mais cinco anos após essa data.
Custo e confiança
O doutor Archivaldo Reche Junior concorda que a UTI é um serviço caro, mas não vê maneira de baratear o seu custo. Como ele explica, pacientes que não tem condições de pagar pelo serviço, devem voltar para casa: “Se ele não tem condições financeiras de arcar com os custos de um hospital particular, recebe a melhor assistência possível dentro do Hovet [Hospital Veterinário da USP] e depois leva o bicho para casa e, com as instruções do veterinário, tenta manter esse animal nas melhores condições possíveis para voltar no dia seguinte”.
Ele também revela que em breve o Hovet terá uma área de internação, embora os horários de atendimentos continuem os mesmos. O serviço, assim como os outros prestados pelo hospital, será pago e será administrado pela USP, que é um centro de referência na construção de conhecimentos e saberes da veterinária.
Pela quantidade de profissionais envolvidos (desde o manobrista, até enfermeiros e médicos plantonistas) e de aparelhos tecnológicos, os serviços da UTI acabam por ter um custo que pode chegar a R$ 500,00 para uma diária de internação. Vale pensar que preço alto e máquinas avançadas não são sinônimos de um serviço confiável e de qualidade. Os hospitais veterinários têm diferentes maneiras de se organizar e pequenas diferenças na tecnologia. Veja a seguir o que procurar para medir a confiabilidade destes locais:

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