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Proteção animal no Mexico - Julho de 2007

¡Adelante hermanos!
Os desafios da proteção animal no México em entrevista com Mônica Pineda, da Gepda

Problemas mais ou menos parecidos, separados pela linha do Equador. Os animais também sofrem muito no México, mas assim como no Brasil, há quem esteja olhando por eles. Um bom exemplo é dado pela ong GEPDA (Gente Por la Defensa Animal). Apesar dos 3 milhões de animais abandonados apenas na capital mexicana, um CCZ que sacrifica os cães por eletro-choque, 560 espécies em extinção e centenas de milhares de animais silvestres vitimas do comércio ilegal, desde 2000 o grupo se organiza para mudar este cenário.

Com ações focadas na educação e outras mais imediatas, a GEPDA dá passos sólidos no sentido de um trabalho sustentável. Ao invés de abrigos – que quase sempre se tornam depósitos de animais –, a ong estimula os lares transitórios: pessoas cedem espaço em suas casas para um ou dois animais enquanto são preparados para a adoção, permitindo que recebam atenção e qualidade de vida enquanto aguardam um lar definitivo.

A educação humanitária é outra importante bandeira levantada pelo grupo. Conversamos com a jornalista Monica Pineda, presidente da GEPDA sobre esses e outros temas da proteção animal, em uma entrevista franca e “apimentada” que você confere a seguir:

Monica, quais são os desafios para a proteção animal no México?
Pelo que pude perceber durante a apresentação de Marco Ciampi na Animal Care Expo 2007, Brasil e México têm desafios muito parecidos. Na verdade, todos os países da América Latina parecem ter os mesmos problemas em relação à proteção animal.

No nível político, a corrupção e a desonestidade atingiu todos os níveis do governo, dos funcionários mais elementares aos altos escalões. Também a burocracia, que complica os processos e muitas vezes os impede de serem realizados. Além disso, os governantes são ignorantes e apáticos. Eles não têm conhecimento sobre a existência de leis que visam o bem-estar animal ou não sabem como agir para que sejam respeitadas. Em sua maioria estão preocupados em encontrar formas de roubar dinheiro enquanto trabalham no governo.

A pobreza da população do México e dos países da América Latina em geral, só vem agravar este cenário. Cerca de 30% das pessoas vive abaixo da linha de pobreza. Isto faz com que a proteção animal seja um dos últimos itens da agenda moral, esquecendo-se que também é uma questão de saúde pública, como no caso da superpopulação de cães e gatos.

A cultura do país também não colabora. Cerca de 20% da população tem escolaridade deficiente, o que faz com que sempre nos deparemos com a ignorância. Por outro lado, somos um país preconceituoso com negros, mulheres e indígenas. Por aqui se ridiculariza a condição social, a maneira como se veste e como se anda, imagine onde fica o animal com tudo isso.

Neste panorama, como vocês sobrevivem diante desta falta recursos?
É extremamente difícil. Não temos uma cultura de filantropia. Basicamente, sobrevivemos de doações vindas dos voluntários e dos próprios membros. Temos duas estratégias para levantar fundos: participar de eventos da comunidade, promovendo e apoiando o bem-estar animal e os direitos dos animais com o nosso stand. A outra maneira é através da venda do CD “LabA Música Horizontal” do conhecido músico mexicano Alonso Arreola.

Que tipos de projeto são realizados pela GEPDA?
Trabalhamos no macro e no micro: Ao mesmo tempo em que buscamos fazer com que a lei de proteção animal do México seja respeitada e cumprida, usando tanto as vias da justiça como a pressão da sociedade civil, atendemos e acompanhamos denúncias e processos de maus-tratos aos animais. Oferecemos palestras e impressos que promovem o respeito aos animais e a diminuição da superpopulação de cães e gatos, além disso, fornecemos medicamentos e materiais necessários para castrações.

Também trabalhamos com adoções, trazendo novas oportunidades para animais abandonados ou vítima de maus-tratos. Para isso, não temos abrigo, contamos com o apoio de lares transitórios sustentados por nós. Estes animais são adotados tanto dentro como fora do país.

A população Mexicana tem consciência da importância da castração?
   
Não, os Mexicanos não estão atentos para esta questão. Infelizmente, nosso governo vem matando animais de companhia há 55 anos nos chamados “Centros Antirrabicos”. Lá eles são eletrocutados no caso de ninguém reclamar por eles. Estas mortes são a principal “estratégia” do governo para acabar com a superpopulação.  

Existe uma cultura de posse responsável de cães e gatos no México?
Não, não existe. Há sérias lacunas de conhecimento sobre como os animais de companhia devem ser criados. Apenas na Cidade do México e suas redondezas existem cerca de 3 milhões de cães nas ruas. Muitos proprietários passeiam com seus cães sem coleira nem guia enquanto saem para caminhar. Para não falar que seus donos não tomam nenhuma medida para prevenir acidentes. De acordo com o Ministério da Saúde do México, 110 mil pessoas são mordidas por cães todos os anos em nosso país.

Na sua opinião, qual deve ser a preocupação dos países em desenvolvimento?
A inclusão do tema do bem-estar e prevenção da crueldade contra animais nos livros utilizados pelo ministério da educação.  Promulgar leis com punições adequadas, métodos de fiscalização e execução e cultivar a continuidade dessas leis. Colocar na grande mídia campanhas sobre prevenção da crueldade contra animais (incluindo nos cinemas). Realizar programas de treinamento gratuito sobre comportamento animal para proprietários.

Você assistiu a apresentação do programa Veterinário Solidário da ARCA Brasil durante a Animal Care Expo 2007. O que você acha de envolver esses profissionais em um trabalho cooperativo?   
Eu acredito que é um excelente começo para a América Latina. Os países podem ajudar-se uns aos outros.

Lá foi discutida uma futura parceria entre o Brasil e o México. Quais são os seus comentários sobre isso?
Primeiro é preciso consultar especialistas dos dois países para definir os objetivos e resultados a serem alcançados. É também importante realizar um fórum antes de implementar o programa, bem como envolver a mídia, de forma a nutrir o projeto.

Leia o relatório das atividades da GEPDA.



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