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Cirurgias estéticas?
Associação quer saber o que os profissionais veterinários têm a dizer sobre o tema
No mês de julho, a Anclivepa-SP (Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) decide se apóia ou não oprojeto de lei que proibirá as chamadas cirurgias estéticas (corte de orelhas e cauda) na cidade de São Paulo, além de outras intervenções desnecessárias, como retirada das cordas vocais em cães e da amputação das unhas em gatos. (Saiba mais sobre esses procedimentos). Por meio de circular dirigida aos profissionais veterinários, pede que opinem a respeito e apresenta dois pontos de vista, um favorável e outro contra.
A World Small Animal Veterinary Association (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais), já há alguns anos, condena essas práticas e as classifica como mutilações. O CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária) baniu a cordectomia pelo mesmo motivo. A opinião da Anclivepa-SP é importante por demonstrar o pensamento justamente da categoria que deve se preocupar com a boa saúde desses animais. O peso desta decisão pode ser um fator decisivo para a aprovação ou não da nova legislação.
Sofrimento desnecessário
Uma das questões mais preocupantes é a que se refere à dor. Em uma pesquisa realizada na Austrália se constatou que 100% dos veterinários acreditam que os filhotes sofrem muito durante a caudectomia. A médica veterinária Rita de Cássia Garcia, concorda. "Estudos recentes comprovam que tanto animais quanto bebês recém-nascidos têm um limiar de dor maior do que a de um adulto", explica. Além disso, o sofrimento do animal pode perdurar por muito tempo. “A cauda mal amputada produz um neuroma – inflamação do nervo periférico – que causa dor durante toda a vida do animal”, explica Júlia Matera, diretora do Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP, onde desde 1992 essas cirurgias só são ensinadas para deter doenças. “O caminho para acabar com as intervenções desnecessárias é investir no papel de educador do veterinário”, diz Júlia.
No Brasil a maioria dos veterinários se nega a realizar cirurgias de corte de cordas vocais, orelhas e caudas com objetivos meramente estéticos. A postura destes profissionais reflete a crueldade e a falta de necessidade destes procedimentos que não trazem benefícios para os animais.
A ARCA Brasil, que há mais de dez anos trata do tema em seus congressos de bem-estar animal, convoca seus Veterinários Solidários – que ao tornarem-se solidários se comprometem a não realizar esta cirurgia – a se manifestarem sobre essa questão junto a Anclivepa.
(mande sua mensagem para bemestar@anclivepa-sp.org.br)
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