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Festival de Parintins - Julho de 2007

Boi brincalhão: Parintins celebra o nosso folclore
Cresce o interesse na festa amazônica. Enquanto isso o rodeio é mais uma vez barrado na justiça.

Julho é o mês do tradicional Festival Folclórico de Parintins, que acontece no Amazonas. A festa, que já tem quase cem anos, está cada vez mais popular e atrai centenas de milhares de pessoas anualmente. Dois grupos - o do boi Caprichoso e do boi Garantido - se apresentam no "bumbódromo" com danças, narrativas de contos indígenas, entre outras atrações.

O enredo principal é baseado na cultura do boi medieval, trazido para a ilha de Parintins por migrantes nordestinos durante o Ciclo da Borracha. A narrativa que compõe o folclore envolve animais, mas por lá, eles são sempre representados por sofisticados bonecos, numa festa legitimamente brasileira e sem nenhum mau-trato contra os animais.

Segundo Paulo Dias, músico e pesquisador do folclore nacional e fundador da Associação Cultural Cachuera! em São Paulo, o boi surge como personagem mascarado em algumas culturas africanas, que ressaltam o seu caráter de divindade neste tipo de comemoração. De acordo com ele, Parintins e outras festas de bois, como o Bumba-meu-boi no Maranhão, também podem ser uma referência à escravidão: "Para o escravo africano, o boi representava o animal de tração que movia engenhos, praticamente um companheiro de trabalho." Segundo Paulo, o animal - símbolo de potência física, força e trabalho - é sagrado em muitas outras culturas do mundo, entre elas, algumas que formam a nossa nacionalidade.

No ritual encenado em Parintins, o animal morre e ressuscita. Paulo faz um paralelo com o Cristianismo, uma das vertentes religiosas mais importantes da nossa cultura. "Essa analogia nos permite meditar sobre a dimensão de sacralidade do animal nessa representação popular", completa.

A Festa do Parintins é um saudável exemplo de como a relação entre homens e animais merece ser festejada e comemorada. Reúne diversos componentes de nossa cultura, com influências africanas, indígenas, e européias, mantendo uma importante relação com a natureza, homenageando-a ao invés de maltratá-la.

Rodeio, glamour em decadência
Enquanto isso, no sudeste, seguem as polêmicas em torno dos rodeios. Por mais um ano consecutivo o rodeio de Mauá (SP) é barrado pela justiça. A prefeitura da cidade ainda tenta recorrer junto ao TJ (Tribunal de Justiça), mas por enquanto mantém-se válida a lei municipal 3.967/06 que proíbe a realização de rodeios e touradas.

A Festa do Peão de Barretos, maior rodeio do país, segue cada vez mais estigmatizada. Ano-a-ano e o evento tem acumulado decepções em relação ao seu público: em 2000 apareceram 600 mil quando eram esperadas 1,5 milhão de pessoas. Este ano as expectativas da organização do evento diminuíram bastante e são esperadas apenas 850 mil pessoas, um número baixo em comparação às perspectiva de sete anos atrás.

A cultura do rodeio vem dos Estados Unidos, país onde também sofre pressões por parte das entidades de proteção animal, como a Humane Society. Em nosso país tenta confundir ao misturar atrações tradicionais, como a Catira, entre suas apresentações. Habitantes de Barretos têm comentado a queda na freqüência do público e que a maior parte das pessoas se interessa apenas pelos shows musicais. Isto leva os organizadores a investir cada vez mais em atrações originadas fora do rodeio antes, entre ou depois das provas.

Em Limeira, a decadência é ainda mais visível: um dos maiores patrocinadores, a Unimed, deixou de construir sua tenda dentro do evento e a conhecida coroação da rainha deixou de acontecer no principal clube da cidade. Segundo testemunhas, o rodeio em Limeira tornou-se uma festa sem glamour, marginalizada.

Saiba mais sobre os bastidores dos rodeios.



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