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Eliane e Sofia
Eliane de Oliveira Rodolpho, supervisora de vendas, tinha se mudado de São Bernardo para São Paulo. Estava morando sozinha e queria companhia. Começou a procurar por cães que tinham a ver com ela. “Não poderia ser um animal grande e eu queria uma fêmea porque já tenho experiência com elas”, conta.
Ao procurar em uma clínica, conheceu uma cachorrinha que tinha sido abandonada durante a madrugada. “Era completamente cega, tinha os dois olhos colados e a boquinha também. A veterinária perguntou se era sério quando eu disse que queria adotá-la”, revela Eliane. A supervisora de vendas havia encontrado Sofia! A veterinária detectou uma doença degenerativa similar ao glaucoma e a cadela foi medicada. “Naquele mesmo dia fui trabalhar e no fim do expediente voltei para buscá-la”, relembra.
A partir de então, Eliane não ficou mais sozinha. “Ela me deu muito carinho, alegria. Quando estou conversando, ela quer participar também, põe a cabeça no colo da gente para receber carinho”, derrama-se Eliane. Com o tratamento, Sofia voltou a enxergar, mas sempre tem crises. De acordo com especialistas, vê apenas vultos. Mas isso não impede que ela seja esperta, bagunceira e muito feliz. “Ela conhece a casa pela memória”, finaliza a dona.
Benedito e Satine
O advogado Benedito Valdemar Labianco tinha uma gata que ficou doente e que, apesar das tentativas, infelizmente não conseguiu salvar. “Ela era filha da Gata Luna que também faz parte da minha vida”, conta.
Um dia, no pet shop de um shopping em São Paulo, ele pediu para Andrea Podolski (projeto Bicho no Parque) o folheto de adoção para dar uma olhada. Neste instante ele conheceu Satine: “Foi amor a primeira vista. Andrea me perguntou se eu iria querer ela assim, adulta e cega de um olho. Eu disse que justamente por isso a queria, porque ela precisava de mim”.
“A primeira semana foi difícil. Avisei a Andrea e recebi todo apoio”, revela o advogado. Ele ficou preocupado porque Satine queria ficar só em um canto, sem nunca sair. Ele colocou água e comida próximos ao local e foi se aproximando aos poucos. Foram meses nessa dificuldade, mas aos poucos foi ganhando a confiança da bichana.
Benedito diz que demorou quase um ano para ela se sentir completamente adaptada. “Hoje ela disputa com a Luna um lugar no sofá. Quando vou me deitar, costumo sentar na cama e chamar pela Satine, dizendo: ‘vem dormir filha’. Ela vem e se aloja ao meu lado. Depois chamo a Luna, que geralmente dorme nos meus pés”, narra o dono.
Benedito não tem mais animais pois mora em um apartamento e não tem espaço para outros. Quando perguntam de qual delas gosta mais, não hesita: “É impossível responder, as duas são a minha maior felicidade, faço tudo para elas”.
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