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Ataques, abandono e sofrimento
Onda de acidentes com cães confirma a importância da escolha correta do animal. Confira as recomendações dos especialistas Dennis Martin e Rubia Burnier

O crescente número de acidentes e de abandono de pit bulls motivaram a ARCA Brasil a conversar com dois dos maiores especialistas em comportamento animal do país para saber o que é preciso saber antes e depois de levar um cão para casa.

Confira o resultado:


“Todo cão precisa de educação e todo o dono de orientação”

Assim o educador e perito em comportamento animal, Dennis Martin, resume a regra de boa convivência entre o homem e animal de estimação. Ele diz não ser possível estabelecer um critério que combine um tipo de família com determinada raça de cão. Segundo ele, o comportamento de cada animal depende de como foi criado antes de conviver com o seu proprietário e, depois, como é tratado em seu lar.

De acordo com Dennis, o ponto de partida para a escolha do cão certo pode começar com a perguntas: "Que tipo de família somos?", "Quantos adultos, idosos e crianças convivem na casa?" e "Qual nosso estilo de vida?". Segundo ele, são questionamentos que vão ajudar na definição.

Em sua opinião, não importa qual o cão escolhido. É a família que deve se organizar para oferecer espaço, atenção e lazer ao novo membro, além de alimento de boa qualidade, abrigo e cuidados médicos. Ele propõe que todos reflitam sobre o quanto cada um está disposto a modificar o seu modo de vida para ter um cachorro.

Quanto ao mal-afamado o pit bull, o especialista não faz grandes distinções em relação à outras raças: “Ele precisa de exercícios como todo o cachorro com o mesmo porte e peso, a exemplo do labrador e do doberman. Além disso, um cocker spaniel, um poodle ou um pit bull podem ser agressivos da mesma maneira, apenas a força é que muda”.  Segundo ele, a única coisa de diferente do animal em relação aos outros cães é a necessidade ainda maior de ser socializado. Ele também desencoraja o costume de praticar brincadeira em que o cão utilize a boca, por causa de sua força, e adverte: “Quem quiser ter um cão dessa raça nunca deve estimular comportamentos possessivos e agressivos”.

Medo, estresse, ciúme e estímulos

Rúbia Burnier, veterinária e especialista em comportamento animal que pesquisa a agressividade canina há mais de 15 anos, também acredita que os indivíduos caninos têm diferentes personalidades. Apesar disso, não descarta as características genéticas de raças como o pit bull. “Ele é um cão que foi selecionado artificialmente para agressividade e se não for bem educado, em situações de medo, estresse, ciúme e estímulos não apropriados, pode atacar”, explica.  De acordo com ela, não se pode falar em uma índole má do cão, que apenas segue o seu instinto.

Ela propõe um treinamento de obediência para cães da raça e diz que já recuperou inúmeros em sua clínica. A veterinária aconselha que qualquer um que resolva ter um animal se comprometa com os princípios da posse responsável, o que pode evitar acidentes.

Sua recomendação é conhecer as ninhadas e optar sempre pelos filhotes mais mansos e amistosos. “Evitar situações de estresse, brincadeira bruscas e situações de ciúme, além da educação, pode evitar acidentes. O mais importante é a pessoa confiar em si mesma e no animal”, completa. De acordo com a profissional, 80% dos casos de ataque são gerados por medo e insegurança, sentimentos captados pelos cães. "Como todos os holofotes no momento estão voltados para a raça, as ocorrências aparecem mais, gerando mais medo e abandono dos animais, num círculo vicioso".


Motivo por que os cães são agressivos e mordem – Estudo de Rúbia Burnier

- Defesa de seu território, de seu ninho, de sua comida , de seus pertences e para proteger os membros de sua matilha;

- Por antecipação a algo que considere como uma ameaça (movimentos bruscos, presença de um estranho em seu território);

- Quando tocado, manipulado ou como reação a algum estímulo que provoque dor;

- Quando condicionado a não tolerar presença de outros indivíduos, animais ou pessoas (adestramentos, animais que ficam presos ou acorrentados).

- Privação de comida : cães abandonados na rua que agrediam pessoas que se aproximavam de lixeiras ou restos de alimentos, onde estes animais estavam;

- Privação de abrigo : animais na rua que adotavam como seu território as calçadas, locais públicos ou praças, passando a agredir qualquer indivíduo que se aproximasse dos seus territórios;

- Privação de contato com outros animais e com pessoas, resultando em grande intolerância à presença de estranhos;

- Privação de limites na criação resultando em aumento da dominância dos cães sobre as pessoas e não reconhecimento de autoridade em seu dono;

- Privação de espaço : animais confinados, presos ou acorrentados em áreas de acesso às residências, por período integral ou durante o dia apenas, mas soltos à noite.

Depois da escolha
Os dois especialistas são categóricos ao afirmar que se alguém da casa não sente segurança em relação a um animal, seja ele da raça que for, deve procurar a ajuda de um especialista em comportamento. O profissional deverá trabalhar com o medo da pessoa e com a educação do cachorro ao mesmo tempo, equilibrando a relação.

Qualquer sinal de agressividade e territorialismo devem ser tratados para conquistar a obediência do animal. “O cães precisam aprender a respeitar o espaço dos humanos na casa” explica Dennis Martin. "O dono deve evitar situações que provoquem estresse no animal, como ambiente agitado, falta de espaço ou de exercícios, dieta hiper calórica, ou manter o cão preso o tempo todo. Principalmente, evitar despertar no animal seu instinto de ciúme e posse, procurando mostrar a ele que seu lugar e seu status dentro da matilha está seguro. Porém o trono máximo é do dono!", completa Rúbia. Ela deixa claro que essa dominância não deve ser conquistada por agressões, mas por educação e treinamento.

Os dois especialistas aprovaram o Teste do Proprietário Responsável criado pela ARCA Brasil, que mede o grau de compromisso da cada proprietário ou futuro dono de animal.



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