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Especial

Tingo e ARCA: 9 anos de amor e amizade
ARCA Brasil comemora a presença do companheiro que simboliza a esperança de um mundo melhor para os animais

Há nove anos, nós funcionários e colaboradores da ARCA Brasil temos o privilégio de conviver com o Tingo, um vira-lata doce, charmoso e sábio cuja história mostra como o cuidado e o amor pelos animais pode transformar vidas. Cachorro de rua, Tingo estava maltratado e ferido quando Marco Ciampi, presidente da instituição, o encontrou em Embu das Artes, na Grande São Paulo, em 1998. Desde então, foi capa de revista, ganhou comunidades no Orkut, tem sido o modelo de várias campanhas da ARCA e conquistou uma lista de fãs. Aos poucos, Tingo se transformou no próprio símbolo da luta da ong e a confirmação de que animais de rua, quando bem cuidados, se transformam em maravilhosos companheiros. Por tudo isso, a equipe decidiu dedicar este newsletter ao seu querido mascote, pelos nove anos presente em suas vidas.

Como muitos têm acompanhado, Tingo, com idade estimada em 14 anos, tem apresentado alguns problemas de saúde. Mas ele é incrivelmente forte - ganhou o apelido de Highlander! - e tem superado o que os veterinários dizem que muitos cachorros não suportariam numa luta pela sobrevivência. Tumor de sticker, sarna negra, gastrite, hepatopatia, bico de papagaio, erlichiose, babesia, síndrome no sistema vestibular. Tingo visitou boa parte dos compêndios da medicina veterinária e sempre contou com a competência e sensibilidade dos profissionais da área(*). Ele ensinou que estar sempre atento aos sinais que os animais dão pode corrigir algo que não vai bem. Por exemplo, quando ele apresentou incontinência e fazia xixi em diversos locais, o que parecia ser um gesto de rebeldia, após um exame se revelou uma infecção urinária.

A gastrite é até compreensível para um vira-lata que adora trash food (com seu jeitinho mineiro, discreto, é só descuidar e ele poderá ser pego tentando furar o saco de lixo do restaurante vizinho), mesmo tendo alimento da melhor qualidade. No início deste ano veio a pancreatite, que a sua veterinária, Dra. Paola Lazaretti, diagnosticou como “torturante” na escala de dor. Ele precisou de sete dias na UTI e ficou com uma sonda que dificultava seus movimentos. Mas Tingo não se abalou. Nem mesmo quando foi descoberto um tumor na glandula adrenal, o que poderia predispor a pancreatite.

A cirurgia estava sendo considerada quando veio a espasticidade, sinal de um distúrbio neurológico provocado por uma hérnia na coluna cervical (C²-C³) que torna osmembros da frente rígidos, impedindo que o animal ande ou mesmo se levante, comprometendo sua qualidade de vida. Recentemente, outro susto. Uma severa infecção urinária, provavelmente favorecida por permanecer deitado muito tempo. Aplacada a crise, ele mantém a fisioterapia e as sessões de acupuntura, enquanto aguarda nova avaliação para cirurgia.

Medicado, Tingo descansa, dependente de seu amigo mais próximo, Marco Ciampi, e do pessoal da ARCA. Como nosso herói já está velhinho, tem outras carências e todos precisam lidar com ele de outra forma. Mas claro que sentimos falta de sua discrição para pedir um chamego. Antes, ele chegava perto, se esfregando em nossas pernas... esperando pelo carinho, que sempre veio. Agora ele nem precisa pedir, pois cada um que chega à ARCA vai direto fazer um afago.

Entre tantas outras coisas, Tingo e sua incrível trajetória ajudam a enriquecer o ainda pouco explorado campo da geriatria animal. Os bichos estão vivendo mais e passando pela terceira idade, e quando os proprietários lhes dão os cuidados que merecem, a qualidade e a expectativa de vida aumenta consideravelmente. Da mesma forma, crescem as trocas afetivas, pois eles se tornam mais sereno e sábios com o passar dos anos.

Pedimos a todos aqueles que admiram Tingo e acompanham a sua história que reservem para ele os seus melhores pensamentos. Que ele recupere sua saúde e continue a ser fonte de inspiração para o trabalho pela proteção dos animais, da qual se tornou um símbolo e exemplo.

(*) Agradecimentos mais que especiais aos Dr.s Paola Lazaretti, Rosângela Ribeiro, Jorge Kachan e Franz Yoshitoshi. Também ao Cid Guitar, Vinicius Correa, Ivani Galantini e Cynthia Serotti, pelo carinho e excepcional ajuda em todo esse processo.

Tingo e sua história
Tingo - Novembro de 2005
Tingo - Dezembro de 2006
Recuperação Tingo - Março de 2007
Síndrome Vestibular - Abril de 2007



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