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Questões Frequentes

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Rabichos – Maio 2008

Selo inédito garante o bem estar dos animais de produção

Em breve, os consumidores que buscam produtos de origem animal obtidos de maneira  ética e sem qualquer tipo de sofrimento para os bichos, poderão ter a garantia do selo Certified Humane Brasil. Essa certificação, lançada no último dia 30 de abril, é resultado da parceria entre a Ecocert, certificadora de Santa Catarina especializada em produtos orgânicos, e a entidade norte-americana Humane Farm Animal Care (HFAC).

De acordo com João Augusto de Oliveira, diretor da Ecocert, os critérios – criados por pesquisadores e cientistas - utilizados para inspecionar as empresas seguirão os padrões da entidade norte-americana. Serão observados aspectos como alimentação, alojamentos, instalações, abrigos , cercas, bebedouros, condição sanitária, manejo, treinamento dos tratadores, transporte e abate. Entre os animais que podem ser vistoriados estão suínos, bovinos de corte e de leite, ovelhas, perus, frangos e galinhas poedeiras.

Embora recente, o selo já atrai alguns empresários. “Já temos três produtores interessados em se submeter ao processo ”, conta João. Graças à parceria com a HFAC, quem tiver seus produtos certificados terá o reconhecimento também nos EUA. Os restaurantes que utilizarem essa matéria-prima certificada, também terão sua atitude reconhecida, o que pode ser um diferencial para os clientes. Ainda não há previsão de quando os produtos com o selo Certified Humane Brasil estarão nas prateleiras do mercado.

 


Volta para casa: mais de 30 animais silvestres foram reintegrados à natureza no Rio Grande do Norte

No domingo 4 de maio, as estradas brasileiras ficaram lotadas com as pessoas que voltavam para suas casas depois do feriadão prolongado. Nesse mesmo dia, 32 animais de quatro espécies diferentes voltaram ao seu habitat natural. Foram 24 iguanas, dois jacarés-do-papo-amarelo, quatro tartarugas de água doce e duas jibóias soltas em uma área de proteção ambiental, na Lagoa de Jenipabu, Rio Grande do Norte.

Os animais passaram de um a três meses no Aquário Natal, no estado potiguar, onde chegaram doentes ou feridos, trazidos pela polícia ambiental, militar ou moradores da região. Por já terem recuperado a saúde e conseguirem buscar alimentos de maneira satisfatória, foram devolvidos à natureza.   De volta à liberdade!

Confira também a história de Flipper, um dos mais fantásticos casos de reintegração à natureza >>>

 


Tráfico de animais movimenta US$ 20 milhões por ano

Apesar de sua importância, o tráfico de animais não recebe a devida atenção dos noticiários. Terceira maior atividade ilícita do mundo, a venda de animais silvestres sem autorização movimenta cerca de US$ 20 milhões por ano em todo o planeta e o Brasil é responsável por aproximadamente 15% deste montante, segundo o médico veterinário e técnico do IBAMA Miguel Bernardino dos Santos, em palestra na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

O Brasil é um dos países que mais sofre com o tráfico de animais. Por conta da variedade de ecossistemas, o país possui uma grande biodiversidade e isso atrai colecionadores de diversas partes do mundo interessados em comprar exemplares de espécies nativas. Essa procura por animais brasileiros faz com que muitas pessoas se utilizem da fauna silvestre nativa para ganhar dinheiro.

O órgão responsável pela fiscalização da utilização dos recursos ambientais no Brasil é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). Porém, essa autarquia federal sofre com problemas administrativos e políticos, o que dificulta muito o cumprimento de suas funções. "O IBAMA passa pelas chamadas ingerências políticas. Isto é, quando pessoas que não entendem nada do assunto mas que, por parentesco com pessoas de partidos, viram presidentes e chefes e resolvem dizer que são capazes de controlar e de tomar conta do meio-ambiente", conta Miguel dos Santos.

Essa forma de tráfico é extremamente nociva para o país. O mais óbvio risco dessa atividade é a ameaça à biodiversidade, uma vez que, se uma espécie passar a ser retirada de seu ecossistema, este entra em colapso. Além disso, quando esses animais são introduzidos nas cidades, podem transmitir doenças e causar epidemias. Isso sem contar a evasão de divisas, já que o dinheiro oriundo do tráfico não é declarado.

Outra questão importante é quem realmente lucra com o comércio ilegal de animais: "O caçador ganha R$ 40 por ave capturada. O máximo que ele conseguia é R$ 400, mas os pássaros chegam a São Paulo e são vendidos por até R$ 15.000. Será que o Brasil quer mesmo acabar com o tráfico? O que o Brasil realmente quer? Se as leis trazem exigências que não têm como ser cumpridas, qual é a intenção?", questiona Miguel.

Fonte: AUN - USP / Rafael Benaque

 


Sacrifício de égua exibe lado cruel do turfe

Por que continuamos a permitir que as corridas de cavalo escapem sem críticas? Será a tradição? Os milhões e milhões em apostas? Por que não existe mais pressão para aplicar ao chamado esporte dos reis as regras que definem crueldade contra os animais em outros âmbitos?

O esporte é no mínimo tão desumano quanto as corridas entre galgos, e está a poucos passos de distância dos combates entre animais. Será que é pelo fato de que as corridas de cavalo são parte da tradição norte-americana? Ou por a tríplice coroa do hipismo ser um espetáculo televisivo nacional? Ou será por que as mortes nas pistas de corrida são raramente vistas pela audiência convencional de televisão?

O sentimento que cerca o esporte foi resumido pelo Dr. Larry Bramlage, no sábado, quando, perguntado sobre corridas que misturam éguas e cavalos, ele disse que "uma morte não representa uma epidemia".

A audiência de todo o país foi exposta aos momentos agridoces causados pela magnífica vitória de Big Brown e, momentos mais tarde, a chocante notícia de que Eight Belles havia sido sacrificada. Enquanto assistíamos à celebração do proprietário de Big Brown pela vitória no derby, ouvíamos Bramlage descrever os detalhes da horrível morte de Eight Belles. A égua completou a corrida heroicamente, conquistando a segunda posição. Ela estava na curva que leva à reta oposta quando seus dois tornozelos dianteiros entraram em colapso.

Bramlage descreveu a imagem repulsiva do acontecido: uma fratura condilar que rompeu a pele e foi contaminada.

"Ela não tinha como se apoiar nas patas dianteiras e não havia como imobilizá-la ou colocá-la na ambulância, de modo que decidimos sacrificá-la de imediato", disse Bramlage. E foi isso.

Depois da corrida, Larry James, treinador de Eight Belles, mal conseguia conter as lágrimas ao responder perguntas sobre a morte do animal. Mas, apesar de sua dor, ele respeitou instintivamente a linha que o setor defende quanto às corridas. Desconsiderou a idéia - e as críticas veladas - de que a pista de terra pode ter contribuído para a morte da égua. Também se recusou a admitir que as corridas de cavalo são um esporte extremamente perigoso, dizendo que lesões como essas podem acontecer em qualquer esporte.

No mundo do turfe, a morte de Eight Belles representa uma baixa trágica mais gloriosa. O setor prefere a negação: as corridas causam sérios danos aos cavalos, mas nós propiciamos ao esporte o disfarce dos chapéus elegantes, dos coquetéis e das orquestras de cordas.

Por que nos colocamos a enquadrar o turfe no mundo dos maus tratos aos animais? Em que momento nós ao menos proporemos a questão quanto à eficácia de cavalos de corrida pesando mais de 400kg correndo em alta velocidade sustentados por patas tão frágeis? Qual é a diferença entre o turfe e as touradas?

Eight Belles foi mais uma vítima de um esporte brutal que é literalmente carregado nas costas dos cavalos. Os turfistas gostam de falar de seus puros sangues, e ressaltar que eles nasceram para correr e vivem para correr. Mas a verdade é que eles são obrigados a correr, forçados a correr em busca de lucros que jamais os beneficiam.

No sábado foi a vez de Eight Belles, em Louisville. Dois anos atrás, foi Barbaro, em Baltimore, depois de pisar em falso no grande prêmio Preakness. E quem sabe quantos cavalos morrem anonimamente? O que deveríamos escrever é que Eight Belles foi simplesmente mais uma vítima de um esporte brutal.

E até mesmo uma morte já seria demais. O milagre do esporte dos reis é que não aconteçam muitas outras. No entanto, quantas serão necessárias para que façamos alguma coisa?

Antes da corrida do sábado, caminhei até o estábulo no qual Michael Matz estava preparando Visionaire para o grande prêmio. Matz era o treinador de Barbaro, o supercavalo que venceu o Kentucky Derby de 2006, aqui, e duas semanas mais tarde pisou em falso, sofreu uma fratura, e terminou sacrificado no ano seguinte. Na sexta-feira, um dos cavalos de Matz, Chelokee, sofreu uma fratura condilar em sua pata dianteira direita no Alysheba Stakes, uma prova importante disputada no hipódromo de Churchill Downs.

As informações iniciais indicavam que a lesão era semelhante à que Barbaro havia sofrido, uma fratura no tornozelo. As informações não procediam, mas imagino o que pode ter passado pelos pensamentos de Matz.

"Corri para lá para ver como ele estava", conta Matz, que diz não ter pensado em Barbaro, mas apenas em Chelokee e na situação atual. Depois, ele pediu licença. "Preciso preparar meu cavalo para a prova de hoje", disse.

John Stephens começou a treinar Barbaro e Visionaire quando os dois eram potros de pouco mais de um ano. Ele estava em Baltimore no dia em que Barbaro sofreu sua lesão. A experiência pela qual passou, diz, ajudou no mínimo a alterar, se não mudou completamente, suas perspectivas quanto às corridas de cavalos.

"Quero que meu cavalo vença - não vou mentir a respeito", disse. "Mas não a qualquer custo. Não quero que cavalo algum saia lesionado. Quero que todo mundo tenha uma viagem positiva, e quero que todo mundo volte bem para casa".

As palavras dele ecoavam em minha memória quando saí do estábulo, e continuaram a ecoar enquanto ao contemplava Eight Belles caída na pista. O turfe é um esporte brutal. Por que continuamos a ignorar esse fato?

Fonte: New York Times - William C. Rhoden Tradução: Paulo Migliacci



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