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Junho 2008

Contos de fadas
Conheça as histórias especiais de Bingo, Rebeca e Naya, cães que encontraram na adoção seu final feliz

São dez horas da noite. Dona Sérgia levanta-se do sofá e diz para Laura, sua irmã, que vai se deitar. Ao pé da escada do sobrado onde mora, sente algo roçar na sua perna. É Bingo, o cachorrinho cego que adotou. Ela sorri com intimidade para o cão, pega-o no colo e leva para seu quarto. “Ele faz questão de dormir perto de mim, no tapete”, conta dona Sérgia que há pouco mais de cinco meses divide as horas de lazer entre sua família e Bingo. “Ele é muito esperto, não tromba em nada na casa e se adaptou muito bem a nossa família”. Ela explica que a simpatia do vira-lata contagiou de tal forma a família que todos os finais de semana sua sobrinha-neta vai visitá-la e leva o cãozinho para passear pelo bairro.

Apesar de ser aposentada, dona Sérgia não fica parada: trabalha em um escritório imobiliário e, às vezes, ajuda sua sobrinha Sirlei Rodrigues na clínica veterinária no Ipiranga, São Paulo - justamente o local onde conheceu seu novo amigo de quatro patas. Depois de passar por uma cirurgia no intestino, ser castrado, vermifugado, vacinado e registrado, Bingo estava pronto para ser adotado. Foi aí que a sobrinha da dona Sérgia, uma das Veterinárias Solidárias da ARCA Brasil, o inscreveu no projeto Adotar é tudo de bom, o que permitiu que dona Sérgia o adotasse. Pioneiro no país, o projeto tem como objetivo estimular a adoção responsável de cães abandonados recolhidos e mantidos sob a guarda de um Vet Solidário ou de um Lar Transitório. O adotante recebe um kit adoção, com orientações que ajudarão a criar uma relação sadia com seu novo amigo.

A história de Bingo é parecida com a de muitos outros cães que tiveram seu destino reescrito depois que pessoas como dona Sérgia cruzaram o seu caminho. Assim aconteceu com Rebeca. Nascida nas ruas de Nazaré Paulista, interior de São Paulo, Rebeca não conheceu seus pais ou irmãos. A vida era uma batalha diária. Quando não encontrava restos de comida de restaurantes do centro comercial ela andava até o lixão da cidade. Num desses dias ela conheceu Elizabete Avancini. Responsável por um Lar Transitório, Elisabeth a levou para casa e cuidou dela até inscrevê-la no projeto da ARCA.

Pouco tempo se passou e outra Elisabete surgiu na vida de Rebeca: Elisabete Andrade, sua nova dona. “Foi amor à primeira vista”, conta. Ela explica que sempre gostou de animais, mas foi quando seu neto de sete anos veio morar em sua casa que decidiu adotar um. “Todos gostaram da idéia e hoje cuidam muito bem da Rebeca; ela é muito amada!” Elizabete, sua nora e seu neto se revezam nas brincadeiras e nos passeios diários com a vira-lata, que sempre se mostra muito disposta e alegre. “Até parece que foi a Rebeca que nos adotou!”, brinca.

Com Naya não foi diferente. Além de um teto e comida de qualidade, ela também ganhou uma nova família, com direito a mãe, pai e irmão: Sandra, Luiz e Gabriel Natal. “Acho muito importante adotar um animal, pois há tantos precisando de carinho e atenção. Comprando parece um objeto, que podemos usar e jogar fora”, enfatiza Sandra. Ela conta que Naya adora deitar no tapete de barriga para cima, à espera de carinho ou brincar de bola e esconde-esconde com seu filho. “Os vizinhos gostam muito dela, pois é muito carinhosa e sapeca”, lembra Sandra.

Elizabete Avancini, do Lar Transitório que abrigou Rebeca e Naya, confessa que ver os animais doados felizes e entrosados com as novas famílias é uma sensação única e gratificante. ”Saber que um animal que cuidei com amor e dedicação hoje tem uma família, mimos e proteção, mostra como valeu a pena. Não tem dinheiro no mundo que pague”. Ela sempre acompanha a trajetória de cada bicho doado para verificar se eles estão sendo bem cuidados.

Muito mais que um conto de fadas, exemplos com o de dona Sérgia, Elizabete e Sandra mostram que é possível reescrever a história de abandono de muitos animais. E ainda acrescentar ao final um “Felizes para sempre”.

 

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