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Junho de 2008 - Arca Brasil - 15 anos - Taboão da Serra

Exemplo para o mundo
Conheça os clínicos de Taboão da Serra, SP, protagonistas do primeiro programa de controle populacional de animais

Pioneirismo é a palavra que melhor define o que representou o projeto iniciado em Taboão da Serra em 1996. A cidade, situada na Grande São Paulo, entrou para a história ao desenvolver um ambicioso programa, baseado em parâmetros técnicos e humanitários já utilizados em outros países. Nos primeiros seis anos, o chamado “Programa de Controle das Populações de Cães e Gatos”, esterilizou quase 13 mil animais, cerca de 30% da população estimada do município. O “segredo” para atingir estes números – um recorde nacional – foi a participação das clínicas veterinárias particulares parceiras no programa, que realizaram a cirurgia a preços reduzidos. O trabalho tornou-se exemplo para vários municípios do país, inspirando legislações em grandes centros, como a cidade de São Paulo.

Das três forças fundamentais para colocar em pé um projeto de controle e redução dos animais abandonados – saúde pública, sociedade organizada e classe veterinária –, o engajamento dos clínicos é peça fundamental para o enfrentamento do problema. “A solução está na origem do problema, ou seja, na necessidade de conscientizar a sociedade para a posse responsável e no acesso mais fácil à esterilização (castração) de cães e gatos. É aí que entra o clínico veterinário”, destaca Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil.

Assim, o projeto foi discutido, revisado e finalmente colocado em prática por esses profissionais, nos anos 90, sob coordenação do setor de Controle de Zoonoses de Taboão da Serra, na figura da Dra. Rita de Cássia Garcia e a assessoria da ARCA Brasil.

“Até aquele momento, não sabíamos aonde este projeto nos levaria”, confessa o Veterinário Solidário Jorge Luiz Ribeiro Kachan, um dos integrantes da ação. Ele explica que a idéia era totalmente inovadora, já que, no período, os conceitos de controle populacional e posse responsável ainda não eram considerados plausíveis pelas autoridades públicas. E foi justamente este pioneirismo que levou o Dr. Jorge – assim como outros veterinários - a participar do evento.

“Eu era recém-formada quando começou a história de controle de natalidade de cães e gatos a preço reduzido. Toda a insegurança e o medo que eu tinha só aumentaram porque tudo era novidade para mim; mas eu tinha certeza que estava no caminho certo”, lembra a veterinária Regina Zanelato, outra figura importante do projeto de Taboão.

Com o tempo, Regina e toda a equipe foram percebendo uma mudança de postura da população e das autoridades da região. O hoje professor Celso Martins Pinto, também participante do projeto na época, explica que as pessoas passaram a entender que a castração era uma prática viável e um “compromisso com o bem comum”. “Da mesma forma que qualquer proprietário, por mais desinformado que seja, leva seu animal para receber a vacina contra a raiva, ele passou a se lembrar de castrar seu animal e a cobrar outros proprietários para fazer o mesmo”, compara.

No ano seguinte ao início dos trabalhos, 1997, Celso passou a se dedicar à vida acadêmica na Faculdade de Veterinária da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e pôde “despertar no futuro médico veterinário um questionamento sobre estes temas, e permitir uma formação acadêmica verdadeiramente cidadã e de responsabilidade social”, em suas palavras. Foi então que, com o apoio do diretor da faculdade, ele estruturou diversas campanhas de castração na comunidade ao redor da UNISA, expandindo depois para outros municípios, como Peruíbe, Cananéia, Embu-Guaçú, Itapecerica da Serra e Capão Bonito. “Passamos a atrelar aos procedimentos de castração a outros de educação ambiental, abrangendo temas fundamentais como posse responsável, bem-estar animal, transmissão de zoonoses, etc. Os resultados surgem a olhos vistos, ja que a adesão da população é muito rápida”, conta.

Celso é mais um exemplo de que o projeto em Taboão teve reflexos positivos em diversos sentidos. Outro desdobramento foi permitir aos veterinários participantes (particulares e da prefeitura) aprimorar procedimentos cirúrgicos de castração que, com menor tempo de operação e melhor recuperação, possibilitam a esterilização de vários animais em um só dia. Inéditos naquele momento, hoje essas práticas são reconhecidas pela classe veterinária brasileira e já ganham novos adeptos a cada dia. (Saiba mais!)

Mão dupla
Mas Taboão não acrescentou só bagagem técnica a esses doutores dos bichos. Para a veterinária Regina, a experiência foi de grande valia para seu crescimento profissional. “A estrutura melhorou, montei minha própria clínica em 1997 e hoje tenho mais pessoas me ajudando: um secretário, uma veterinária e estagiários”.

Dr. Jorge também percebeu que a experiência poderia agregar valor a sua carreira profissional. Ao conhecer as técnicas de castração mais modernas da época, ele criou uma nova unidade de valor. “Consegui oferecer qualidade técnica com valores acessíveis à maioria dos proprietários que me procuram”, conta ele. Assim, expandiu seus negócios e tem hoje uma clínica em área nobre do bairro do Brooklin, em São Paulo, onde, uma vez por semana, castra animais a preços especiais para pessoas com baixo poder aquisitivo.

Eco Solidário
Jorge, Regina, Celso, juntamente com Karen Natasha Pagliarini e Márcia Yuke – os clínicos veterinários do projeto de Taboão – acreditam que ainda há muito a ser feito pela causa animal. “O poder público precisa reconhecer a necessidade de criar estratégias e executar programas direcionados ao controle populacional de cães e gatos, mas também a todos os temas relacionados ao bem estar animal, como posse responsável, controle de zoonoses e doenças transmissíveis, preservação de recursos naturais, combate ao tráfico de animais silvestres, criação de animais para a produção de alimentos e muitos outros”, resume Celso.

O engajamento desses cinco clínicos particulares nas ações pioneiras de Taboão da Serra, na década de 90, foi o embrião do Programa Veterinário Solidário. Criado em 2004, esta ação reúne hoje quase 300 profissionais em todo o país, levando subsídios para reduzir o abandono e o sofrimento dos bichos, em especial facilitando o acesso à castração, promovendo adoções e conscientizando os proprietários sobre o bem-estar e a posse responsável de cães e gatos.

O Programa Veterinário Solidário marca mais uma frente de atuação pioneira da ARCA Brasil. Unir forças com o médico veterinário em uma ação organizada nessas proporções é uma iniciativa sem precedentes em países em desenvolvimento.

Por todos esses motivos, a entidade foi convidada a somar no Congresso Mundial de Veterinários de Pequenos Animais, WSAVA, a se realizar em 2009, pela primeira vez no Brasil, em São Paulo.
Para conhecer este e outros eventos promovidos pela ARCA Brasil, acesse: EVENTOS

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