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Festa insana
Brigas, crimes e acidentes: efeitos colaterais do rodeio, onde os maus-tratos não são apenas contra os animais. De acordo com reportagens de grandes jornais, de abril do ano passado até hoje foram registradas pelo menos 16 ocorrências violentas. Confira a seguir:
O rodeio, ao promover o desrespeito aos seres vivos, tem como uma de suas principais marca a desvalorização da vida em geral.
De acordo com os registros dos principais jornais do país, morreram – em rodeios – neste último ano ao menos três peões pisoteados por animais, um deles em Taubaté (SP), e os outros em Pederneiras (SP) e Capivari de Baixo (SC). No mesmo período, outros três homens tiveram ferimentos cranianos graves.
A mídia também publicou em suas páginas pelo menos 8 casos de agressões, sendo que cinco deles terminaram com morte. Esses casos envolvem um policial (assassinado em Taubaté-SP) e o campeão mundial de rodeios (morto por outro peão na festa do Peão Boiadeiro de Novo Horizonte-SP), um menor de idade empurrado propositalmente da arquibancada (no Paraná), duas meninas esfaqueadas na porta do rodeio (em Pedro Leopoldo-MG) e um cabo do exército arrastado durante 15 km por uma caminhonete (em Campo Grande-MS).
Ainda em abril desse ano, um promotor de rodeios com várias passagens pela polícia foi assassinado em frente a um posto de combustíveis. E em maio de 2008, a ARCA recebeu a denúncia de jovens estudantes de jornalismo que ao filmar cenas de maus-tratos dos animais no rodeio de Santo Aleixo, foram agredidos e sofreram ameaças. No final de junho passado, houve também o estupro de uma menina de 11 anos cometido pelo palhaço que atuava em uma dessas "festas".
Maus costumes importados
O observador com um mínimo de sensibilidade sabe que as atividades ocorridas durante os rodeios implicam em maus-tratos aos animais. Esse fato, confirmado por laudos de técnicos emitidos por universidades de veterinária, permitiu o surgimento de legislações que proíbem a realização desses eventos em vários municípios do país. No entanto, os organizadores os mantêm funcionando por meio de manobras jurídicas comparáveis às usadas pela indústria do fumo.
A “festa” procura simular a lida diária com animais no oeste dos Estados Unidos, país que já exportou muitos hábitos (e, algumas vezes, maus costumes). Nesse caso, tenta-se consolidar em terras tupiniquins o modismo do “Cowboy” - que não pegou em países como a Inglaterra - e que empresários no Brasil usam para fazer fortuna, criando esse imaginário, principalmente em cidades do interior de São Paulo e em alguns municípios do centro-sul do país.
Esses “promoters” apelam cada vez mais para shows (alguns com artistas de renome) e evento paralelos às provas, na tentativa de evitar a evasão do público, um sinal de desinteresse pelo "circo romano", com provas que expõem bois, cavalos e peões ao sofrimento. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, esse tipo de eventos é combatido por meio de textos críticos na imprensa, piquetes e boicotes pelos grupos tradicionalistas, que querem preservar a verdadeira cultura brasileira.
Vaquejadas e farra do boi
Os rodeios não ocorrem com frequencia no norte e no nordeste do Brasil, mas nessas regiões as apreensões e protestos dos amantes dos animais ficam por conta da vaquejada. Nessa cruel competição, duplas de homens a cavalo perseguem e agarram pelo rabo um boi ou bezerro e, com um tranco, fazem com que ele caia bruscamente dentro de uma área delimitada. A violência é tanta que alguns bichos têm seus rabos quebrados, além das consequencias da queda. Cerca de 1.000 vaquejadas acontecem por ano no país.
No litoral de Santa Catarina, “farra do boi” é sinonimo de terror e sofrimento para esses animais. Os seus promotores soltam um boi e o perseguem com o objetivo de acuá-lo, evitando serem atingidos. É comum os animais serem deixados para morrer, devido aos ferimentos, ao final das “farras”.
A farra do boi, proibida em seu estado, foi julgada e considerada criminosa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas continua sendo praticada.
Um caminho diferente
Nascido no Mato Grosso do Sul, região do exuberante Pantanal, Rogério Clementino sonhava em ser peão de rodeio. Chegou a participar de algumas provas, mas resolveu optar por um futuro diferente. Consciente dos perigos desta prática, contou com o apoio da esposa em sua despedida das arenas.
Mas Clementino não deixou de manter contato com os animais, apenas passou a fazê-lo de forma saudável. Começou a praticar hipismo e em pouco tempo vieram as premiações. Hoje, aos 26 anos, ele é o primeiro atleta negro a participar dos Jogos Olímpicos na modalidade de adestramento e irá representar o Brasil em Pequim no mês de agosto.
Boi Caprichoso e Boi Garantido
Enquanto a crueldade rola solta nas arenas dos “cowboys”, no Amazonas o tradicional Festival Folclórico de Parintins (www.cidadeparintins.com.br) é celebrado no começo de julho. Conhecida por ser uma manifestação popular legitimamente brasileira, a festa este ano reuniu centenas de milhares de pessoas que prestigiaram a apresentação dos dois grupos - o do boi Caprichoso e do boi Garantido – no "bumbódromo". A popularidade do evento, uma grandiosa ópera tropical que celebra os animais, é crescente e ele passou a ser trasmitido ao vivo este ano, pela TV Band, com grande sucesso.
Conheça mais sobre Parintins
• SAIBA MAIS
Leia outras reportagens sobre rodeios desenvolvidas pela ARCA Brasil
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0504_rodeios_balada.htm
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/060730_rodeio.htm
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0504_rodeios_manifestacao.htm
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/050824_rodeio_barretos.htm
http://www.arcabrasil.org.br/animais/entretenimento/rodeio_artigo.htm
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/rodeios.htm
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0505_rodeios_americacai.htm
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