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Novembro de 2008

Especial 15 anos

A ARCA no mundo
Na penúltima reportagem da série especial de 15 anos, você confere o papel da entidade no cenário internacional


A ARCA Brasil teve origem em um episódio de exposição internacional. A memorável devolução ao mar de Santa Catarina de Flipper - conheça essa historia -, último golfinho utilizado em shows no país, foi registrada pelas câmeras da National Geographic e ganhou destaque na imprensa mundial, atraindo a atenção de milhares de pessoas e técnicos da área. Desde então, o contato freqüente e a troca de conhecimentos com a comunidade mundial, algo até então inédito no país, tornaram-se marca registrada da ong e não só contribuíram para a sólida imagem internacional da entidade como propiciaram encontros no mínimo inusitados.


Linda Blair, a atriz que protagonizou o filme “O Exorcista” vestiu literalmente a camisa da entidade. Ela conheceu o trabalho da ARCA durante a Marcha pelos Animais em Washington (D.C.).

As ações que contaram com a assessoria da ARCA em Taboão da Serra também despertaram interesse global.  Nesta cidade foi aplicado um novo modelo para o controle animal (leia-se controle de cães e gatos abandonados) para países em desenvolvimento. Essa iniciativa – hoje replicados em dezenas de municípios brasileiros, incluídos a cidade de São Paulo – foi tema em encontros internacionais como a 8ª Conferência sobre as Interações Homem-Animal, realizada em 1998, em Praga, com a participação da OMS - Organização Mundial da Saude, e ainda do Simpósio "Controle de Zoonoses e as Interações Homem-Animal", que reuniu técnicos de diversos países na cidade de Embu (SP) em 2001.

No mesmo ano, as técnicas e conhecimentos organizados pela ARCA chegaram até o oriente por meio do Asia for Animals, primeiro seminário sobre a proteção e o controle de cães e gatos da Ásia, realizado na cidade de Manila, nas Filipinas.

A ARCA representou a América Latina e os esforços dos países desta parte do mundo em incluir a questão do respeito e bem-estar animal em suas agendas. “O sistema de controle populacional de Taboão da Serra e o programa Veterinário Solidário, seriam bem recebidos se implantados em meu país”, diz Ramona Consunji, membro fundadora da Animal Welfare Coalition, em Manila.


Filipinas: A ARCA foi a representante Latino Americana do primeiro encontro de proteção animal asiatico.

Ainda em 2001, a ARCA Brasil co-organizou em parceria com a IAHAIO (Associação Internacional das Organizações para a Interação Homem-Animal), a Conferência Internacional das Interações Homem-Animal, no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que o evento aconteceu no Hemisfério Sul e reuniu 90 especialistas de 25 países para abordar aspectos psicológico, terapêutico, social, cultural, histórico e etológico presentes na relação homem-animal.

Outro projeto “tipo exportação” é o Veterinário Solidário, apresentado na Animal Care Expo, maior evento de proteção animal do mundo, organizado pela Humane Society of United States (HSUS). “Envolver a comunidade veterinária no controle da superpopulação de cães e gatos é realmente muito importante”, comentou Janet Frake, da HSUS. A ong marcou presença nesses encontros, falando sobre o planejamento e execução de campanhas de controle populacional, compartilhando técnicas de captação de recursos para a defesa dos animais ou ainda expondo o caso Galogate, que ajudou na elaboração da campanha internacional “Stop Animal Fighting”.



Tippi Hedren, atriz de “Os pássaros”, de Hitchcock, com Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil. Ambos participavam da Marcha pelos Animais em Washington, durante a realização da Animal Care Expo de 1996. A artista administra um santuário de pássaros.

Em 2005, a ARCA foi a única entidade de proteção animal oficialmente convidada a integrar um importante encontro promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), onde especialistas da América Latina debateram a Leishmaniose Visceral. Mais uma vez, a ong levou seu conhecimento técnico e sensibilidade, apostas para exercer o respeito e a defesa dos animais.

A organização também trouxe lideranças importantes para os país, com a intenção de uma necessária troca de informações.  Assim realizou três edições dos Congressos do Bem-estar Animal, com palestrantes e eventos paralelos nas áreas de Alternativas ao Uso Didático de Animais, Comportamento e Técnicas Cirúrgicas de castração (a técnica do gancho), entre outras. Cerca de 30 especialistas de todo o mundo difundiram conhecimentos inéditos no país, possibilitando, entre outras coisas, castrações mais rápidas, seguras e a custos acessíveis e pós-operatório menos complicado.

 

Michel Markarian, vice-presidente executivo da HSUS, foi destaque no II Congresso do Bem-Estar Animal. “Fiquei impressionado com a organização da equipe da ARCA e de seus voluntários, que conseguiram unir pessoas de campos muito variados e diferentes ideologias, mas que compartilhavam o propósito comum de querer ajudar os animais e aliviar seu sofrimento”, diz.  Segundo ele, a organização encontrou o equilíbrio ao atuar na proteção animal. “A ARCA é muito respeitada em seu campo e achou a medida certa entre os conceitos da posse responsável e a defesa dos animais, entre ser razoável e agressiva. Todo país precisa ter uma organização profissional e de ponta para avançar as idéias da proteção animal e o Brasil tem a sorte de ter a ARCA”, encerra.

As conquistas da ARCA chamaram a atenção de grandes instituições, que vêem na organização um parceiro para estender suas ações ao Brasil. A Humane Society, por exemplo,  já desenvolveu uma ação contra as rinhas de animais (veja o cartaz ao lado) e agora está para pôr em prática um ambiciosa campanha pelo bem-estar dos animais de produção no nosso território (leia mais). “A Humane Society Internacional [braço mundial da HSUS] está feliz em formar um time com a ARCA Brasil  em uma campanha contra o confinamento intensivo – as gaiolas em bateria para galinhas poedeiras e as celas de gestação para porcas prenhes – nas fazendas de alta produção”, explica Susan Prolman, responsável por essa campanha na HSI.

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