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Os campeões que merecem todos os ouros
Conheça o atleta que é um exemplo de respeito e seu admirável animal
A prática do hipismo nos encanta pela beleza. As vestes dos cavaleiros são sempre impecáveis, o ambiente é muito elegante. Os saltos são lindos e buscam a perfeição no ar. Milésimos de segundos podem decidir campeonatos, mas nada disso enche mais os olhos do que os principais protagonistas do espetáculo, os cavalos – os grandes artistas do esporte.

Foi durante o Athina Onassis International Horse Show (AOIHS)* - na Sociedade Hípica Paulista, em 2008 - que a equipe da ARCA Brasil conheceu um dos maiores nomes do hipismo mundial: Michel Robert, o único atleta a zerar o percurso mais difícil, tornando-se campeão do Nestlé Masters – a última prova do evento.
Esse francês de 60 anos que já ganhou duas medalhas olímpicas e salta desde os 18, também é reconhecido por ter um cuidado especial com seus animais e entende que respeitar sua natureza é a chave do sucesso. Hoje, junto de seus cavalos, colhe os louros pela prática correta e saudável do esporte. Confira a entrevista exclusiva para o Notícias da ARCA
Tradução: Débora Salomão e Rogério de Oliveira.
Revisão e adaptação: Vanessa Gonzalez.
- Que tipo de relação você desenvolveu com os cavalos ao longo de sua vida?
Nosso esporte é um dos poucos praticados com animais vivos. Nosso dever é antes de tudo, respeitá-los e fazer o máximo possível para eles gostarem do que fazem por nós.
- Qual a importância de uma relação de respeito com os cavalos nesse esporte? Isto tem influência nos resultados?
É uma alegria para um cavaleiro ganhar um prêmio com a cumplicidade de seu cavalo! Tenho observado que meus cavalos percebem quando ganham, parecem orgulhosos deles mesmos. Certamente ficam ainda mais competitivos.
- Madame Pompadour - a grande vencedora do AOIHS – chama a atenção por seu vigor e elegância, apesar de ter sido uma das mais idosas da prova. Poderia falar de seu temperamento ou aspectos curiosos?
Com a Madame Pompadour, a dificuldade foi justamente de faze-la querer participar, ter vontade de competir. Foi preciso encontrar uma relação com ela.
- Você utiliza vitaminas ou estimulantes de qualquer natureza para seus cavalos?
Eu não uso nenhum artifício para fazer meus cavalos saltarem. Minhas vitórias comprovam que é possível ganhar, mesmo competições de altos níveis, sem brutalidade e sem artifícios. Com um cavalo natural, é uma vitória dupla.
- Que dicas você dá para quem quer se iniciar no esporte? Quais os cuidados que devem ser tomados com os animais?
O que eu aconselho é: compreenda o comportamento do cavalo, cuide do arredor dele, observe bastante. Eu penso que a brutalidade e os maus treinamentos se voltam contra os próprios que os praticam. Maltratar o outro é o mesmo que maltratar a si próprio.
- Infelizmente, em diversos países os cavalos de tração são submetidos a maus-tratos, trabalhos excessivos e negligência. Qual a sua visão sobre isso?
Espero que as mentalidades evoluam pouco a pouco para o conforto dos cavalos. Quando respeitamos, amamos ou fazemos o bem aos outros humanos ou animais, fazemos o bem para nós mesmos. É uma lei que também encontramos na natureza.
(*) Pela segunda vez consecutiva, a organização do Athina Onassis International Horse Show dedicou parte das arrecadações do evento aos trabalhos da ARCA Brasil em prol dos animais, tornando-se a única etapa do circuito mundial a adotar este gesto.
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