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Jovem talento pelos animais
Aos 16 anos, Flora já dublou muitos bichos e demonstra que compromisso com os animais não é só coisa de gente grande
A agenda pra lá de apertada inclui gravações, curso de teatro, fonoaudióloga e entrevistas lembra a correria das personalidades do show business. Assim é o dia a dia da menina Flora Paulita que, aos 16 anos, passou os últimos 8 emprestando a voz para personagens como Taylor do seriado “Ninguém Merece” e a atriz Abgail Presley, a protagonista de “A Pequena Miss Sunshine”, filme que levou o Oscar em 2007.
No entanto, apesar de toda correria, Flora não abre mão de brincar com Romero, Sofie e a pequenina Miúcha, seus três gatos e com sua cadelinha, a atrapalhada Lila.
O jeito maroto e rostinho de menina revelam o talento precoce de Flora. A dubladora aproveitou uma brecha entre as suas atividades e concedeu essa entrevista na sede da ARCA, confira o resultado:
Há um tempo era comum ouvir voz de adulto imitando criança. Quando isso mudou?
Havia pessoas que faziam dublagem e que eram crianças. Elas cresceram e começaram a usar pessoas mais velhas para fazer essas vozes. Foi então que eles tiveram a idéia de fazer um curso de dublagem infantil e a minha turma com a minha irmã foi a primeira.
Você já dublou algum animal?
Já! Eu já fiz um leão-marinho bebê no desenho “Superfofos” do canal Nickelodeon. Também fiz um ursinho na Discovery Kids, no desenho “Boo!”. Fiz também o filme “A bússola e ouro” em que todas as pessoas da cidade são acompanhadas por um animal, que é a alma deles, e eu fiz um beagle.
Você deve adorar, né? E aí, você tenta pegar a alma do bicho?
Ah, é legal. Tem um filme alemão em que eu fiz uma ratinha que queria conhecer o mundo. Foi muito legal, porque ela saiu para mundo com o tamanhozinho dela. É engraçado porque você sente como deve ser para eles, não a visão de cima.
Também teve um filme “Meu melhor Amigo” em que eu fiz a protagonista (a atriz AnnaSophia Robb). A menina muda de cidade, o pai dela é pastor, a mãe faleceu e então ela encontra um cachorro no supermercado e quando vão prendê-lo ela fala: “Não, esse cachorro é meu!” e fica com ele. Por causa do cão, ela começa a fazer amizades na cidade e se torna mais próxima do pai, até que o bicho foge e ela vai atrás. O filme é muito legal, muito bonitinho.
Desde quando você tem bichos?
Desde sempre tenho cachorro em casa. Quando eu tinha dois anos ganhei uma vira-lata, a Meg. Eu também queria ter um gato e um dia minha mãe decidiu adotar um gatinho. Tivemos muitos. Chegaram a roubar uns três, porque roubavam gatos onde a gente vivia, teve um outro que morreu atropelado. Mas todos ficaram um tempão com a gente, todos adotados, alguns do CCZ, nunca compramos um bicho.
No meio dessa jornada, a Miúcha é a minha décima primeira gata. E hoje, meus gatos não saem mais na rua.
E sobra tempo para a bicharada com essa agenda apertada?
Quando estou em casa praticamente toda minha atenção é voltada para eles. Quando eu acordo, eu pego a Lila e deixo ela no quintal na frente de casa, tomando sol, quando saio do colégio eu coloco ela para dentro e quando minha mãe acorda coloca ela no sol de novo e passeia com ela. No final de semana posso levá-la para passear também.
Você diria que estes são momentos de aliviar um pouco o stress, que já deve rolar na sua carreira?
É verdade. (risos) E é muito engraçado, sabe? Eles cuidam da gente. Uma vez eu estava chorando e a Sofie, que é muito apegada à minha irmã, deitou em mim! Com aquela cara de “Está tudo bem com você?”. É muito bom.
Já o Romero, é o homem da casa. Eles são uma proteção, né? Eles dão companhia e proteção para gente.
Espiritual e física mesmo, né?
Sim. A Lila, que é super bobona., quando vê alguma pessoa estranha assim, ela para do nosso lado e finge que é um cachorro super sério, brava. Essas coisas são muito engraçadas.
E tem algum predileto?
Eu acho que são mais eles que escolhem um preferido do que a gente. Por exemplo: o Romero é muito mais ligado à minha mãe. Já a Sofie à minha irmã. E a Lila, bom, ninguém dá ordem pra ela. Mas seu eu falou “Lila, vem aqui!” Aí ela vem com aquela cara de “Eu fiz alguma coisa errada?”. É porque quando eu era pequena, eu a levava para dormir escondida na minha cama. Minha mãe fechava a porta de casa, aí eu a via lá fora, tão triste, com aquela carinha de “Me deixa entrar!”. Aí eu falava “Entra aí, Lila.” e ela dormia comigo na minha cama.
Virou brother?
Virou. Até hoje eu faço isso. Ela chega do banho tão linda, branquinha e aí eu falo “Ah, meu. Eu não vou deixar ela dormir lá fora nesse frio, nessa chuva, não dá!”.
A ARCA não recomenda que famílias tragam animas para crianças menores de 6 anos pois os bichos podem “sobrar” para os pais. O que você acha que fez a diferença no seu caso?
Se a família tem o comprometimento, não tem problema nenhum. Porque tem que se pensar: quando se quer um bichinho, ele não vai ser só seu, ele vai ser de todo mundo. Se está em casa, quer dizer que é de responsabilidade de todo mundo, acho que tem que ser assim.
Como é a sua dieta, também inclui uma preocupação com os animais?
Carne vermelha eu nunca mais comi, já faz um ano. Vou ao nutricionista porque eu quero fazer uma dieta toda de soja mesmo. O problema é que eu acabo almoçando na rua e não é todo restaurante que tem, não é?
No meu colégio eu faço parte do jornal e estamos para escrever uma matéria protestando contra o nível nutricional. Porque lá só tem fritura, salgadinho, refrigerante ou coisas de carne, não tem nem um lanche natural.
Qual mensagem você deixa para as pessoas que como você, querem começar a lutar cedo pelas coisas em que acreditam?
Primeiro você tem que pensar bem antes de fazer qualquer ação, ter um planejamento e botar na cabeça que as coisas não acontecem de um dia pro outro e pode levar um tempo indeterminado até você cumprir sua "meta". Depois, conversar com os seus pais ou responsáveis porque sem eles não dá pra fazer muita coisa e quanto mais ajuda você tiver, melhor. E a coisa mais importante é você realmente acreditar que pode fazer as coisas mudarem e acreditar que você vai conseguir.
Confira a voz da Flora também nas versões dubladas dos filmes “Caçadores de dragões” e “Crash – No limite”!
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal.
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