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Maio de 2009

Especial
A “infelicidade” de nascer pit bull – 2º parte

De raça mais desejada ao estigma e abandono, saiba como você pode ajudar

Leia a continuação da matéria mais comentada do último newsletter e entenda por que a ARCA Brasil abraçou essa causa.

Caras feias, olhares de recriminação e pessoas evitando a mesma calçada são cenas freqüentes na vida de qualquer dono de pit bull. Esperar que aceitem sua escolha de “melhor amigo” é uma utopia, mas certamente o proprietário consciente é a grande esperança de corrigir e reverter a postura da sociedade em relação as raças discriminadas.  

Em 2005 a ARCA Brasil trouxe para o 2º Seminário Veterinário Solidário uma ampla discussão sobre a problemática enfrentada pelo pit bull. Nos últimos meses o problema ganhou contornos dramáticos, fazendo com que a entidade retomasse o tema, convocando novamente a Comissão de Especialistas sobre Comportamento Animal.

Essa matéria traz elementos inéditos sobre esse quadro alarmante, além de um Guia de Procedimentos Básicos para as chamadas “raças agressivas”. Confira e multiplique as informações deste material exclusivo:

 

Guia Básico de Procedimentos
Para as chamadas “raças agressivas” relacionadas na
Lei da Focinheira 11.531/03
(pit bull, mastim napolitano, rottweiler e american staffordshire terrier)
                  

  1. Nunca adquira um animal por ele estar na moda; tenha consciência do seu perfil e estilo de vida. Pratique os 10 mandamentos da Posse Responsável;
  2. Procure conhecer a procedência do animal e escolha sempre os filhotes de linhagens não agressivas;
  3. A castração é um ato de responsabilidade social e saúde pública. Pode atenuar o comportamento agressivo de alguns animais, além de ser fundamental para evitar crias indesejadas e abandonos;
  4. Registro Geral Animal (RGA) com plaqueta e identificação permanente (microchip ou tatuagem): é fundamental para o Controle Animal de sua cidade e responsabilizar donos inconseqüentes;
  5. Leve seu animal regularmente ao veterinário (mínimo uma vez por ano). Atenção especial para as vacinas e vermifugação do seu pet. A alimentação deve ser feita de forma balanceada, já existem rações específicas para algumas raças;
  6. Cortar o rabo (caudectomia) não é recomendável e o corte das orelhas (conchectomia) é proibido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), os dois procedimentos podem trazer riscos à saúde do animal;
  7. Passeie diariamente com o seu animal e reserve no mínimo um dia da semana para brincar com ele;
  8. O espaço tem que ter no mínimo 6m², com uma área para se abrigar e tomar sol. Não isole o animal em um único ambiente, ele precisa ter noção do mundo ao seu redor;
  9. Focinheira: o uso em lugares públicos é obrigatório, porém, peça a orientação na hora da compra. O modelo ideal deve permitir que o animal abra a boca para respirar e beber água;
  10. Procure um bom adestrador, aprenda sobre os comandos básicos, treino de obediência, socialização e as características comportamentais da raça.

Fonte: Comissão de Especialistas sobre Comportamento Animal – ARCA Brasil

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 Origens e conseqüências
“De 1998 até 2003 a raça viveu um ‘boom’, mas a partir de 2005 o interesse foi caindo e hoje a procura é muito menor”, afirma Gilberto Barbato, que foi criador durante 10 anos.

Hoje o CCZ de São Paulo é um reflexo desse consumo desenfreado. “Atualmente cuidamos de 350 animais, 120 são pit bulls, dessa raça apenas um está apto a ser adotado. Nós temos 11 mil pedidos de resgates pendentes, sendo que 1.000 são para pit”, relata a Dra. Rita Garcia, Coordenadora do Programa de Proteção e Bem-estar de Cães e Gatos de São Paulo.

A lei municipal (nº 14.483/07) que, entre outras, determina que todos os animais comercializados ou doados sejam castrados, e a lei estadual (nº 11.531/03) que obriga o uso da focinheira em lugares públicos para cães das raças pit bull, mastim napolitano, rottweiler e american staffordshire terrier, são medidas vigentes em São Paulo que padecem de um misto de divulgação, fiscalização e vontade pública.   

Por exemplo, encontrar um pit bull usando focinheira é fácil, difícil é achar o modelo adequado que respeite o bem-estar do animal. Fique atento: precisa existir espaço suficiente para que o peludo respire pela boca e beba água. Na dúvida, siga a orientação de um médico veterinário. 


Exemplo a ser seguido

Saindo da capital paulista, chegamos a Guarulhos – município da Grande São Paulo com cerca de 1 milhão de habitantes – e lá conhecemos Esperança (FOTO), nome dado a pit bull resgatada pelo CCZ da cidade. Ela, praticamente cega, e um vira-lata foram “esquecidos” pelo dono. Hoje a pit faz parte de uma iniciativa criada entre este Centro e o adestrador Vinicius de Almeida.  

“Discutindo o problema com o Conselho Gestor, os representantes das ONG’s e da proteção animal, surgiu o nome do Vinicius. Essa reunião foi importante porque fez com que as ONG’s percebessem os nossos dilemas e buscassem conosco possíveis soluções, assim nasceu esse projeto”, concluí Gilberto Sousa de Medeiros, Chefe da Divisão Técnica do CCZ de Guarulhos, cidade que desenvolve um dos mais consistentes programas de prevenção, controle e posse responsável do Estado de São Paulo.

Atualmente o CCZ de Guarulhos também vive um momento de superlotação – são 110 animais, entre cães e gatos - 10 pit bulls esperam um novo lar, inclusive Esperança, que apesar das próprias dificuldades, provou porque mereceu esse nome.

Para o adestrador e “anjo da guarda”, Vinicius de Almeida, o esforço vale a pena. “Já conseguimos doar 20 animais desde novembro de 2008. Além do trabalho de ressocialização e adestramento, pretendemos capacitar os funcionários e informar a população”.

Méritos à parte, a ARCA Brasil lembra que é a sociedade que incentiva o consumo desenfreado que, aliado à irresponsabilidade de alguns donos, resulta no despejo diário de animais nas ruas das cidades.  

A continuidade dessa questão dependerá de um esforço organizado da sociedade. Se você quer contribuir ou ser informado sobre esse assunto, escreva para o Notícias da ARCA pelo quadro de comentários logo abaixo. 

 

*Black – o pit citado na última matéria e que despertou muito interesse dos leitores, recebeu da ARCA Brasil e da Empresa Amiga dos Animais®, PROVET, R$ 600 em vales para que ele e outros animais do lar transitório pudessem realizar seus exames. “O Black ainda está morando em São Paulo e só irá para Bertioga quando estiver com a saúde 100%”, afirma sua atual dona Carolina Piovesani, que já sofre pela saudade do amigo!

 

* Agradecimentos especiais: Dra. Rubia Burnier, Dr. Alexandre Pasternack, Fabiana Pereira, Fabiana Auer, Vinicius de Almeida, Dr. Gilberto de Medeiros (CCZ Guarulhos) e Dra. Rita Garcia. 

Serviço:
Ficou interessado em adotar um pit bull?
Ligue para o CCZ de Guarulhos: (11) 2436-3666 e faça uma visita.


Saiba mais:

- Pitbulls: caça às bruxas
- Dra. Rubia Burnier
- Pit Cão

 

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