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Inclusão social TAMBÉM para os animais
Ter acesso ao médico veterinário não deve ser privilégio de poucos, mas uma prática de todos os proprietários de cães e gatos
Foco de inquietação, a inclusão social é hoje um dos assuntos mais discutidos no mundo todo. Usando o mesmo conceito e aplicando o tema ao universo da proteção animal, a ARCA Brasil – que integra o Comitê de Programação do 34° Congresso Mundial para Veterinários, levanta um importante questionamento: existe inclusão social (também) para os nossos animais?
Vejamos:
O brasileiro gasta com produtos e serviços da linha pet R$ 390,00 per capita/ano. Esse valor é dividido entre consultas, remédios, vacinas, embelezamento, acessórios e representa R$ 16 bilhões de faturamento para o setor (Fonte: AnfalPet).
Na maior cidade do país, estima-se que existam 1.5 milhão de cães com donos, desse total, mais de 40 mil vive em Campo Belo (bairro de classe alta) e hoje ostenta o título de região mais canina da capital paulista, são dois cachorros para cada três pessoas, segundo pesquisa do professor Ricardo Augusto Dias, da FMVZ – USP.
Esse mesmo fenômeno também acontece em bairros nobres de São Paulo, como Moema, Jardins e Higienópolis, locais onde a população entre outras características, pode gastar com o bichinho de estimação. O poder aquisitivo e a “super-concentração” de pets atrai naturalmente um grande número de veterinários, consultórios, pet shops e a temida concorrência.
Os números do CRMV-SP dão uma idéia dessa competição: no estado de São Paulo existem 20.865 médicos veterinários em atividade, 1.913 clínicas, 1.410 consultórios e 28 hospitais para atender os peludos. No país são 10 mil novos profissionais todos os anos. “Comparando o Brasil com os EUA, onde existe a maior população pet do mundo, nós temos praticamente sete vezes mais faculdades de Medicina Veterinária”, afirma o presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi. “A única maneira de absorver esse contingente é criar o hábito no dono do animal de freqüentar a clínica veterinária e proporcionar a todas as camadas da sociedade o seu precioso serviço”, completa Ciampi.
Provavelmente os cães e gatos do Campo Belo estão extremamente satisfeitos com o atendimento que recebem. Mas o fato é: todas as classes sociais têm animais. Seja na classe A/B ou C/D o médico veterinário pode aumentar cada vez mais as áreas de atuação e ainda ser o principal multiplicador do valor da sua profissão.
“Nas classes menos favorecidas a procura pelo profissional pode até ser baixa, mas a necessidade existe, o que falta muitas vezes é essa cultura na sociedade”, contou o ex-secretário geral da ACLIVEPA-SP, dr. Renato Brescia Miracca.
A classe C (renda de até R$1.200) é hoje o maior extrato econômico do país, representando 43% da população brasileira. São milhões de novos consumidores em busca de produtos e serviços para seus bichinhos. O que inclui os cuidados médicos, com tudo de bom que isso representa para eles. (Fonte: IBOPE/08)
Alguns profissionais descobriram nas classes mais baixas, além de um novo mercado de trabalho, uma maneira de adquirir destreza e técnica e ainda ganhar uma experiência de vida.
“A ARCA Brasil há anos defende e promove em seus seminários a importante aproximação da classe veterinária com toda população e a prática da inclusão social. Essa é uma maneira de democratizar o acesso a esse tipo de serviço” acredita Marco Ciampi, presidente da entidade.
Foi em busca de crescimento profissional que a dra. Camila Grespan abriu há um ano o Centro Veterinário Popular no bairro Jardim Ângela, periferia de SP. Ela que já trabalhou em regiões nobres da capital, conta o porquê da mudança. “Na periferia eu atendo diferentes casos, animais que são criados nas ruas e são atropelados e envenenamento por chumbinho, situações que eu não vivia quando trabalhava no Brooklin”, explica a veterinária que reconhece o quanto isso foi importante para sua carreira.
“A maior procura é para o atendimento clínico, aos sábados não conseguimos nem parar para almoçar!”, comemora a dra. Camila, contrariando os que pensam que nas periferias não há esse tipo de interesse pelos animais.
E para os mais otimistas, a classe C pode representar a grande esperança na conquista do tão sonhado controle populacional de cães e gatos.
Castração e inclusão social
“A castração é bastante procurada, e eu faço questão de explicar o cuidado especial que tenho com a anestesia, entre outros critérios que geralmente pesam na decisão por este procedimento. Mas aqui no Jardim Ângela ainda tem muito animal abandonado”, explica a dra. Camila.
Já a nossa Veterinária Solidária Fernanda Conde, conciliou a carreira com seus anseios de cidadã. “O serviço mais procurado é a castração, trabalho com valores mais baixos no intuito de reduzir os animais de rua e conseqüentemente os maus tratos”, conta a profissional que em quatro anos já realizou mais de 12 mil castrações, incluindo os mutirões. A dra. que já atuou pelo controle populacional na favela de Heliópolis, hoje atende principalmente protetores independentes e proprietários que recorrem ao CCZ e não são atendidos, na zona norte de São Paulo.
A ARCA Brasil sempre foi parceira da categoria e com os projetos Controle Populacional e Veterinários Solidários oferece meios para que esse profissional possa proporcionar a todos os animais, ricos ou pobres, um atendimento médico. Mesmo para quem vive com o dinheiro contado, uma boa recepção, o respeito e a atenção são importantes aliados na conquista de novos clientes e, quem sabe, o início de uma nova era de prevenção e bem-estar para os nossos queridos amigos.
WSAVA – 34º Congresso Mundial para Veterinários de Pequenos Animais |
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